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- Adélia Prado, via Suplemento Pernambuco, para o dia que também é das filhas cujas mães não estão mais neste mundo.
Carmilla does not destroy Laura, but slowly makes her sick. An affliction that she is constantly denying to others, but of which the narrator is absolutely aware. This state of “disease” is described not as the presence of bodily pain, but as a lack of energy, a feeling of tiredness. This anxiety and generalized dissatisfaction possibly evokes the discomfort of an unrealized – and unrealizable – desire, constantly recalled by Carmilla's stay in the next room, and the endless nightmares that brought her presence to Laura every night. That is why, with all the comforts of a wealthy and peaceful life, maintaining her “morbid discretion” at all costs, the young woman remains restless and exasperating, while dying inside. “My suffering seemed to belong to the realm of the imagination” – or rather, imagination's inability to resolve the tension and exorcise the anguish felt by being attracted to someone like her.
This is the enigma, the dark mirror, which Laura is unable to overcome and which is gradually unraveling with the discovery of Carmilla's origins. It doesn't take long for Laura to find a portrait of an old grandmother, Mircalla, and realize that Carmilla is not just an anagram of her name, but also identical to her. In addition to the narrative, daring due to its youthful lesbian tone, Le Fanu offers us a narrator whom it is possible to distrust, that is, someone against whom we conclude more quickly about the given situations. Our anguish as we read along the young woman's story feeds the growing tension that little by little becomes compassion for that which she incomprehends, which, surprisingly, also becomes incomprehensible to us.
"Através de um espelho escuro: os 150 anos de 'Carmilla'", por Anelise de Carli (2023) (my translation)
trecho do artigo publicado em Suplemento Pernambuco
2019080508h10m
Adília Lopes
Foto não é minha e sim da Suplemento Pernambuco (twitter)
Bem atual
Prêmio de consolação.
Paco Urondo.
Perdi muito tempo pensando sobre se você iria para o céu ou para o inferno Achava que com tanta gente ferida por seu punhal havia uma possibilidade Sim uma possibilidade de que você fosse parar no inferno Mas depois também tinha aquela coisa de você nadando na Praia da Amoreira ou de você desenhando com uma pedrinha branca na pele do rochedo irregular ou até de você aparecendo sorrindo na minha frente Tinha a forma como você conversava com estranhos na rua à hora dos lobos Seu jeito de segurar a raqueta quando jogava badminton Aquela sua atrapalhação quando você se atrasava Você sempre se atrasava e chegava correndo se justificando olhando o relógio que você nem tinha Você toda afogueada subindo no banco de trás de minha bicicleta enquanto eu continuava lendo o jornal internacional calmamente sempre calmamente te esperando
Você dizia des-des-desculpa eu lia a última parte da notícia que falava de um barco encalhado na Mesoamérica e depois te dizia vamos? Havia a possibilidade é havia uma forte possibilidade de que você terminasse no céu ou no paraíso O tempo que você levava para se despertar nas manhãs de dezembro A atenção que você dedicava a todas as partes de seu corpo e de meu corpo e do corpo do raminho de magnólias que adormeciam e acordavam connosco no hotel mais sujo da cidade em dezembro e fevereiro Isso dizia muito sobre sua vocação para a meditação e também para o desespero Passei muito tempo pensando sobre se tua inclinação te levaria até o inferno pouco depois de tua morte E mais do que isso eu também pensava se você morrer eu morro se você escolher o gole do diabo eu bebo do mesmo cantil Foi assim que me tornei ladrão Assim que apontei o canivete na têmpora de Xavier Tementree Assim que assaltei a horta biológica para levar todos os pés da salsa dourada
Foi assim que esbofeteei o policial e pior que isso foi assim que esmurrei meu colega samurai quando eu sabia que ele fazia aquilo só por diversão ou por imitação Passei muito tempo pensando num lado e no outro E portanto nos intervalos do terror para cobrir minha retaguarda Eu dançava na quermesse Alimentava os castores Contava as línguas das tribos Fazia vénias aos astrofísicos Beijava todas as cabeças dos pássaros e dos lampiões Não fosse deus tecer a manta e fazer-te escolher a água benta.
Para onde você vai eu não sei Na verdade não me importa mais Porque no caminho do post-mortem Aconteceu que dei de caras com a vida.
-- Matilde Campilho