OS DRAGÕES DA SUBARUBA - REENCARNAÇÃO
PAÍS DE BRASAR - 11 ANOS DEPOIS (2010)
(Soundtrack - https://youtu.be/VoOVJmKPCds?si=UMMUhyAdj1e7XL__ )
No meio da escuridão, ninguém se dava conta do jovem que corria desesperado pelas ruas, arfando, tentando despistar seu algoz.
- HEY! – Gritou uma voz masculina na noite sinistra.
- Droga! – Praguejou Drico, não aguentando dar mais nenhum passo. Estava sendo perseguido e não tinha ideia de quem estava atrás dele. Sem contar que estava num beco sem saída. Ao mesmo tempo, o estranho se aproximava cada vez mais, como um predador. Drico sentia a presença próxima do inimigo, o nervosismo tirando toda a concentração.
- Merda! Que ótimo! – Resmungou o jovem ao ver que, no final do beco, a área estava cercada por enormes grades de metal. Drico reparou que era a entrada de um prédio em construção.
- Sim, muito legal. – Respondeu a voz envolta pelas sombras - Está cercado! (Nota do autor: O LIÃO PEGOU A ANTA SONEGADOURA HÁÁ!).
- Quem é você?! O que quer de mim? – O coração de Drico batia forte no peito e suava profusamente, apesar do vento gelado.
- Não quero nada de você! Quero VOCÊ! – JP surgiu das sombras exalando malícia. A mão direita apoiava a espada samurai no ombro.
- Fodeu. – Drico ficou na defensiva cruzando os braços rentes a face, mas sem perder de vista o agressor. JP avançou numa velocidade incrível apenas usando a mão esquerda para desferir um soco.
- O QUÊ?! – O punho de JP colidiu com a barreira no formato de uma caveira. (Referência: http://download.ultradownloads.com.br/wallpaper/149306_Papel-de-Parede-Caveira-no-fogo_1280x800.jpg). Ela protegia Drico por inteiro, sem deixar brecha para ataque. – Onkoshobakuheki*. (*Onkoshobakuheki – Barreira do Grito dos Mortos, no original).
- Onko o quê?
- Onkoshobakuheki. Tokito não errou quando sentiu sua presença. Fico mais aliviado, pois não preciso me segurar tanto! – JP tirou a espada da bainha, ficando em posição de ataque. Ele se lembrou das instruções específicas de Tokito antes de localizar Drico: “Traga o jovem vivo. Ele é primordial para a vinda de Hinoto-Sama”
- Se você está falando desta barreira, era um trunfo na manga. – O jovem parecia orgulhoso pelo domínio do poder que desconhecia, exibindo falsa confiança – Mas não se segure, adoro homens agressivos!
- Heee! Makomeizanken! * - a espada de JP sentiu a luz da lua, seu reflexo reluzindo com o poder de um corte letal. Na empunhadura, uma estranha ramificação de nervos e músculo, interligando a mesma até a base da lâmina. Além dos nervos, três orifícios decoravam o músculo, dando um ar fantasmagórico. (*Makomeizanken: Espada Sonora Mortal das Trevas)
- Tsc! – JP finalmente atacou e Drico sentiu o impacto da espada desestabilizar a barreira.
- AQUI ESTÁ SEU MACHO AGRESSIVO, DONZELA! QUERO VER ESSA BARREIRA AGUENTAR! – JP desferiu mais dois golpes violentos com a Makomeizanken, decorando a esfera protetora no formato de crânio com rachaduras. Quando ia receber o quarto golpe, Drico não teve alternativa a não ser pular. Seu salto liberou um tipo de poder desconhecido, vários espectros fantasmagóricos saindo do campo de força como mísseis teleguiados, todos na direção de JP.
