Durante muito tempo Septima havia fugido da possibilidade de se envolver em um relacionamento sério, ela se considerava como uma garota independente ao ponto de não precisar de homem nenhum ao seu lado e, o mais importante de tudo, estava feliz e satisfeita consigo mesma. A Vector retribuía toda essa logística de pensar devido o exemplo que tinha em casa, o relacionamento — isso é que poderia receber tal nome, uma vez que possuíam uma relação de bons amigos e que em raras ocasiões acabavam extrapolando um pouco o nível da amizade — de seus pais estava longe de ser um exemplo para ser seguido. Para começo de conversa tudo começou com um caso sem importância, e depois veio à gravidez que, ao invés de consolidar a relação praticamente não mudou em nada, apesar de Magnus Vector ter se divorciado de sua mulher para ficar junto de Rose Wayne e assumir a criança que ela carregava em seu ventre o rumo das coisas seguiu um caminho completamente diferente do que se era esperado. Por algum motivo Rose recusou as inúmeras propostas de casamento que recebeu por parte de Magnus, que depois de inúmeras tentativas acabou se dando por derrotado e resolveu assumir o papel de amigo próximo da mulher, além é claro o papel de pai. Até mesmo para Septima, que podia ser considerada como uma criança muito madura para sua idade, o esquema estabelecido por Magnus e Rose era um tanto um quanto confuso. Durante oito anos de sua vida ela viveu na casa de sua mãe e sempre teve o seu pai muito presente em sua vida, durante as noites ele sempre estava disponível na casa em que elas moravam em Liverpool para ler uma história para a filha, e sempre procurava ao máximo a levar para passear ou estar presentes em eventos da escola da mesma. Contudo, ele não morava junto delas e a ausência dele na sua casa era algo que Septima não conseguia entender direito, e muito menos explicar para seus amigos que possuíam ambos os pais morando juntos em casa e que estanhavam o esquema estabelecido entre Rose e Mangus. E a situação apenas piorou quando os poderes da morena se manifestaram quando ela tinha apenas 8 anos de idade, foi nessa época em que ela se mudou para a casa de seu pai e avô com o objetivo de se aproximar mais do mundo bruxo, e para não cortar total ligação com sua mãe Septima podia passar os finais de semana junto dela e durante as férias esse tempo aumentava para duas semanas, e os feriados importante todos se esforçavam para passarem juntos. O esquema em que Septima tinha sido envolvida era uma completa loucura, e se não fosse por sua mente madura e bem estruturada talvez ela tivesse tido algum problema.
Ela tinha sido inserida naquele bagunçando modelo de vida devido uma relação que não tinha dado certo, e para a Vector aquele era o motivo suficiente para não querer embarcar em um relacionamento sério, apesar de saber muito bem que nem todas as relações eram iguais, ou estavam fadadas a serem como a de seus pais. Por mais que amasse e respeitasse os seus pais, Septima odiava com todas as forças o método que eles haviam estabelecido para criá-la, e em seu subconsciente existia o medo de se tornar como eles, de seguir os mesmos passos de sua mãe e acabar se tornando como ela — a ravina admirava sua mãe de vários modos: a forma que ela era uma mulher independente, o fato de ser uma excelente jornalista e ter tamanho sucesso em seu trabalho, mas quando se tratava de relacionamentos amorosos Rose Wayne estava longe de ser um bom exemplo para qualquer pessoa.
