Se os dois não tivessem resolvido os problemas dias atrás, aquela situação seria, no mínimo, estranha. Cassius tirou da mochila a capa de invisibilidade, com cuidado e delicadeza. Estava irritado de ter que emprestar para os amigos uma delas e ainda ter que dividir aquela, mas pelo menos era com @thatadrianp. Ainda sentia um leve desconforto no estômago por causa do uso exacerbado dos bagos que usou para renovar suas forças, os efeitos colaterais não tinham ido embora até agora. Estava mais pálido que o comum, mas por sorte a tosse relamente lhe deixou. Além do mais, ficava contente de cumprir essa parte junto com Adria. "Mesmo debaixo disso, as pessoas ainda podem nos ouvir, então nada de tagarelar alto ou pior... tropeçar. Te coloco pra fora num piscar de olhos a for nos denunciar." mentiu em brincadeira para aliviar suas palavras.
Em alguns momentos, as tempestades não chegam com sua força total. Às vezes, elas vão aumentando devagarinho ao longo das horas, dos dias, talvez até semanas. Uma tempestade pode, repentinamente, sem que se espere, se chocar com um furacão tropical. Quando isso acontece, a tempestade explode. A soma de ambas as energias, de ambos os fenômenos meteorológicos é deveras maior do que os dois poderiam ser separados. Os meteorologistas chamam isso de condições perfeitas para uma tempestade mortal. E ao chegar de tais tempestades, elas não devem ser subestimadas. A situação deve ser julgada de acordo com sua seriedade.
E é no meio de uma tempestade dessas que Cassius se sentiu quando Parkinson lhe chamou para conversar. A intromissão de Snape, a intimação para que mostrassem suas habilidades não podia ser respondida de outra forma a não ser com ação. A tarefa designada poderia até ser mais simples em outro momento, mas agora? Com as passagens secretas seladas? Internamente desesperou-se. Sem as passagens, como iriam passar despercebidos? Não podia falhar em sua primeira atividade real, o Mestre das Trevas certamente ficaria sabendo de seu fracasso. Portanto, empurrou de lado o medo de não conseguir ser útil, dispensou aquele sentimento e respirou fundo.
Dentro e fora. Com calma.
Para assumir o controle da inevitável tempestade, para não sucumbir, só precisava se agarrar ao que encontrava-se em seu alcance realizar. Warrington pode não ter conhecimento sobre treinamentos em grupo, mas passou anos sendo instigado pelos pais a desenvolver sua mente ágil e sua forma racional de pensar. No quarto havia um baú com inúmeros livros sobre Hogwarts, sobre os fundadores, sobre a história que aconteceu naqueles corredores… e sob eles. Alguns relatos não-oficiais de comensais que falavam abertamente sobre a câmara de Salazar. Muitos não passavam de lendas, sim, mas para lendas serem criadas, é preciso haver uma pitada de verdade sobre elas. Embora não se baseasse nas lendas, Cassius tinha um certo apreço e respeito pelas palavras, não sabiam o que iriam encontrar quando a Câmara fosse aberta, então todas as vertentes precisavam ser analisadas.
A criação de um mapa exige esforço, concentração e, acima de tudo, racionalidade. Criar um mapa de algo que você não viu? Não apenas é difícil como também é exaustivo. As olheiras sob seus olhos refletiam isso. A dor de cabeça, a sensação de que seu cérebro latejava, marcava o tamanho de seu esforço. A frase de orgulho que se repetia em seus pergaminhos era o que mais lhe atormentava: "Quando a Câmara foi aberta, uma sangue-ruim morreu." Levando em consideração a falta de pureza em seu sangue, o bruxo estava preocupado. Com medo. Nada podia dar errado… ou sua própria vida estaria mais em risco do que de qualquer outro integrante de sua pequena e seleta equipe. Um nascido trouxa pisando na Câmara de Salazar…Não ia fazer disso uma missão suicida.