- ONKOSHOBAKUHEKI! – Uma barreira de maior escala formou-se ao redor de JP, protegendo-o de todas as almas explosivas. Ao dissipar a poeira, seu alvo tinha sumido de seu campo de visão. “Usar um Bakutodokushoukusou* desses é sinal latente do despertar de Hinoto-Sama. Desculpe Tokito, mas talvez não possa cumprir com a sua recomendação” pensou JP tentando localizar o jovem através da energia maligna. Sua excitação aumentou ao saber exatamente onde Drico estava. (*Bakutodokushoukusou: Explosão Sonora! Grito dos Mortos)
Drico aproveitou a poeira como vantagem para se esconder dentro do prédio. Tinha dado um impulso maior no salto para pular a grade, correndo até o projeto de apartamento que estava à sua frente. Para sua desvantagem, a construção consistia somente no esqueleto, com escada e piso até determinado andar; não tinha paredes. (Exemplo: http://s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2010/09/09/predio-acidente-ok.jpg) O rapaz ficou escondido num dos últimos pilares, a respiração descompassada devido ao grande esforço. Sua mente estava confusa e a mil, imaginando todos os tipos de possibilidades. Quem era ele? Por qual motivo queria matá-lo? Quem era Hinoto? Todas essas perguntas passavam na sua mente e, de todas elas, uma coisa ele tinha certeza: tudo estava relacionado com o dia em que começou a ter poderes. Poderes como os que só se via na TV e no mundo imaginário. Essa densa energia passou a fazer parte do seu ser, despertando desejos e ações de que ele não seria capaz. Isso sem mencionar os sonhos! Ah sim, os sonhos! Sempre sonhos de uma guerra, onde o caos era visível. Além das mortes, tinha flashes de cenas estranhas, cheio de luta e sangue. Algumas até eróticas. E, todas as vezes que acordava, uma compulsão crescia, e a energia densa parecia rasgar as veias do seu corpo. Vez ou outra ouvia uma voz sussurrando em seu ouvido frases desconexas, como se algum espírito vivesse dentro dele. Com o tempo, passou a controlar os poderes, mas não a ponto de dominá-los. Pensou em pedir ajuda, mas quem iria acreditar nele? Tinha que achar um meio sozinho, como sempre fez, e não seriam esses poderes estranhos que o deixariam assustado. Drico espantou os devaneios ao ouvir o som seco da espada de JP riscando o chão, provocando um som peculiar de um gemido sobrenatural. Ele estava grudado no pilar quando, de repente, o som cessou. Só o barulho do vento se fazia presente. Drico engoliu em seco e tomou coragem para olhar o vasto espaço do prédio. Nada. Ao tomar a posição de antes, sentiu a espada de JP mirar-lhe o olho, pronta para perfurá-lo. Os batimentos de Drico chegaram ao ponto de ebulição e ele estava certo que iria morrer ali. Mas, para sua surpresa, o estranho baixou a espada, fincando uma das mãos no seu pescoço.
- Vamos ver se eu entendi direito: É desse tipo de agressividade que você gosta? HEIN?! – JP parecia enlouquecido, os olhos bem abertos e encarando sua presa.
- Pensando bem... Acho que não curto muito, sabe... . – Drico não podia evitar; o nervosismo o deixava sarcástico.
- PUTA MENTIRA! Se não curtisse, não estaria excitado! Você emana cio de longe! – Ele não tinha notado antes, mas JP estava a poucos milímetros de distância, a outra mão pegando onde a ebulição de Drico era mais forte.
– Para sua sorte, eu tenho outros planos e não posso fazer o que bem entendo. Mas isso não significa que eu não possa quebrar essa regra – JP encaixou seu corpo no de Drico, lambendo-o do pescoço até a orelha. Este ficou surpreso ao sentir tal prazer, esquecendo momentaneamente a noção do perigo. Segundos depois, um ardor tomou conta do seu pescoço, como se tivesse sido marcado com ferro em brasa. JP havia se afastado e a pequena quantidade de saliva que deixou em Drico tomou uma coloração avermelhada, desenhando e tomando vida. Drico sentiu-se sufocado, o torpor se apoderando de todas suas articulações e, por fim, perdeu a consciência.
Opening: https://youtu.be/35vr4CI61OE?si=iYi7fteqx3cukBiO
- Vamos, mooço! Deixa a gente entrar!
