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Shiva & Sensei
Vertin é um planeta
Pássaro Só veio no turbilhão de lançamentos do Spotify, não lembro quando, não lembro como. Sei que ficou nos favoritos, aqueles que vibram em algum lugar intocado de mim e que precisam de tempo para voar. Já que o assunto aqui também é passarinho.
Então, Sertânia, de Geraldo Sarno. Vertin (o Moura) tava lá. E eu voltei pro disco, impactado pelo filme, pela presença do artista, por causa de outra camada, outra leitura, outra pessoa que estava ali. O artista é um planeta habitável.
A música de Vertin, cercada de amigos, como deve ser a vida, é clássica e nova, é sexy e casta, é muito e contida. Foi preciso olhar pra Vertin Moura atuando, olhar pra cara dele, pra perceber de onde vinha esses duplos. Dia desses, ao vivo com o irmão Helton (Helton & Vertin no projeto Ágora Sonora), olhei seus silêncios, seus gritos, a maçã do rosto, a fruta, a ave rubra, o gesto da arte, os sons entre o som, o irmão que é árvore frondosa de sombras sobre seus braços.
A pandemia, a quarentena, o país, tudo é morte, tudo nos quer no chão revirando no pó, o artista Vertin nos quer acordado. Mesmo feridos, nos chama pra vida, dispara carcará veloz até o sol e mergulha de volta, rasante do sertão até o coração da gente.
ferido insisto em acordar todo dia a cabeça dói metade do tempo na outra metade chora e lamenta a doença deve ter nome a causa tem endereço sobrenome culpa
ferido insisto em acordar pago o preço de ver a manada sem rumo e não segui-la não busca-la nem pena tenho, meu deus metade do tempo lamento e choro na outra metade tudo dói
Além do tempo, Vertin é um planeta habitado.
Fotos 2 e 3: Rodrigo Braga
I HAVE friends whose opinions I find distasteful. I still see them. I have colleagues I don’t like. I still work with them. I have books at
- But maybe in these days of exclusion and isolation, we can still look for comfort from the man who made sense of them. Maybe we can hear his appeal for the lion and the lamb and the lonely man. And maybe we can learn to love again the ones we used to love. As my colleague Teddy once said: “I know it’s over. And yet….”
Morrissey has the most intense fandom ever. For most, it’s a lifelong love affair that began with songs heard in early teenage years.
"Media-approved art is not art but propaganda"
Por Tatyane Oliveira Eu queria ter tido tempo pra escrever sobre esse disco antes. Quando eu ouço discos como esse do Wagner eu me lembro do motivo de eu escrever nesse blog pra algumas pessoas ler…
4 track album
- An ode to our obscure past, our fear of the future and everlasting love and determination deep within us.creditsreleased April 19, 2019 music and lyrics by Life on Venus recorded at Powerhouse Studio by Aleksandr Basian mixed by Life on Venus cover art by Life on Venus Released on Shelflife recordslicense
track by Life on Venus
- First song from the upcoming LP
time & energy - CLAWS AI
Porque eu amo A Forma da Água?
Identificação é a primeira resposta. Pq aquela coleção de desajustados sou eu. Cada um deles no lugar errado, mas tendo que fazer funcionar viver ali. Se reparar bem todos estão deslocados do seu lugar. E quem realmente está no seu lugar?
Acho mesmo que existe uma mensagem para cada um em todos os filmes, qualquer um. Deve ser desse encontro, ou não, o gostar e não gostar simples. Além das questões críticas de revista e especialistas.
Identificação é uma. Outra é uma “porralouquice” (pra mim não), que envolve Natureza, Ancestralidade e um tiquinho de massala queimando no incenso.
Misture tudo e tem ali o velho “conectar”, o novo-velho “pode ser simples”, a história que nasce da destruição de algo (ou tudo).
E quem é mesmo vilão no filme, quem está contra quem, quem joga fora suas próprias ideias de par, de lógica, de sexo, de divindade, de maldade, de fofura etc etc etc pra apenas sonhar com o lugar certo para estar e viver, bem ali.
(?)
Eu tenho cá comigo uma certeza que tem uma resposta na água, escondida. E que não deve ser para parecer ou para caber... algo me diz que é para simplesmente ser.
E porque o primeiro blu-ray a gente nunca esquece.
Aí bateu. E eu amo mesmo A Forma da Água.
12 track album
“Taller Dejao es dúo chileno integrado por el cantante y baterista Daniel Riveros (GEPE) y el bajista Javier Cruz, y es un grupo distinto por muchas razones. Una de ellas es la teoría que tienen acerca de su música: Taller Dejao no escribe sus canciones, las encuentra.“ David Ponce
January 1, 2004
The Smiths - Hatful of Hollow - ou: aqui começa sua outra vida - ou: tinha a idade certa para se perder, não se perdeu, mas perder foi sua palavra durante muito tempo
A revista Bizz já anunciava The Smiths em seu número um, num texto de José Augusto Lemos. A banda parecia ser uma das queridas e apostas da época. Esse álbum é de 1984, mas só chegaria aqui em 1986.