Chegar até a câmara era um dos problemas a ser resolvidos, sendo assim, faria uso de um de seus itens mais preciosos. Suas capas de invisibilidade. A primeira vez que ganhou uma capa da invisibilidade, tinha cinco anos. Fez um bom uso da mesma até esta se desbotar, não era uma das melhores, seus pais não acharam que a criança fosse dar uma importância tão grande ao presente. No entanto, as capas seguintes, Cassius tinha um orgulho tremendo das mesmas. Duas. Duas belíssimas capas que agora serviriam para algo maior. Mas eram quinze estudantes para duas capas. A estratégia traçada seria duas pessoas por capa, as outras precisariam seguir pelas passagens que Filch lhe confidenciou em seu quinto ano quando serviu de membro para o Esquadrão Inquisitorial. Todas as passagens estavam seladas, mas eram as passagens conhecidas. As que o zelador usava, algumas delas não eram de conhecimento público, sequer se encontravam no Mapa dos Marotos.
Uma das passagens os deixava no meio do corredor, no entanto, o problema poderia ser resolvido com chaves de portal. Mas oh, por Merlin! Se já encontrava-se sem forças para se concentrar em criar o mapa da Câmara, como teria alguma chance de concluir os feitiços necessários para seus objetos? A sua salvação veio na figura de @astxgreengrass ; a jovem bruxa lhe deu pequenos bagos de acácia, a planta que, quando cultivada por quinze dias, produz minúsculos bagos brancos que, após a purificação, se pode usá-los para renovar suas energias. Com essa solução, entretanto, outro problema surgia: os efeitos colaterais do uso abundante dos bagos. Só podia ingerir um número determinado se os quisesse evitar. Porém a consequência não lhe preocupava, tudo o que precisava era concluir com sucesso tudo o que Pansy lhe pediu.
Os bagos ingeridos, forças renovadas… com a tosse e a náusea persistente que esses traziam, Cassius voltou a terminar seus mapas. A Câmara dos segredos, aos poucos, tomava forma nos pergaminhos. A última parte era providenciar os objetos para usar como portal, mas a falta de forças poderia prejudicar todo o seu plano. Não podia fazer um portal do zero. Para não estragar tudo e colocar a missão a perder, pedir ajuda à @nottoriious foi a escolha mais sensata. Sem seus amigos, afinal, não havia como sobreviver sozinho a uma tempestade tão severa. Os objetos cedidos foram enfeitiçados com a ajuda do amigo. Junto com @thatadrianp, os dois colocariam um Portal principal no corredor e o outro dentro do banheiro para que os Sonserinos conseguissem entrar sem problemas. Portais instalados, mapas concluídos e espalhados para todos, um suspiro de alívio lhe escapou.
A tosse lhe deixou, mas as náuseas continuavam presentes. Nada atrapalhava seu orgulho por conseguir criar um caminho seguro para seus companheiros, um meio eficaz para que, juntos, eles atingissem a Câmara Secreta. Restava apenas saber como seria o local verdadeiro. Como aquele ambiente tão poderoso iria receber um nascido trouxa. Esperava que não houvesse consequências. Seu segredo não podia ser revelado para mais dinheiro.
Com as medidas tomadas para que a tempestade tão feroz criada em condições perfeitas fosse superada, Warrington podia apenas esperar que tudo ocorresse corretamente.
O silêncio tão característico a uma reservada Flora Carrow era uma resposta externa contraditória ao que se passava em seu âmago. Tudo em si funcionava impulsionado por um estado desagradável de agitação interior em antecipação ao perigo e a sensação corriqueira de que sua vida, e especialmente a de Héstia, encontrava-se por um fio. Entretanto o medo que poderia ser incapacitante a impelia a utilizar-se de suas energias em busca de rotas alternativas - cenários em que seus piores pensamentos intrusivos não se concretizariam.