- Tá doida?! Até parece que deixarei uma menina entrar numa casa de swing! - O segurança cruzou os braços, aparentando ser mais ameaçador – Quantos anos você tem? Quatorze? Quinze? Posso ser preso por isso!
- Tenho quinze, pra sua informação ò_ó! E muita gente nessa idade já sabe dessas coisas!
- Não vou deixar você gravar vídeo algum, menina! Então pode cair fora!
- QUE INJUSTIÇA! Vou dizer para o Conselho Tutelar que nessa casa abrigam garotas da minha idade, ouviu!
- Gaby-chan, chega! – Jardel puxou a garota para longe do segurança – Vamos embora daqui.
- É muito injusto, Jar! – Gaby puxou o braço para sair das garras do amigo – Uma fã de yaoi como eu não pode ficar sem conhecer uma casa de swing oriental!
- Aham. ¬ ¬
- Seria material pra uma vida toda! – Gaby tinha os olhos cintilantes, o nariz sangrando só de imaginar cenas pervas – Um sonho a ser realizado!
- Ok, Gaby, chega! Por mais que eu apoie sua paixão, concorde que nenhum segurança iria deixar você ou qualquer um da nossa idade entrar! Muita burrice não pensar!
- Mas é lógico que pensei! Usei RG falso, ora! u.u - a garota cruzou os braços, inconformada – não tenho culpa se o segurança pregou a lei do “ eu sigo as regras” e não me deixou entrar – ela pegou o RG do bolso da calça, chacoalhando na face do amigo.
- Gaby – Jardel pegou o RG da mão dela, respirando fundo como se implorasse por paciência. – a data de nascimento deste RG é de 1975! Até parece que você teria trinta e sete anos!
- Eu diria a ele que uso renew, ué!
Jardel: http://24.media.tumblr.com/tumblr_lu3jcuZx0J1qhh6xjo2_r1_500.gif
- Não faça essa cara! ò_ó
- E que cara quer que eu faça? - Retrucou Jardel, fazendo bico – Espere que eu te reverencie pela sua vasta inteligência?!
- Não, mas sim pela minha coragem, já que você só prestou pra paquerar o outro segurança!
- Que mentira! – O rosto de Jardel ficou vermelho – É você que tem um pinto dentro desse cérebro!
- Tenho mesmo! E um dia farei minha mudança de sexo tão desejada! u____u
- Não brinque com isso! Vamos embora, Gaby! Já deu!
- Ei! Esperem! – Uma mulher próxima deles chamou atenção – Vocês querem entrar na casa de swing?
- Sim! Queremos! – A jovem deu pulos de alegria, com esperança renovada. – Como entramos na casa, moça?
- Posso colocar vocês dois lá dentro, mas vai ter um custo. - A moça, de cabelos longos e loiros chegou mais perto de Gaby-chan. Seu olhar era penetrante, suas unhas longas roçando o rosto da jovem - Para tudo, tem um preço.
- Faço qualquer coisa!
- Espera Gaby! – Jardel se interpôs entre ela e a desconhecida – E qual é a garantia de que irá nos colocar dentro da casa? Você pode estar enganando a gente!
- Se eu quisesse alguma coisa de vocês, poderia muito bem roubá-los! Principalmente a garota, que tá segurando essa câmera pra lá e pra cá sem noção alguma do perigo. Mas, ao invés disso, estou numa boa oferecendo ajuda.
- Huummm – Jardel analisou a estranha de cima abaixo, ainda desconfiado. Ela tinha estatura mediana, pele pálida e lábios carnudos. Tinha um olhar estranho e para alguém da rua, estava bem arrumada e sensual. Talvez fosse a fantasia dela, mas ainda sim, continuou desconfiado.
– Não te conheço de algum lugar não, moça?
- Não. - Respondeu a mulher, sem esboçar emoção alguma. Mesmo assim, foi perceptível para Jardel que a pergunta causou certo desconforto. Gaby-chan estava totalmente alheia, só pensava entrar na casa. Como Jardel dissera anteriormente, era um pinto mental que movia a garota.
- Moça, qual seria o preço? – Perguntou Gaby-chan um pouco preocupada – Se for dinheiro, eu não tenho um tostão.
