Once upon a time two children destined to be friends forever. —— Jacob Kravitz & Septima Vector [Flashback 1972]
Fora uma enorme luta para fazer sua mãe concordar em leva-los até a estação de King’s Cross. As desculpas eram as mais variadas possíveis: “Eu estou cansada.”, “Não estou me sentindo muito bem.”, “ Alguém precisa ficar para continuar o trabalho, há animais para serem tratados.”, ou “O que as pessoas vão pensar se verem todos nós saindo ao mesmo tempo de casa?”. Jake tinha certeza de que ouvira cada uma daquelas frases ao menos três vezes. Mas, por fim, quando Amber bateu o pé e sua voz, geralmente calma, se elevou alguns tons — mesmo que ela tenha se desculpado depois —, Martha aceitou acompanha-los. Os garotos não conheciam muito bem o centro de Londres e o achavam caótico, apesar de já terem participado de muitas feiras para vender o que cultivavam no campo. Por sorte Martha sabia exatamente para onde estava indo. Jake não gostava da pacata vida que levavam no interior, mas também não fazia ideia se algum dia poderia chegar a se acostumar com a vida agitada das pessoas que moravam na “cidade”.
Amber havia passado dias preocupada em como eles iriam carregar seus malões e a coruja-gavião que sua mãe os comprara para poder entrar em contato com os filhos por toda a extensão da estação King’s Cross sem que ninguém os achasse completamente estranhos. Sua irmã gêmea era uma dessas pessoas que se estressavam por muitas coisas, principalmente coisas que nem chegavam a ocupar um espaço na mente de Jacob. Por isso, quando alcançaram a estação e não houve sequer uma pessoa que tivesse virado a cabeça para fita-los enquanto passavam, Jake fez questão de voltar-se para Amber e sussurrar algo como “sempre faço questão de dizer que eu estava com a razão”. A passagem mágica que os levaria de encontro até o trem, porém, era a parte mais assustadora daquilo tudo. Amber provavelmente teria entrado em colapso se Jake não tivesse posto a mão em seu ombro e ido em direção a parede de pedra junto com ela. O tumulto era menor naquela área, mas mais concentrado. A fumaça que saia de uma imensa locomotiva vermelha intitulada de “Expresso de Hogwarts” tomava conta da plataforma de uma maneira sombria. O barulho dos animais e das conversas ao redor era ensurdecedor, mas Jacob sabia que nunca havia visto algo tão legal como aquilo em toda a sua vida.
Ele já estava indo na direção do trem, afobado, quando sua irmã agarrou a manga de sua camisa e o puxou de volta, avisando que deveriam se despedir de sua mãe e irmão antes de partirem. Com todo o seu entusiasmo, parecia que qualquer outra coisa era mera bobagem na cabeça de Jacob. Então ele voltou, depositou um beijo na bochecha de sua mãe — que estava tão contrariada com tudo aquilo que mal praticou o seu discurso sobre como os garotos precisavam se cuidar e lhe enviar cartas sempre que tivessem algum tempo sobrando — e bagunçou o cabelo de Timothy, sorrindo e lhe dizendo para ajudar nas tarefas de casa, não deixar ninguém incomodar a sua mãe e esperar apenas um pouco, porque logo ele estaria indo junto para Hogwarts. Como Tim ainda parecia prestes a chorar, Jacob prometeu que traria ótimas histórias para lhe contar quando voltasse. O garoto adorava histórias e falar sobre isso sempre resolvia qualquer problema.
Depois que terminaram as despedidas, Jake esforçou-se para colocar o seu malão no compartimento de bagagens e ajudou Amber com a sua, antes dos gêmeos embarcarem no trem e debruçarem-se nas janelas para acenarem para Martha e Timothy — o garoto menor tentava esconder o choro, mas dava para perceber que seu rosto brilhava pelas lágrimas. Quando o apito da locomotiva soou em seus ouvidos, o tumulto que se seguiu foi tão grande que Jacob acabou sendo arrastado pelo restante dos alunos ao longo do corredor. Não havia muito quê fazer, então se deixou ser guiado, empurrado e até mesmo acotovelado algumas vezes. Só percebeu mais tarde, quando todos começaram a se dispersar, que Amber não estava lhe acompanhando. Ele passou, então, de cabine em cabine á procura da irmã, voltando pelo caminho de onde viera, mas não a encontrou de forma alguma. “Talvez tenha conhecido alguma pessoa e encontrado uma cabine menos cheia para ficar.” Amber sabia se cuidar extremamente bem sozinha e ele tinha certeza de que a garota não iria querer que Jake passasse a viagem inteira vasculhando aquele trem enorme atrás dela.
Portanto, Jacob foi em busca de algum lugar para esperar o restante da viagem. Estava um pouco nervoso por não saber o que o estava esperando no final, mas tinha certeza de que ficar caminhando pelo corredor não iria lhe ajudar em nada. Passou por mais duas cabines completamente lotadas, onde os ocupantes nem olharam para cima para ver quem estava passando. Na terceira, porém, havia apenas uma garota como ocupante, então Jake respirou fundo, entendendo que não conseguiria nenhum lugar melhor do que aquele. Ele apenas não sabia como falar para ela, contudo, não havia outra maneira. Jacob colocou a cabeça para dentro da cabine e, abrindo o seu sorriso mais simpático para não deixar claro o seu nervosismo, perguntou: — Olá! Eu posso me sentar aqui com você? Digo... O resto do trem está cheio e, bem, aqui foi o único lugar que eu encontrei. Se tiver algum problema...