Apesar de ainda se encontrar presa a rotina de uma vida estudantil a vivência de Flora nunca fora compatível a que se esperava de uma jovem comum. Crescer entre os Carrow tirara de seu desenvolvimento dois pontos cruciais: o direito de ser criança e a preservação de sua inocência. Assim, como membro de uma nobre família purista, fruto do relacionamento incestuoso entre irmãos, era esperado e exigido de si uma desenvoltura mágica acima da média. Para que chegasse ao que dentro do cerne familiar era entendido como patamar de elevada excelência tanto ela quanto Héstia foram empurradas para além dos limites aceitáveis em desafios e treinamentos que rendiam punições severas a cada falha. E eram tais falhas responsáveis pelas marcas, sempre bem escondidas pelo excesso de roupa, que carregava em seu corpo. Flora crescera aterrorizada com a possibilidade de falhar e era esse sentimento que esforçava-se para manter sob controle desde o instante em que percebera que nada podia fazer além de cumprir as missões voltadas para o pacto ao qual estava atrelada.
Assim, a partir do instante em que recebera o mapa de Cassius dedicara cada momento livre para estudá-lo numa tentativa de antever em quais momentos sua habilidade poderia ser de suma importância. Pelos dias seguinte aperfeiçoara cada feitiço que acreditava que poderia vir a ser útil e tentara se preparar mentalmente para o inusitado, para manter seu raciocínio afiado, para lidar com a pressão. Cada instante daquela preparação fora recheado por um rememorar nada feliz dos treinamentos de sua infância e, assim como em tal época, seu motto envolvia a sobrevivência. Carregava consigo a certeza que mais que nunca precisava ser eficiente.
Tal sensação fortificava-se conforme avançavam em direção a câmara. Pansy cumprira seu propósito, Cassius fora exímio em mapear e guiá-los para dentro da câmara, Tracey usara seu dom para abrir a passagem e a porta dentro dos túneis. A excelência dos outros aumentava a cobrança que colocava sobre si mesma. Não podia falhar. Seu silêncio era sepulcral e seu estado de espírito em nada vislumbrava qualquer excitamento por encontrar-se em um lugar criado por Salazar Slytherin, pelo contrário, a ansiedade a consumia e para tentar mantê-la sob controle precisava agir de maneira a se sentir útil. Com a varinha em punho, até então servindo apenas para iluminar seu caminho, silenciosamente lançou um “Appare Vestigium” um encantamento cuja a utilidade envolvia revelar traços de atividade mágica recente. Entretanto, antes que pudesse se pronunciar para pontuar o que feitiço revelara, o silêncio fora rompido pelo som de um corpo sendo jogado no ar. O susto fora eficiente em alterar o compasso de seu ritmo cardíaco e por consequência arrepiar cada mísero pelo em seu corpo. Sua reação inicial fora buscar por Héstia e foi apenas ao constatar que ela estava segura que parte da tensão abandonou seu organismo. Flint e Goyle moveram-se para ajudar um inconsciente Crabbe que agora recebia boa parte da atenção do grupo.
Aproveitando-se da agitação dos demais Flora caminhou em direção a frente colocando-se ao lado de Parkinson. Do bolso do casaco tirou algumas pedrinhas e as lançou no espaço aparentemente vazio diante de si - no exato ponto que o corpo de Crabbe se chocara e que o Appare Vestigium indicara a presença de magia. O contato da pedrinha com a barreira mágica a tornou perceptível aos olhos uma outra vez dando a Carrow um instante para observar as cores que a ajudariam a identificar quais feitiços foram utilizados. Um suspiro resignado escapou a ela que novamente sentia-se excessivamente tensa. Não podia falhar, recordou mais uma vez antes de virar em direção aos colegas. Com único gesto pediu educadamente que silenciassem para que pudesse se concentrar.
Diante da barreira, em uma proximidade que chegava a ser perigosa, mantinha a varinha em punho em sua mão direita e a mão esquerda erguida para que pudesse sentir a magia presente no local. Para Flora a compreensão da magia, dos feitiços e encantamentos que dominava, ia além do agitar da varinha. Cada feitiço possuía uma impressão própria, um emaranhado sutil que envolvia cores, vibrações, e intensidade que em situações como aquela poderiam induzir ao erro quem não os compreendesse.