- Eu também não tenho muito dinheiro– disse Jardel tirando algumas notas do bolso.
- Bom, por essa quantia já é um começo, mas não é suficiente. Só se... .
- Só se....? - Perguntaram Jardel e Gaby ao mesmo tempo.
- A garota pode dar uma mexa do seu cabelo. - A mulher passou os dedos delicamente pelas madeixas de Gaby-chan, que recuou instintivamente.
- MEU CABELO? - Uma onda de histeria nascia em Gaby-chan – Não pode ser outra coisa não, moça?
- É... Gaby-chan?
- Ou é isso ou não tem acordo.
- Ok, ok! – A garota deu-se por vencida – O dinheiro que temos e uma mexa do meu cabelo.
- Certo – a mulher pálida começou a caminhada com um sorriso triunfante – Me acompanhem.
- Gaby – Jardel barrou a amiga, colocando os braços nos ombros dela – você tem certeza disso?
- Tenho! O cabelo cresce de novo... – respondeu ela, dando de ombros – Só me pergunto o que essa doida pretende fazer com ele.
- Ah Gaby, nem queira saber! Nem queira saber! – respondeu o garoto soltando à amiga e acompanhando o moça de face pálida. (Nota do autor: a moça é uma personagem chamada Jorougumo, do mangá Holic)
- Está melhor?
- Aparentemente, sim. Você já vai?
- Sim. – Tokito levantou-se da cama onde estava sentada, pegando o sobretudo em cima da cadeira – Não posso demorar, pois o JP me espera.
- Entendo... acha mesmo que dará certo? – Rodji se recostou na cabeceira da cama, ficando sentado – Por mais que eu tente, não tiro esse pensamento da mente. Meu desejo poderá desestruturar o tempo.
- Ela disse isso porque prefere não correr riscos! – Tokito foi seca, pois não era a primeira vez que Rodji tocava nesse assunto. – Quando nos conhecemos, você achava que era impossível solucionar seu caso, mas sou prova viva de que está errado. - Ela colocou a mão no rosto dele - Você está predestinado com o futuro da Terra. Sabe muito bem disso.
- É verdade – um ar de alívio formou-se em Rodji, deixando o corpo relaxado – Se não fosse por você, seria insuportável. Eu não aguentaria.
- Mais um motivo pra tirar esses devaneios da mente! – Tokito colocou o sobretudo e deu um beijo no rosto de Rodji - se precisar de mim, sabe onde me achar.
- Ok – Rodji observou a mulher de cabelos ruivos sair do quarto.
Suspirou melancolicamente, ainda sentindo o corpo tremer. Apesar disso, estava bem menos indisposto, o ambiente menos gelado. Desde o momento em que a “fome” passou a fazer parte de sua vida, seus dias se tornaram um inferno constante. Era como o nascimento de um demônio que possuía seu ser, a sede de poder corria em suas veias e tatuagens tribais tingiam o seu corpo. Isso o levou a cometer atrocidades inimagináveis, e ele já carregaria esse peso para a vida toda. “Atavismo maligno” disse Tokito, quando soube o que ele tinha. Até onde sabia, era um gene herdado no cruzamento de seres humanos com youkais, despertando após várias gerações. Não sabia mais detalhes e não achou nada sobre o assunto até então, desistindo da procura. Mas de uma coisa ele tinha certeza: Tokito escondia muita coisa, mudando sempre de assunto quando ele fazia perguntas demais. No começo, isso o deixava frustrado, mas, com o tempo, preferiu esperar. Ela dizia que ele não estava preparado, mas com o tempo contaria tudo. Até o mistério que mais o intrigava: a estrela de Davi tatuado nas suas costas. Inicialmente achava que tinha a ver com sua origem sanguínea, porém, ao notar que ela não desaparecia como as outras, seu raciocínio deu lugar a outras perguntas. O mais assustador era saber que Tokito tinha uma tatuagem igual a dele, sendo a dúvida mais frequente. “Porque estamos destinados a grandes feitos no futuro” respondia Tokito, sempre tranquila. Tinha sorte de tê-la conhecido, tendo a certeza de que receberia uma segunda chance. Contudo, mal sabia ele quais eram os reais planos de Tokito.
