We are here and I think we should have fun, Toots. | Caroline Belmont & Tilden Toots | Plot Twist
Tentar explicar para sua mãe, por carta, que ela não tinha companhia para o Festival dos Fundadores não era algo que estivesse no topo da lista de Carol de coisas boas a se fazer. Anastasia conseguia ser uma mãe sufocante quando queria ser. E não melhorava o fato de que ela afirmava não fazer diferença ter ou não companhia para aquele dia. Ou para qualquer outro dia. É claro que não fazia diferença. Carol sempre tivera apenas a companhia de Sebastian ou de Eithne, nada de um encontro romântico, como a maioria das garotas estava tendo naqueles dias de feriado, mas também nunca se importara muito com isso. Mas desconfiava que a mãe lhe dizia todas essas coisas para confortá-la. Caroline não sentia vontade de lhe contar que nunca precisara de nenhum garoto para se divertir; sabia fazer isso da melhor maneira possível e sozinha. Mas também, sabendo que Eithne teria alguém lhe acompanhando, não gostaria de permanecer nas festividades se estivesse sozinha. Ter alguém para conversar, tomar cerveja amanteigada ou dar risada era interessante, era algo que Carol gostava. E seu pequeno problema em não conseguir ficar quieta em apenas um lugar não permitiria que permanecesse na Sala Comunal da Gryffindor enquanto todos estivessem se divertindo.
Enquanto fazia seu caminho pelos corredores iluminados apenas pela luz do sol que adentrava pelas janelas, não conseguiu deixar de analisar as melhores opções para lhe fazerem companhia. Porém, percebeu imediatamente que não havia muitas opções. Sebastian não conseguira sair de seu trabalho para encontrar-se com a irmã em Hogsmeade e suas amigas também estavam ocupadas, todas já prontamente com seus companheiros, namorados, amigos, colegas. Não queria se intrometer em nenhum desses casos e acabar por incomodando assim. Sabia muito bem que, naturalmente, tirava algumas pessoas do sério por não conseguir de maneira alguma medir os seus atos e ser muito explosiva, rancorosa e inconsequente. Dar uma folga ás suas amigas também faria com que ela mesma tirasse uma folga, para colocar seus pensamentos no lugar, ignorar um pouco o fato de que já deveria ter começado a estudar para os N.I.E.M’s, esquecer-se das cobranças dos professores ou da sua desmotivação para as matérias por conta de seu problema de hiperatividade.
Absolutamente afundada em seus pensamentos — algo que acontecia quase sempre, umas cinco ou mais vezes por dia —, esquecendo-se mais uma vez de observar o caminho á sua frente, acabou por esbarrar com força em algo — talvez uma parede que tenha mudado de lugar, Carol pensou, será que as paredes podiam fazer o mesmo que as escadas? — ou alguém. Ela levou imediatamente as mãos á frente do corpo como proteção, seus dedos agarrando os braços de alguém que ela ainda não conseguia reconhecer. Demorou a retomar sua atenção, como se, mesmo com o choque, sua mente ainda estivesse nebulosa. — Hey, ops. — Murmurou, os olhos claros arregalados em surpresa, enquanto os levantava para fitar o rapaz a quem ela ainda segurava. Ele parecia igualmente surpreso e a expressão do garoto a divertiu. Uma risada alta escapou por entre seus lábios, sua cabeça inclinando-se para trás enquanto Carol se afastava, soltando-o lentamente. Ela geralmente achava muitas coisas engraçadas e nem ao menos temia que o garoto a achasse estranha ou absurdamente maluca. — Eu... Eu sinto muito. — Disse entre espasmos de risada, respirando profundamente para parar seu ataque. Também não era a sua intenção assustar uma pessoa com quem acabara de esbarrar no corredor.
Dando de ombros, Carol fitou os olhos do garoto ainda com um sorriso em seus lábios e os cabelos meio desarrumados, como naturalmente estavam. — Eu deveria começar a olhar por onde ando. Realmente, eu sinto muito.
Um lampejo de reconhecimento e as sobrancelhas de Caroline se ergueram, uma expressão divertida em seu rosto. Por causa de sua hiperatividade, era complicado memorizar as pessoas, ou, melhor dizendo, era complicado lembrar-se delas de imediato, mas acabava dando tudo certo no final. Quando reconheceu o rapaz, sentiu-se satisfeita consigo mesma, como se tivesse conquistado alguma espécie de prêmio. — Você é o Tilden, não é? Nós temos Trato das Criaturas Mágicas juntos, eu acho. Se não for isso, talvez seja outra matéria, mas eu realmente não me lembro. — Não parecia importar, de qualquer forma. Animava-se de lembrar do garoto e estendeu-se nas pontas dos pés para poder fita-lo melhor e então esticar sua mão á frente para cumprimenta-lo. Parecia que, enfim, algo havia estalado dentro de sua cabeça, como uma lâmpada ligando. Algo como naqueles desenhos animados trouxas quando o personagem tinha uma ideia maluca e erguia o dedo indicador no ar para demonstrar aquilo. Por pouco Carol não imitou aquela cena e mordeu o lábio inferior para não rir de si mesma. — Ei, Toots, quer me acompanhar no Festival dos Fundadores? — Com Caroline, por sorte ou por azar, não havia timidez. E nem preocupações. Fazer uma pergunta daquelas a um rapaz que nunca sequer conversara não parecia ser intrigante, estranho ou confuso como pareceria para qualquer outra pessoa.