Contudo, foi preciso apenas de uma pessoa em especial para mudar o modo de pensamento de Septima se tratando de relacionamentos sérios. Essa pessoa foi Jacob “Jake” Kravitz, o melhor amigo da garota. Não eram todas as pessoas do mundo que tinham a sorte da ravina, a sorte de se apaixonar pelo seu melhor amigo e de o sentimento ser algo recíproco. Ela não sabia dizer exatamente quando ou onde havia se apaixonado pelo garoto, não tinha sido algo planejado e quando a jovem se deu conta de seus verdadeiros sentimentos pelo garoto foi um tanto quanto assustador. Mesmo tendo se envolvido com outros garotos anteriormente nunca tinha passado de algo apenas físico, e de todas as formas ela procurava fugir de um envolvimento também emocional. Septima Vector sabia lidar muito bem com números e palavras, mas se tratando de seus sentimentos e emoções a garota era uma completa negação para conseguir desvendar o que sentia. Fora preciso de muito tempo para a garota perceber que o que ela sentia por Jake era mais forte do que uma simples amizade, e quando se deu conta da intensidade dos seus sentimentos pelo garoto teve a sensação de sentir borboletas em seu estômago devido seu nervosismo. Ela não sabia ao certo o que fazer, ou o que pensar. Era a primeira vez que passava por uma situação como aquela, e ter de lidar com algo completamente desconhecido era um pouco assustador pelo simples fato de não saber o que esperar. Durante algum tempo sua cabeça ficou lotada de possibilidades do que poderia acontecer “E se ele não gostar de mim?”; “E se isso estragar a nossa amizade?”… Os tremores que tinham podiam ser considerados idiotas atualmente, mas no passado eram coisas que tiravam o sono da garota de tanto ficar pensando naquele assunto em especifico. Mas, no final, tudo acabou dando certo para os dois, pelo menos por ora. Septima e Jake se completavam tanto que qualquer um podia ver de longe que eles combinavam; que gostavam um do outro, porém ambos haviam demorado certo tempo para perceber algo que já estava tão obvio.
O início do namoro dos dois se deu em uma noite logo após os ataques recentes que ocorreram no Festival de Hogsmeade, em meio uma conversa noturna e que balançou com os sentimentos de Septima a garota tomou a iniciativa para beijar o amigo, que por sinal retribuiu o beijo com bastante empolgação. Não foi um pedido de namoro planejado, foi algo que aconteceu naturalmente e no momento correto, assim como o início da amizade deles. E depois de algumas semanas já juntos finalmente eles iriam ter o primeiro encontro oficial como um casal. Namorado. Aquela palavra ainda soava de forma estranha para Vector, mas que ao poucos já estava se acostumando. Pouca coisa havia mudado desde o começo do namoro deles, as coisas pareciam praticamente às mesas de antes no termo da amizade, a única diferença era que agora eles podiam se beijar sem sentir culpa ou medo de estragar o que tinham, porém a garota não conseguia evitar de se sentir levemente nervosa. Mas quando avistou a silhueta do garoto aparecendo na entrada do Salão Comunal da Ravenclaw um enorme sorriso abriu no rosto da jovem, e somente a precisa de Jake foi o suficiente para lhe acalmar os nervos que estavam à flor da pele. — Acho que você poderia tentar compensar esse seu atraso com alguns beijos, talvez com uma massagem, ou quem sabe as duas coisas juntas — disse, em um tom sugestivo ao se aproximar do garoto para lhe dar um beijo de leve nos lábios. — Melhor irmos logo, antes que Bertram apareça para começar com o discurso que ele não quer saber de um mini Jacob ou mini Septima tão cedo… — era um verdadeiro fato que o melhor amigo dos dois sentia-se levemente desconfortável quando o assunto era o namoro de Septima e Jake, ainda mais quando eles demostravam algum tipo de afeto em público. — You don’t know how much I waited for this moment, mal posso esperar para ficar um tempo sozinha com você — completou, sussurrando no ouvido de Jacob e em seguida pegou a mão do mesmo para que eles pudessem ir para uma das estufas, o local que Jake garantiu que seria muito bom para um encontro e que não teria ninguém para atrapalhá-los.