- Meu cabelo! Meu cabelo, Jar! Arruinadooo! – Chorava Gaby enquanto ficava apenas de calcinha e sutiã – E porque temos que ficar pelados?! Isso é abuso de menor! E ainda vesti a calcinha errada!
- Psiu! Fique quieta! – Jardel estava espiando pela porta de serviço, esperando a oportunidade para adentrar no recinto - A ideia foi sua, então aguente!
- É constrangedor!
- Como assim, constrangedor? Você adora coisa perva! Por que o falso puritanismo? – Perguntou Jardel, colocando as mãos na cintura. Ele usava apenas uma cueca boxer preta.
- Gosto de coisa perva para os outros! Não pra mim! Não preciso estar envolvida. U_U
- Me poupe! ¬¬ - Jardel espiou novamente pela porta – Vem, é a nossa chance! - o garoto puxou Gaby pelo braço, saindo ambos do esconderijo.
http://www.youtube.com/watch?v=SHAQlFq6TFg
- UUUAAUU! Estou no paraíso! - Gaby-chan pegou a câmera, iniciando a gravação. Estavam no salão principal, bastante espaçoso e no estilo clássico. Bar, TVs de UHD, pufes e poltronas davam o tom de luxúria. No meio do salão tinha uma enorme cama vermelha e no centro dela, um queijo. Uma mulher – provavelmente dançarina da casa – fazia sua performance sensualmente, chamando atenção de homens e mulheres. Muitos ainda usavam roupa íntima, mas outros exibiam totalmente sua nudez. Além dos seguranças, Gaby-chan filmou uma mulher de cabelo ruivo, trajando um sobretudo creme, muito chique. Achou estranho ela ser a única vestida, mas não deu tanta atenção ao fato. Para sua insatisfação, Jardel entrou na frente.
- Jardel!
- Já se esqueceu o que moça esquisita disse? Ainda estamos expostos! Guarde essa câmera antes que dê problema! E vamos procurar a tal sala que você quer ir, gravar e darmos o fora daqui!
- Ai, como você é chato! – Resmungou a garota, guardando a câmera entre os seios - Nem podemos parar para admirar o ambiente!
- Droga! Tarde demais! – Jar avistou o segurança da entrada apontar para eles de forma acusadora, chamando atenção de mais dois guardas. O garoto não pensou duas vezes: pegou no braço da amiga entrando no meio do povo – Gaby, corre!
- Aaii! – A garota sentiu-se puxada, esbarrando em algumas pessoas, tentando acompanhar os passos de Jardel e se misturando entre os swingueiros.
- Até que enfim! – JP levantou da poltrona, indo na direção de Tokito, que acabara de entrar na sala. Eles estavam no escritório privado do térreo, localizado na parte dos fundos da casa. O ambiente era decorado com escrivaninha, poltronas, sofá, frigobar, televisão e uma cama de casal. Tokito não respondeu de imediato a cobrança de JP, retirando o sobretudo e jogando-o no sofá.
- Não me atrasei por querer. Estava com Rodji – Tokito foi até o frigobar, pegando uma garrafa de vinho. Pegou a taça que estava na escrivaninha e encheu-a cuidadosamente – Não vai demorar muito para que nosso plano entre em ação – A mulher de cabelos ruivos sorveu um gole, notando a presença de Drico. Ele estava na cama de casal, ajoelhado, totalmente amarrado. Sua boca estava tapada com uma mordaça erótica, braços algemados. Isso fez o sangue da Tokito subir e ela deu um tapa violento em JP.
- PORRA! PORQUE FEZ ISSO?! – Berrou um atônito JP.
- Eu disse pra você não danificar o corpo de Hinoto-sama! – Tokito foi até Drico e retirou a mordaça dele. - Nada pode dar errado!
- VOCÊ DIZ ISSO PORQUE NÃO FOI À PROCURA DELE! - JP pegou a garrafa de vinho em cima da escrivaninha e continuou sorvendo alguns goles – Ele consegue usar alguns poderes com a alma inativa!
