Hunt Me || Ander and Troy
Ele estava preso. Na verdade, bem preso. Ander olhou para os lados com certo tédio, os braços para fora da rede de caça na qual estava dependurado a cerca de duas horas. Ele bufou, se ajeitando e fazendo os galhos da árvore na qual estava suspenso rangerem. O homem levantou uma das sobrancelhas, quase como se desafiando o galho a cair com ele ali e sujar suas roupas. Quando acabou de se mover, deitando-se de uma forma mais confortável, ele finalmente parou para pensar como havia parado ali.
Estava andando pela orla da floresta como sempre fazia, nunca indo muito a fundo, quando um barulho chamou sua atenção. Mesmo odiando ter de dar mais alguns passos para dentro, onde o escuro te engolia por inteiro mesmo nos dias de sol, Ander seguiu as lamúrias até um coelho preso em uma pequena armadilha. O homem se aproximou, retirando o animal felpudo dali com certa dificuldade e se preparando para dar meia volta e retornar até a civilização. Não que tenha dado certo. No instante em que deu um único passo para a esquerda, o barulho característico de algo se rompendo entrou em seu campo auditivo, e antes que ele sequer entendesse de onde viera aquele barulho, já estava cercado por redes, suspenso a três metros do chão.
O homem suspirou. Podia muito bem ter saído dali, rasgado a corda em alguns minutos e caminhado de volta como se nada tivesse acontecido. Mas como não tinha mais nada para fazer, o demônio ali ficou. Era confortável, até, visto que não usava nenhuma de suas roupas extravagantes. A coisa mais chamativa naquele momento eram os anéis coloridos em seis de seus dedos. De resto, Ander usava apenas preto. Jeans preto, cardigã preto e coturnos de couro reluzente. Nada de maquiagem, apenas os piercings em ambas as orelhas e o topete feito com bastante laquê. Quando as duas horas acabaram e o homem começava a ficar realmente entediado, pensando em rasgar aquilo com os dentes, o barulho de passos chamou sua atenção, o fazendo olhar para baixo, onde uma figura o olhava com muito interesse.
- Ah, o menino bonito - disse, a face marcada pelo quadriculado da rede - Estava esperando que encontraria algo mais interessante.
Ander deu de ombros, e como parecia que aquele era realmente seu salvador, fez com que suas unhas crescessem e em um movimento ágil rasgou um pedaço da rede, fazendo-no cair no chão distante. O demônio se dependurou no pedaço que restara, as pernas balançando no ar e as mãos se segurando com firmeza na altura de seus ombros.
- Devia fazer isso com seus clientes. Eles adorariam ser caçados dessa forma.