Hey, Innie.
Pra falar a verdade, eu não sei nem o motivo pelo qual eu estou escrevendo essa carta. E muito menos se vou entregá-la, até porque... Bem, não nos vemos mais e perdemos todo e qualquer contato. Talvez eu só precise colocar pra fora algumas coisas que não tenho coragem de dizer pessoalmente porque sou um orgulhoso do caralho e você sabe bem disso. Essa carta provavelmente vai ficar bem confusa, já que estou registrando a primeira coisa que me vem à cabeça.
Em primeiro lugar, eu tenho uma lista de coisas pelas quais eu devo me desculpar e nem sei por onde começar. Cometi muitos erros e alguns foram maiores do que outros. São justamente esses que vou frisar:
1. Não ter te ensinado a mentir. Tá, isso não é exatamente algo positivo e de mentiras já bastam as minhas. Mas se eu tivesse pelo menos te ensinado como escapar, talvez você não precisasse ter enfrentado tanto problemas com seus pais.
2. Não ter assumido minha culpa. As vezes que eu fiz isso foram tantas que me sinto até estranho em pensar que joguei nos ombros de outras pessoas um peso que era igualmente meu. Hoje me pergunto o que teria acontecido se eu tivesse contado aos seus e aos meus pais que a má influência era eu. A pessoa que te transformou fui eu. Eu sou o culpado. Ainda sou. E você não faz ideia do quão ridículo eu me sinto por estar fazendo essa confissão a um pedaço de papel e não pra quem deveria estar ouvindo de verdade.
3. Não ter te avisado que não se deve misturar mais de uma bebida alcoólica. Sério. Esse deveria ter sido meu primeiro aviso quando você pisou os pés naquela boate. Até porque você não é exatamente muito tolerante e o dia em que você passou mal, eu fiquei preocupado pra caralho. Não sei se você notou, mas no dia seguinte eu coloquei um remédio pra dor de cabeça dentro da sua bolsa porque sabia que sua ressaca seria forte. A primeira noite de bebedeira é sempre foda, né?
4. Não ter te impedido quando pude. No item de cima eu coloquei algo sobre a primeira vez que você pisou os pés na boate. Eu não deveria ter permitido nem isso. Não acredito que você precise de um segurança no seu pé, é só que... Verdade seja dita: Oh Haein, você é incrível. E eu não deveria ter deixado você se corromper. Avisos foram dados, ah se foram, mas eu deveria saber palavras não são o suficiente para parar uma cabeça dura como você.
Agora eu percebo que quase todas as vezes que eu falhei, foi por falta de algo. Nunca estive lá quando você precisou, né? O que sinto agora não é exatamente um arrependimento, é mais como um alívio por ter assumido pra mim mesmo que eu sou um babaca que nunca deveria ter aparecido na sua frente. Só que tem uma coisa que me faz sentir culpado e dessa culpa eu acho que não vou conseguir me livrar tão cedo:
5. Ter te deixado pra trás. Essa foi uma das poucas coisas que eu pequei não pela falta, mas pelo exagero. Eu precisaria me mudar, é claro, a universidade exigia isso. Naquela época essa atitude radical de ir embora sem deixar nenhum forma de manter contato com você me parecia muito sensata. Tudo o que eu queria era que você me esquecesse, porque eu já tinha bagunçado sua vida demais.
E preciso confessar outra coisa. Isso vai ser um puta de um egoísmo da minha parte, mas a verdade é que eu não gostaria que você me esquecesse. Eu não te esqueci. Achei que a distância me faria superar você, só que eu estava enganado. Ela só me fez parar em lugares aleatórios, completamente sozinho, e imaginar como seria se você estivesse ali, como estava agora, se já tinha encontrado outro cara. O último pensamento me deixava irritado. Desde a época em que éramos companheiros, nunca gostei de nenhum outro engraçadinho querendo se meter com você.
Só agora é que consigo entender o motivo. Entender não, admitir. Eu sabia, estava bem evidente, eu só não conseguia admitir pra mim mesmo algo que também nunca te disse. Eu te amo, Oh Haein. Amei durante todo aquele ano e ainda amo. Até porque só o fato de eu estar escrevendo essa carta sem razão alguma, só prova o quanto estou frustrado por ter fodido com o único relacionamento que poderia ter dado certo na minha vida. Decepcionei a única garota por quem eu senti meu coração bater forte, que me fez sentir um ciúme que nunca senti antes e que eu protegeria independente de qualquer coisa.
Mas agora é tarde e isso está bem claro pra mim. Nem eu sabia que a minha ficha só iria cair agora e muito menos que isso me machucaria tanto assim. Meu Deus, que patético. Não tinha noção nem dos meus próprios sentimentos.
Antes de finalizar essa carta, tem algumas coisas pelas quais eu gostaria de te agradecer também.
1. Palavrões e ofensas. Bom, você deve ter percebido que a quantidade de palavras de baixão calão diminuiu consideravelmente, né? Estou melhorando meu vocabulário e me controlando, só acabo soltando um e outro quando algo muito inesperado acontece ou quando fico nervoso. Toda vez que faço isso, me lembro de você querendo passar uma fita adesiva na minha boca. Espero uma dia aboli-los de vez.
2. Bebidas e noitadas. Também me lembro dos puxões de orelha que você me dava quando exagerava. Hoje não faço mais isso, tanto por me lembrar de você, quanto por não ter mais tempo pra ficar de bobeira por aí. Ainda bebo, isso eu não nego, mas bem menos e com menos frequência do que antes.
3. Comportamento? De todas as coisas, acho que a mais efetiva foi essa. Sabia que eu não sou mais um chato do caralho? Pois é. Aprendi a não responder os outros de forma rude, controlar os meus impulsos e consigo até aconselhar alguns amigos. Sempre disse que ouvia melhor do que falava e a parte boa é que estou aprendendo a colocar em palavras as coisas que sinto ou penso. Uma das provas disso é essa carta.
Oh Haein, só posso dizer que você me deixou boas marcas e ótimas memórias pra mim. Não sei se um dia nos veremos novamente, mas se algum dia chegar a ler isso, gostaria que soubesse que sempre me lembrarei de você com alegria e com um sorriso que muitas vezes me neguei a exibir. Espero que também tenha deixado ao menos algo de bom, mesmo achando que isso seja um pouco difícil.
Com amor, de alguém que sente muito a sua falta,
Baek Inho.
11/10/2016
