Jacob e Septima se completavam. Isso qualquer um poderia ver, a qualquer distância, mesmo que não fossem conhecidos dos dois. Desde o primeiro dia do primeiro ano deles em Hogwarts, era como se as Parcas (Jacob havia lido sobre ela em velhos livros de mitologia grega que encontrara escondidos pela biblioteca de Hogwarts) tivessem traçado suas linhas do destino juntas, como se eles não pudessem se separar sem que aquela fina linha se rompesse. Eles estavam tão internamente ligados, que incomodava ficarem distantes. Compartilhavam muitos desejos e muitos gostos, tinham ambições parecidas e se divertiam com praticamente as mesmas coisas. Os gostos delas estavam tão fixados na memória de Jacob quanto os seus próprios, como se Septima e sua personalidade o completassem. Ele não sabia muito bem como explicar aqueles sentimentos para alguém de fora, mas o bom era que ela o entendia bem, mesmo que não conseguisse colocar aquilo em palavras. Os dois pareciam estar em uma sintonia diferente do resto do mundo, como se não precisassem conversar para se entender, e aquilo era um fato.
Por aquele motivo, quando Jake e Septima anunciaram para seus amigos que haviam se resolvido e firmado um namoro, não fora realmente para uma surpresa para ninguém — exceto para sua irmã mais nova, Amber, que simplesmente detestara a ideia e continuava deixando aquela sua opinião bem clara sempre que surgia uma oportunidade. Bertram chegara a dizer, certa vez, que era só uma questão de tempo, que os únicos que não haviam reparado ainda que Jacob e Septima se amavam, eram justamente Jacob e Septima. Mas tudo havia acontecido da forma mais repentina possível, sem que nenhum dos dois ou qualquer outra pessoa pudesse prever, no meio do caos que Hogwarts havia se tornado após os ataques a Hogsmeade e ao Acampamento, enquanto conversavam em sofás na Sala Comunal como já haviam feitos outras tantas centenas de vezes antes, eles se beijaram e tudo pareceu vir a tona, como se aquele simples tocar de lábios tivesse o efeito de lhes mostrar verdades, verdades que sempre estiveram estampadas diante de seus olhos, mas que nenhum dos dois havia tido a coragem de realmente perceber, com medo de perder a amizade incrível que haviam nutrido ao longo de todos aqueles anos.
Agora, então, que eram oficialmente namorados, o mundo de Jacob parecia finalmente completo. Os dedos de Septima entrelaçados nos seus enquanto andavam por Hogwarts eram como uma peça encaixando-se em sua vida, lhe ajudavam a respirar, lhe ajudavam a seguir em frente. Ele seria capaz de dizer que estava enxergando o mundo diferente, mais brilhante, agora que não precisava mais reprimir seus sentimentos como viera fazendo há tanto tempo.
“Ow, seu pedido é uma ordem, senhorita.” Seu tom de voz fora brincalhão, um sorriso enorme estampando-se em seu rosto sem que Jacob sequer precisasse fazer esforço para aquilo acontecer. Os sorrisos, quando estava com Septima, eram totalmente involuntários. Roçou seus lábios contra os dela, lhe dando um leve beijo de cumprimento, seus narizes se tocando enquanto mantinham seus corpos o mais próximo possível. A sensação era reconfortante, como respirar ar puro depois de passar muito tempo fechado em um mesmo ambiente empoeirado. “Ele já fez esse discurso ontem a noite, depois que nos viu juntos na Sala Comunal mais cedo. Eu disse a ele que não será tio tão cedo, que nós estamos nos cuidando direitinho.” Novamente, ele brincou, dando uma risada no final. Era engraçado ver como os assuntos entre eles haviam evoluído, se modificado. Agora poderiam falar livremente sobre temas que antes os deixavam igualmente constrangidos. “Bem, já que não precisamos esperar, tem razão, devemos ir logo aproveitar esses momentos livres que temos sem nada para nos impedir.” Emendou, entrelaçando seus dedos aos de sua namorada e a acompanhando para fora da Sala Comunal.