Estávamos em Sukhothai e decidimos fazer uma massagem.
Eu tinha imensa curiosidade em fazer a típica massagem tailandesa e por isso, do vasto cardápio, foi essa a que escolhi. Já o Rui optou por uma massagem de óleos essenciais.
Deixem-me dizer-vos que ler sobre o assunto não me preparou minimamente para o que estava prestes a acontecer.
A massagem durava uma hora e ao fim de 5 minutos, eu já estava a pensar como é que ia sobreviver aos restantes 55 - com ênfase na palavra "sobreviver". Comecei a rir, para aliviar o stress de quem na verdade quer é chorar. A massagista ria também, mas isso não a fez abrandar.
Enquanto isso, o Rui relaxava ao meu lado.
Foram tantos amassos, com tanta força, que a sensação com que fiquei foi que cada vez que a massagista me tocava (e ela nunca deixou de o fazer) se formava uma nódoa negra com que teria de lidar no dia seguinte.
Além disso, estalou-se-me cada vértebra e articulação do esqueleto, desde o pescoço até ao dedo mindinho do pé. Senti-me mero bubble wrap espremido, inútil, que nem a mais básica das encomendas seria capaz de acomodar.
Depois de tudo isto ainda faltavam os alongamentos e torções.
No lugar do meu braço direito tive a minha perna esquerda. No da cabeça, a ponta dos pés. Tenho a certeza que havia partes do meu corpo que nunca se tinham cruzado até aquele dia...
Ainda assim, no final de contas, faltava dar o braço a torcer. Por incrível que pareça, quando a massagem terminou eu estava com uma energia e sensação de alívio indescritíveis. Sentia-me como se tivesse acabado de acordar de uma noite excecionalmente bem dormida. No dia seguinte não tinha uma única nódoa negra e estava pronta para enfrentar mais umas horas dentro de outro autocarro a caminho da Rosa do Norte: Chiang Mai.
Agora que tudo tinha passado sentia-me incrivelmente bem!
Virei-me para a versão relaxada do Rui e disse-lhe que tinha de voltar a fazer uma massagem destas:
“Tenho de saber se a massagem é mesmo assim, ou se foi apenas a massagista a descarregar as frustrações do seu dia em mim".