- Isso é óbvio! A alma está querendo conectar-se com o corpo!
- Não reclame, Tokito! O objetivo foi trazê-lo vivo! – JP sentou-se na poltrona e, olhando para a mulher de forma insubordinada, colocou os pés em cima da mesa. – E vai por mim, ele está mais vivo do que imagina! - Tokito viu que JP ajeitava a calça de couro, a malícia no sorriso descarado.
- Espero que não tenha feito nada com ele. – Disse Tokito com um olhar acusador.
- Não fiz nada.... Ainda. Hehe!
- Não fez mesmo? – A mulher olhou para Drico, direcionando a pergunta a ele ao retirar a mordaça erótica de sua boca.
- Uma virgem, moça. – Drico olhou para trás todo teatral – Meu hímen quase foi rompido, mas continuo menina! XD
- Ele tem senso de humor. – Disse Tokito.
- Humor de cu é rola. Isso é safadeza!
- Disse algo a ele? - Perguntou Tokito.
- Pff! Deixo essa parte contigo. Não tenho paciência pra essas coisas.
- Ok! Deixarei ele a par assim que mudar de roupa. É hora de iniciarmos o ritual. – Tokito retirou-se da sala, enquanto JP fixava seu olhar devorador em Drico. Este, por sua vez, não tinha ideia do que poderia acontecer. Só tinha a certeza de que não iria acabar nada bem.
Gaby-chan e Jardel haviam despistado os seguranças da casa de swing, mas não sabiam onde estavam. Tinham descido até o subsolo e passado pelo refeitório, cozinha e área de limpeza.
- Por aqui – disse Jardel puxando a garota para a sala de estoque. – Vamos esperar por aqui até a poeira baixar.
- Tem certeza? Não acho uma boa ideia. =_=
- Se você prefere sair e procurar uma saída, por mim... – Jardel abriu a porta, desafiando Gaby.
- Não! Prefiro ficar aqui >_<!
- Gaby.... – Jardel estacou, a expressão analítica - Que calcinha é essa?
-NÃO OLHE PRA MINHA CALCINHA! TÁ TODA ERRADA!
- Estou surpreso, hein! Nunca ia esperar que... - Jar parou de repente, algo desviando sua atenção – Está ouvindo isso?
- O quê? – Gaby acompanhou Jardel com o olhar. Ele passou por ela, indo até a pequena janela do lado esquerdo.
- Gaby.... Veja – A garota subiu até onde estava o amigo, notando que do outro lado dava para o mesmo escritório privado onde estavam JP, Drico e Tokito. (Nota do Autor: o depósito é como aqueles porões de casas americanas, com janelas pequenas com vista para o jardim, nivelado com o terreno).
- Quem são eles? – Perguntou o garoto, com o cenho franzido.
- Deve ser clientes fazendo algum tipo de fetiche – Ela apontou para JP, que andava feito cachorro rodeando cadela no cio – Tem até um cara usando roupas de couro. Provavelmente é S&M. (Nota do editor: Kdrixanna? Kdbitchney? Kdplay-bare-back?) (Nota do autor: MORRI!)
- Verdade, – Concordou o outro – tem até um cara amarrado na cama.
- Não posso perder essa oportunidade! Preciso filmar! – Ela tirou a câmera digital dentre os seios – Pena que o ângulo não favorece. Só consigo ver o rosto do cara que está amarrado na cama. =/
Nesse mesmo instante, Tokito reapareceu na sala. Usava apenas uma camisola de cetim transparente, o cabelo preso num coque e maquiagem marcante. (Nota do Autor: Exemplo - http://m.i.uol.com.br/estilo/2010/05/12/camisola-longa-levemente-transparente-na-fruit-de-la-passion-r-411-1273708522027_420x230.jpg)
Tokito andou pelo recinto sem notar que estava sendo observada.
- Antes de começarmos, acho que preciso esclarecer algumas coisas.
