Not bad at all || @Antonin Dolohov
Tinha uma certa mania de comparar as aulas de feitiço com algumas das coisas que aprendeu com seus irmãos, quando mais nova. Do mesmo modo que um soco poderia machucar alguém, o mesmo acabava acontecendo. A diferença era que considerava socar alguém como algo muito mais fácil do que feitiços, bastava apenas fechar sua mão da maneira correta e usar a sua força. Ou, poderia muito bem ser dado sem nenhum tipo de preparo. No entanto, as aulas de Feitiço eram uma verdadeira pedra no seu sapato, não se surpreenderia se aquela fosse uma das suas piores matérias. Além de ser muita coisa para decorar, também era preciso pronunciar o nome de cada feitiço corretamente para nada dar errado.
O real problema em sua concepção eram alguns nomes difíceis de decorar, e alguns piores ainda na hora de se pronunciar. Sempre acabava errando alguma coisinha ou outra, na maioria das vezes acabava sendo a pronúncia. Não entendia o motivo de alguns feitiços terem nome tão complicados que pareciam ser mais uma outra língua, uma língua na qual tinha muita dificuldade. Sem contar, que mesmo tendo passado a sua vida inteira na Europa, possuía um pouco do sotaque americano sulista e cantado de sua mãe, como tinha conseguido aquilo era algo que não sabia explicar.
E nas aulas tinha um outro problema que estava ligado à pontualidade, era uma verdadeira corrida contra o relógio chegar na aula antes do professor, mas para sua sorte sempre conseguia chegar antes, nem mesmo que por alguns minutos ou faltando poucos segundos. A única parte ruim era que não conseguia sentar junto de seus colegas de casa, na maioria das vezes acabava sentando com alguém que ainda não conhecia, mas acabava aproveitando a oportunidade para fazer um(a) novo(a) amigo(a). Porém, como possuía uma certa dificuldade para manter sua boa fechada, as pessoas, no geral, ficavam mais irritadas com o seu falatório, do que ver a oportunidade para estabelecer novos laços de amizade.
Considerou-se sortuda por não demorar muito para encontrar um lugar, bastou justamente entrar na sala, dar uma olhada e ver um lugar vago; era como se tivesse sido guardado justamente para ela. Correu para se sentar rápido no lugar em que achou antes que alguém pegasse ele de si, e segundos depois de se sentar alguém sentou-se ao seu lado. — Hey dude — disse em um tom amigável, por alguma razão estava com um bom humor naquela manhã, tinha dormido pouco na noite anterior e podia jurar que iria acabar ficando com um humor do cão. — Se você estava esperando que outra pessoa sentasse aí sinto muito, não vou tirar a minha bunda daqui por nada — agora sim estava agindo e falando como de costume. — E eu sou a Harriet — aproveitou para se apresentar, e com a sua curiosidade que estava falando bem alto virou-se para o lado para ver quem seria seu/sua parceiro(a) naquela aula. A primeira coisa em que notou foi a gravata verde e prata. Maravilha, pensou, não tinha problemas com sonserinos, apenas com a ideologia purista em que muitos acreditavam.