A Bizz era leitura mensal, fonte preciosa de informação, numa época em que não existia internet. Sim, isso aconteceu. E numa daquelas tardes de 86, num passeio pela cidade, entrando e saindo de lojas de discos, Hatful of Hollow chegou até mim.
Quem pagava por todas aquelas citações nas capas, aquelas resenhas, aquele flexi disc com Still Ill de brinde (Edição 8, do mesmo ano), que tocou por semanas aqui em casa, quem estava fazendo daquela chegada um acontecimento? Nada disso importava. Era a música deles que eu queria.
Não há nada de seu. Essa música que esteve aqui até agora é a trilha sonora do teu passeio distraído. Agora vem o baque. É a trilha da queda.
Aquele álbum andava comigo pela casa junto com um dicionário, com um caderno, com meus pensamentos, com o que havia de estranho e desconhecido no mundo.
Eu vou te levar pro teu primeiro curso de inglês, decifra-me. Eu vou te levar embora daqui, aceita-me. Eu não sou quem você pensa, eu não sou quem, nem você eu sou. Eu vou trazer aquela que tem as respostas e aquele que tem os segredos. Eu tinha as perguntas e o caderno.
Não é o segundo disco da banda, é a primeira coletânea de singles, gravações em rádios. A primeira coleção de músicas que adotei como minhas, pra começar a caminhar e colecionar cicatrizes.
Ela disse que não seriam dias fáceis, me mostrou entre a porta de entrada e a de saída, dezenas de outras que estavam ocultas pelo medo, pela vergonha e pela vontade que nem minha era.
Naqueles tempos a cidade parecia enorme diante de mim. Eu, que cabia dentro desse álbum, fui estante, fui quarto, quitinete, vi a cidade se apequenar enquanto desordenadamente crescia. Não havia metade de tudo isso, metade de mim nem havia. No futuro, fugi pro mesmo quarto e visito o mesmo álbum em que vivi, pra nunca esquecer de como cair bonito.
Outra história.
- Ouça Hatful of Hollow no Spotify
These were so beautiful.
Phillip Long - Manifesto - ou: a árvore imaginária
Não, nada está bem. O mundo parece de cabeça para baixo.
Perdemos o mapa, perdemos o projeto, perdemos de vista a árvore.
Alguns seguiram seus destinos, já traçados, longe daqui; outros saíram às ruas, grito e papel; o restante de nós, recolhidos ao medo, a depressão... parecemos conformados. Mas na verdade estamos plantando a outra árvore sobre esse assombro todo.
A erva brava, a grama úmida, a flor silenciosa do tombamento. Virá!
Parece que perdeu a esperança, mas não é isso.
Parece um pesadelo, também não é isso.
A vida teimará em seguir, sem nenhum.
Nenhuma interferência será suficiente para deter a vida. Os caídos pelo choque, pelo golpe, pela dor. Esses, lambem feridas, contam os vivos, os trocados, cantam canções de guerra e de paz, canções de amor onde ninguém vence.
O descanso na rede, o abraço daquele que escuta, daquela que acolhe. Verdade que os dias perderam a alegria de alfazema, mas o detalhe ganha a dimensão que parecia não ter mais. E no detalhe, os que perderam, ganham o grão precioso do dia, ele mesmo.
Amanhã será o sol. Inabalável.
Manifesto é o décimo segundo disco do Phillip Long. Dos letristas mais importantes da música da américa latina. É isso mesmo.
Eu ignorei todas as listas de melhores discos de 2017, todas. Pois em nenhuma este disco estava. Ignorar esse álbum é de uma cegueira surda que não tem como não lamentar.
O Phillip está diariamente nas redes, se expondo, trocando, escutando música, falando de tudo. Isso criou um laço com o público que a maioria dos artistas tem medo (será medo mesmo?). Ele ocupa um lugar e um espaço difícil de manter.
Mas esse laço com seu público não foi o bastante pra fazer do financiamento coletivo do Manifesto um sucesso. Foi um ano duríssimo, nos acostumamos a não pagar pelo que ouvimos, ninguém mais compra cd. Mil motivos, nenhum me convenceu. O manifesto sacudiu, envergou sem quebrar e por tudo isso e por ser vital, saiu empurrando e abraçando ao mesmo tempo.
As mensagens são atemporais, parecem falar de outros tempos, de ontem, desta manhã nublada. “Nada disso é novidade, está acontecendo o que já aconteceu no passado”. A mensagem cai nessa casa novamente e esse álbum está comigo desde que tocou a primeira vez.
Eu não te contei por onde andei. Não te contei que estive doente, que o medo ficou tão grande que, ou me escondia ou morria em praça pública. Não estive na Europa, não mochilei na América Latina, não fui no show do Morrissey em São Paulo. Eu me deitei e esperei pela morte.
Não fossem as canções eu não teria buscado ajuda. Antes da ajuda estava a música, antes de tudo ela está. Pronta pra me erguer do chão
ou no chão
comigo
me aquecer
“Pra entender de escuridão tem que se ligar na luz”
Sigo cantando.
- Ouça o Manifesto no Spotify
- Some Liverpool Kids. Image from Patricia Porter collection of pictures from Toxteth. ✍
Back to The Old House (solo piano by Nick)
10 track album
Encounters by Life on Venus