Inho olhava para a caneca girando dentro do microondas enquanto sua mente voava para bem longe. Desde a tarde não conseguia pensar em mais nada senão na conversa que tivera com Haein, ou melhor, na forma como ela estava tratando-o desde que ele disse o tal número. Realmente, não poderia calcular os efeitos daquilo, mas não sabia que se sentiria tão afetado por eles. Se ao menos tivesse algum tipo de máquina no tempo onde pudesse evitar toda aquela cena, teria tido somente uma tarde tranquila e bem aproveitada ao lado de Oh. Mas agora já era, o estrago já estava feito e a única coisa que poderia fazer era tentar resolver aquilo e evitar ressentimentos.
A única coisa que ainda não descia era porque, de repente, ela ficara tão brava depois de saber. Podia sentir na forma como ela respondia as mensagens que seu humor não era dos melhores e que estava prestes a bloqueá-lo ou algo do tipo. Oras, o mais velho apenas respondeu algo que ela mesma perguntou! Ou será que ela estava sentida justamente com a resistência que ele apresentara antes disso? O bipe do aparelho à sua frente rompeu com sua linha de raciocínio e fez com que ele se levantasse para tirar a caneca de lá. Pegou uma garrafa térmica, um coador e começou a despejar devagar o líquido dentro do recipiente para não fazer uma sujeira em sua pia minúscula. Ao fim, jogou a erva acumulada no coador dentro do lixo e tampou a garrafa. Fazer o chá na hora tomaria tempo e Inho sabia que aquela não seria uma noite exclusivamente de filmes.
Porque no fundo, no fundo, havia marcado aquilo por dois motivos. 1. queria compensar o encontro arruinado com outro, já que sentia muito a falta da morena e dessa vez, queria tratá-la da maneira correta. 2. odiava resolver problemas por mensagem e sim, senhor, tinha um problema ali. Dos grandes. Ele também sentia-se um idiota. Por que tinha que se envolver com tantas garotas ao invés de sossegar e ir procurar algum outro meio de se divertir? E por que isso fazia tanta diferença? Argh! Inho passava as mãos por seus cabelos sem parar e depois esfregava as palmas contra seu rosto. Estava ficando louco com aquilo e estava orando pra todos os deuses existentes que Haein chegasse logo antes que aquela bolha de ansiedade crescesse mais e o sufocasse.
Jogou-se em seu sofá e ficou olhando para o notebook em cima da estante, conectado por um cabo à TV. Estava aberto na Netflix com vários títulos disponíveis, mas nenhum parecia ideal aos olhos de Inho. Estava desanimado demais pra procurar naquela lista imensa, apesar de ter ficado responsável por escolher. Foi então que... Será que o número alto a deixara insegura? Sentou-se, como se a posição fosse ajudá-lo a estudar melhor aquela possibilidade. Mas Haein era tão radiante e estável... Toc toc. Em menos de um minuto, Inho estava parado em frente à porta, arrumando suas roupas e cabelo da melhor forma que podia, mas que no final não deixou sua aparência menos relaxada. Agora, ao invés de suposições, poderia tirar da fonte o que estava de errado. “Ei...” A cumprimentou, um curto sorriso aparecendo em seus lábios ao encontrar a amada na soleira de sua porta. Fez um gesto que dizia uma “entre” silencioso, esperando que ela estivesse dentro do apartamento para então fechar a porta. “Não consegui escolher um filme porque sou terrível pra essas coisas.” Coçou a nuca meio sem jeito, sentia-se desconfortável com o peso que a atmosfera ganhara. “Pelo menos o chá está pronto.” Comentou ao se escorar na mesinha que ficava no meio de sua “cozinha”. Em poucas palavras, Baek sentia-se inquieto e estava visível que Haein também sentia o mesmo.