- Por favor! – Concordou Drico – Acho que possuo o direito de saber o que vão fazer comigo, pois pensei que o outro ali – apontou a cabeça para o JP – iria abusar de mim na rua e me esquartejar! Tá na moda isso.
- E VOU! HHUAHUAHUAHUA!
- Que teatrinho de quinta! – Falou Gaby-chan, revirando os olhos – Eles bem poderiam pular o falatório e ir pra parte que interessa! E essa ruiva na cena é o erro! Podia ter ficado no salão principal u_u
- Não sei, Gaby... . – Jardel tinha um pressentimento ruim a respeito.
- Ah, mas eu sei! Xana ruiva ninguém merece!
- Shiu! Veja! – Retrucou o garoto, focando na mulher. Ela se aproximou de Drico, acariciando seu rosto.
- Já deve saber que você não é como os outros.
- Fama define. XD prossiga.
- Seu corpo guarda a alma do contemplador de sonhos que participou de uma guerra há dez anos. Você é a reencarnação de Hinoto-sama. E hoje é o dia em que vamos despertá-la.
- Uma alma feminina? Que interessante! - Drico, um tanto nervoso, tentava tomar tempo enquanto pensava no que fazer. Em sonhos, tinha sempre uma mulher de cabelos brancos, vestida de kimono e com olhar vítreo surgindo em certas situações. Sentia que o poder vinha de algo relacionado a ela. Porém, de forma mais profunda, uma outra persona dessa mesma mulher, inicialmente frágil, esboçava malícia. Ele sabia que, dentro dele, o que fosse despertado, continha grande poder. E isso ele temia bastante.
- Bom, isso é o que você precisa saber. JP?
- Pode apostar!
http://www.youtube.com/watch?v=3Wl4UnxMlJY
- Que se inicie o Ritual! – anunciou Tokito estendendo os braços. Ela elevou sua energia maligna, fazendo as roupas de Drico se desintegrarem. JP pegou o chicote de sete pontas e começou a açoitar as costas da vítima.
- AAAAHHHHH! – Drico se contorceu na cama, a dor cravando na pele. Gaby-chan estava começando a gostar da cena:
- Sugoooiii! Isso sim é cena! Não aquele teatrinho!
- Não acho que seja teatro.... Acho que devemos ir embora. - Jardel estava sério. Ela não via o que o ele via.
No mesmo tempo em que ocorre o coito na Casa de Swing, algo também acontecia com Rodji. Ele sentia fortes dores no corpo, os órgãos internos rasgarem, como se algo dentro dele tivesse vida. Por várias vezes tentou entrar em contato com Tokito, todas em vão. Sua energia maligna estava instável, congelando tudo ao redor. Com um esforço descomunal, ele saiu da casa, cambaleando até o meio da rua deserta.
- Toki... - Um estrondoso feixe de luz se estendeu num raio de 1 quilômetro, engolindo tudo ao redor. O fenômeno durou poucos segundos, retornando rapidamente ao ponto de origem. Rodji ainda continuava ajoelhado, usando as mãos como apoio. Ainda sentia um mal-estar, mas as dores haviam sumido. Sua atenção voltou-se para a luz vinda de frente pra ele; uma longa espada de belíssimo cabo dourado brilhava como a força do sol e a delicadeza da lua.
Jardel não acreditava no que estava vendo. Era algo que ia muito além da sua imaginação. Ele suava frio, mas não era de medo; era a tensão do que estava por vir. O clima era tão avassalador que até se mover era perigoso.
- G-Gaby....
- Agora não, Jardel! Vem a parte mais interessante!
- Gabriele, me escuta! – O garoto colocou as mãos nos ombros dela – Acho que estamos no lugar errado e na hora errada! Olhe para o cara do meio. – Gaby-chan virou o rosto lentamente, vendo Drico nu, e sentiu um calafrio. Antes ele emitia uma vibração brincalhona, sarcástica e gentil. Agora, era densa, maliciosa e sexual. Ele lambia o sangue que escorria das mãos, os olhos rubros e o sorriso cheio de prazer.
Hinoto havia despertado.
Continua....