Agindo da habitual maneira metódica concentrou-se em desvendar as barreiras impostas antes de desfazê-las. Cuidado era necessário uma vez que um erro poderia denunciar a presença deles na câmara trazendo complicações ao grupo e especialmente para si. Num ínterim de tempo que não saberia assinalar por quanto se estendera fizera notas mentais sobre suas percepções atrelando-as ao conhecimento teórico que tinha. Com uma resolução em mente restava escolher a maneira adequada para desfazer a sequência de feitiços que identificara: Cave Inimicum, Clypeus, Fianto Duri. Além desses três havia um outro que conseguia sentir, mas a princípio não identificara. O excesso de barreiras deixava claro que quem as havia imposto não queria que a câmara fosse uma outra vez utilizada, mesmo com a ausência do Basilisco. Dos feitiços que identificara dois eram de complexidade intermediária e um de alta. Podia, é claro, utilizar-se de Bombarda numa tentativa de ser mais rápida, mas prezava pela descrição e era adepta de feitiços mais rebuscados. Assim buscara na memória os feitiços que aperfeiçoara pelas últimas semanas, encantamentos não facilmente encontrados mas que estavam presentes em grimórios muito antigos resguardados na biblioteca restrita da matriarca dos Carrow.
Movimentos precisos e repetidos seguiram-se enquanto mentalmente entoava os encantamentos que pouco a pouco aquietaram as vibrações advindas da barreira mágica. Ao finalizar Flora deu alguns passos para trás antes de mais uma vez tirar pedrinhas do bolso e lançar em direção ao ponto onde anteriormente não poderiam ultrapassar. Com o pousar das pedrinhas no chão muito momentaneamente alívio a atingiu por parte do trabalho concluído. Entretanto logo ergueu a mão esquerda, indicando que os colegas deveriam se manter no mesmo lugar, assim, observou o espaço à sua frente em busca de indícios do feitiço que até então não identificara. A Carrow não era completamente insegura no que dizia respeito as suas habilidades, mas uma vozinha no fundo de sua mente a alertava que até então fora mais fácil do que o esperado. Era aquela mesma vozinha que na infância a tornava alerta as armadilhas escondidas por Amycus em meio a sessões torturantes disfarçadas de treinamento. Os pelinhos em sua nuca permaneciam eriçados e seguindo aquele feeling, a manifestação de uma intuição apurada, resolvera que seria ela a atravessar a barreira, a ser afetada pelo que ainda não havia decifrado. O primeiro passo fora acompanhado pelo silêncio, entretanto, com o segundo veio o rompimento de uma barreira até então silenciosa e invisível carregando o ambiente com o estridente som de gritos que pareciam varrer sua alma. Em questão de segundo seus batimentos cardíacos dispararam, uma sensação gélida inundou sua espinha, e novamente todos os pelos em seu corpo se eriçaram. O susto, entretanto, não a paralisou e nem abalou por completo sua capacidade cognitiva. Ao reconhecer o feitiço Caterwauling, que era apenas identificável ao ser rompido, mentalizou, conforme movia a varinha, o feitiço “Quietus” para silenciar os gritos, e em seguida lançou o contrafeitiço que o desarmava por completo. Se não estivessem tão profundamente abaixo do castelo não teria dúvidas que seriam descobertos mesmo com sua ação rápida. Flora ainda sentia o ribombar do sangue em seus ouvidos, a falta de ar que atrelava ao medo e a ansiedade, e um ligeiro tremor nas mãos ao finalmente arrematar as barreiras protetoras. A parte que parecia lhe caber naquela primeira missão estava aparentemente concluída de maneira eficiente, embora estivesse muito longe de considerá-la completamente satisfatória. Resfolegou contidamente para recobrar o controle próprio antes de voltar a encarar os colegas. Ao fazê-lo prontamente assumiu a postura taciturna de costume antes de gesticular para que prosseguissem. Por ora o caminho estava livre.
Blaise estava encostado na coluna do corredor que levava as masmorras. Sua cabeça pendia sobre o gesso, pesada com o excesso de pensamentos. Embalado no silêncio, sua mente viajava acelerada. Tudo o que conhecera desde a tenra idade foram ensinamentos sobre o controle, sobre como disciplinar-se para permanecer impassível, sempre com uma máscara perfeitamente posicionada. Mas a cada dia que os avanços da guerra se mostravam, mais ele duelava contra si mesmo. Perdido, assustado, e despido do que sempre acreditou ser sua força. A batalha não era um campo de xadrez, ele não podia mais calcular cada movimento com sua familiar estratégia. Ele se sentia traído.
