quantas mortes o sujeito precisa sofrer mesmo depois de morto pra finalmente ser chancelado pela poderosa indústria cultural ? cadê a ocupação Itaú Rumos Cultural do Taiguara ? Cadê o Pedro Bial entrevistando algum parente do finado, algum melhor amigo da indústria que se saiu melhor e ainda vive ? Regurgitando ares de revoluções passadas. O Brasil, esse abismo, coaduna em seu convívio o desgaste do rancor, do ardor, e do ressentimento tupiniquim, por isso A Vida custa a chegar ou a oferecer um arrego, um arremedo de solzinho e praia e convívio diário com as cores, com as dores, com a turma do ... sei lá, a turma do ABANDONO.
Kleber Mendonça já usou Taiguara como trilha num trecho de Aquarius. Certamente algo já está em andamento. Nas calles de ésse-pê, nos confins zona sul do Rio, algum apartamento, certamente, nossa cultura FLORESCE em apartamentos, varandas, almoços, jantares, pequenos comes e bebes de gente sofisticada com dinheiro e consciência de classe, uma coceirinha existencial, a rash, uma ferida que vez em quando aperta, dá uma doída, dá um calor localizado que faz o sujeito pensar, segurar a onda, talvez, evitar mais uma chancela aleatória pra loucos de vaidade e narcisos obcecados pelo som da própria voz, a gotejar, pois é, vozes gotejam, fazem as vezes de fezes no meu texto sem pudor.
Belchior já virou febre nas rodinhas de tatuagem. Taiguara não. Esse é O Ponto. cadê O Tributo SESC-patrocinado organizado pelo Rômulo Fróes? Cadê o texto acadêmico-enfezado do Skylab defendendo as glórias cometidas em disco pelo falecido compositor. Poeta, compositor, ator de si, da própria História brasileira trágica. Sérgio Sampaio botaria seu bloco nas ruas de hoje VILA MADALENA em polvorosa alegria carnavalizante generalizada com direito a cheiro de mijo na rua ? Eu não tenho respostas, eu tenho provocações, delírios, reclamações, nada que me consuma por completo a tal ponto de sair brandindo uma espada de reabilitação para meus mortos favoritos.
Só acho que tem sempre alguma coisa que PRECISA acontecer. Apesar dos meandros todos, já que na minha idade não cabe mais fingir que as coisas acontecem por acaso. Evidentemente que não. Existem coordenações, existem fios sendo puxados, existem conspirações feitas à luz do dia. Tudo ok dentro da normalidade dos concursos públicos e editais, se é que ainda resta alguma coisa nesse sentido. Eu aguardo e espero que sim.
