Another promise, another seed
Another packaged lie to keep us trapped in greed
And all the green belts wrapped around our minds
Promessas de glória lhe foram feitas, e sua inclinação por lutar bravamente ao lado das trevas era questionada diante do instinto mais básico do ser humano: a sobrevivência. Vivia o luto por seu antigo eu, em oscilações graduais. Começou com a negação, ele se recusava a acreditar que todos aqueles que nutria admiração o controlavam. Depois surgiu a raiva, a raiva de Snape invadir sua mente com tamanha displicência.
Interchanging mind control
Come let the revolution take its toll
If you could flick the switch and open your third eye
E talvez isso que estava o tornando fraco: tentar ser tão perfeito! Suas expectativas eram altas, suas cobranças o derrubavam em sinal de falha, o ego era traiçoeiro somando a ambição perigosa. Ele precisava enxergar seus pontos cegos, aprender a lidar com seus traços dos gloriosos aos que o fadava. Tornar seus aprendizados sua força, mais do que as tentativas de evitar erros.
Rise up and take the power back
It's time the fat cats had a heart attack
You know that their time's coming to an end
We have to unify and watch our flag ascend
Ainda segurava a carta de Pansy em sua mão, ciente que ao abri-lá tomaria a decisão de seguir em frente e não poderia fazê-lo com a vulnerabilidade que sentia e que até mesmo demonstrara a alguém, Flint. Com um suspiro resignado ele segurou o papel com mais força, antes de puxar o selo que velava a mensagem. A voz da amiga soou aos seus ouvidos, como um berrador, mas com mais elegância e mais baixo que o tom convencional.
Cada palavra retumbou em sua mente, reverberando por seu corpo a adrenalina e a ciência de que agora estavam de fato iniciando. Os olhos antes fechados para mergulhar na jornada de autoconhecimento agora se dilatavam para encarar o mundo que se transfigurava tão rápido quanto um feitiço de Mcgonagall. Ele precisava agir mais do que pensar, e isso exigiria colocar em segundo plano toda a bagagem que arrastou embaixo do sobrenome Zabini. O paradoxo era notar que para evitar um controle, ele deveria abdicar um pouco de seu modo de controlar.
They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious
A carta se auto destruiu assim que um mapa foi conjurado, os pedaços do pergaminho se desfazendo até desintegrar no ar. Os olhos captaram a cena por um instante antes de tomar rumo onde realmente deveria estar, o seu dormitório. Não esperou um segundo para recolher todos ingredientes que precisava, a sua varinha, o caldeirão mexediço de estanho e vários frascos vazios.
Com um longo suspiro alongou seus braços, se preparando para unir às poções que já tinha mais algumas doses. Em uma pequena bolsa de couro se encontrava pomada cicatrizante, wiggenweld, poção calmante e uma dose de felix felicis, junto à algumas ataduras. Pretendia separar o suficiente para colocar em seu cinto de utilidades, e entregar uma pequena quantia reserva à Bulstrode. Responsável por reunir o necessário para levarem à câmara, Blaise sabia que em um contexto onde até mesmo passagens secretas estavam lacradas, habitar o lar do basilisco não seria a mais fácil das tarefas. Poderia perder uma noite de sono, mas precisava fazer valer a pena a sua escolha de finalmente se entregar.
Sentia-se esgotado. Toda a energia que tinha, parecia ter sido drenada enquanto criava os mapas para a câmara; se fosse fazer apenas um, talvez não estivesse daquela forma. Mas precisava fazer vários, contendo o máximo de detalhes que conseguia observar e distinguir no meio de seus estudos. @astxgreengrass seria seu último recurso, não sabia o que faria se a garota não tivesse o que precisava. "Olha, eu sei que é extremamente rude chegar e pedir um favor do nada..." começou a murmurar. As olheiras sob seus olhos denunciavam o cansaço. "... vou te compensar depois. Mas... Você tem bagos de acácia?"