Crítica: Como criar crianças doces num país ácido | Taís Araújo | TEDxSaoPaulo
https://www.youtube.com/watch?v=H2Io3y98FV4
Em sua palestra, Taís Araújo começa falando que é mãe de dois filhos: João Vicente, o mais velho, na época com 6 anos e Maria Antônia, na época com 2 anos. Ela em seguida diz que mesmo mentindo às vezes para as pessoas que perguntam, ela sabe: existe uma grande diferença entre criar meninos e meninas.
Obviamente por conta das questões que sabemos: vivemos em uma sociedade completamente machista, onde a mulher exerce a mesma função que o homem e recebe menos, é alvo de abordagens indesejadas e inadequadas… enfim, claramente não é a mesma coisa.
E ela diz que na teoria, sabendo desse cenário da nossa sociedade, o filho dela não sofreria das mesmas coisas que a sua filha sofreria. Mas essa “teoria” cai por terra graças à um único fato: os seus filhos são negros. E isso implica que sim, João Vicente vai sofrer muito na sua vida ainda… desde agora. Simplesmente pelo fato dele ser negro.
Como a própria Taís diz: “Liberdade não é um direito que ele vai poder usufruir se el andar pelas ruas descalço, sujo, saindo da aula de futebol… ele pode ser apontado como um infrator, mesmo com 6 anos de idade”
“No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada, escondam suas bolsas e que blindem seu carros.”
Há quem diga que o Brasil não sofre com o racismo. Bom, as postagens deste blog que vos fala já nos prova que isso não é uma verdade.
Quando você prova uma fruta, só sente o gosto dela quem realmente prova o seu sabor.
Seria coincidência que as pessoas que insistem em dizer que não existe racismo no Brasil, são aquelas que nunca sentiram isso na pele?
Bom, sabemos que realmente a vida de João Vicente, desde os 6 anos de idade realmente será difícil se levarmos em conta a cor da sua pele. Mas, como Tais afirma: “a vida dele só não vai ser mais difícil que a da minha filha”.
Ser mulher em um país como o Brasil, já é suficientemente complicado. Agora, imagine ser mulher e negra…
Poderíamos dizer que é o dobro mais difícil, mas talvez seja até mais. Todo sofrimento e os sapos que as mulheres são obrigadas à engolir, misturado e mixado com a luta diária de ser negra.
Taís se questiona Como criar crianças doces, em um país tão ácido? Como fazê-las entender que pluralidade e diversidade são riquezas num país plural, diverso… mas também desigual.
E Como não jogar sobre elas uma vivência e até uma mágoa nossa, mas ao mesmo tempo não permitir que ela enfrente o mundo de uma maneira ingênua, para evitar que fossem atropeladas pela sociedade?
Essas talvez sejam perguntas que não tem resposta… até que o mundo mude. E isso realmente tornam: a desigualdade social, a desigualdade de gênero, o racismo e o preconceito com a condição sexual, todo esses, um problema de TODOS NÓS. Um problema da SOCIEDADE, que literalmente não consegue viver em harmonia, como deveria ser, justamente porque essas coisas existem e estão sim presentes no nosso cotidiano, mesmo que a gente não perceba.
Eu tenho mesmo sonho que você, Taís. Eu quero que os filhos dessa geração, e os filhos deles cresçam livres e se tornem potentes! Independente das escolhas que fizerem pra sua vida, de suas cores e seu gênero. Mas você mesma sabe Taís: para isso acontecer, temos que começar à olhar para o outro com AFETO, com atenção. Devemos viver todos em harmonia. Temos todas diferenças, e de certa forma que bom que temos. Se fossemos todos iguais, o mundo não seria a mesma coisa. Mas essas diferenças ficam e devem ficar em segundo plano porque estamos todos no mesmo barco. Somos realmente a extensão do outro. E o outro, também é uma extensão de nós.
Desejamos e cobramos um mundo melhor. Talvez isso demore gerações até chegarmos em um cenário utópico sem desigualdades. Mas devemos começar por algum lugar. O que estiver no nosso alcance, faremos. Não tem como mudar um bairro se não começarmos mudando nossas ruas. E não tem como mudarmos nossas ruas, sem antes mudar a nossa própria casa. Devemos começar a mudar a nós mesmos, nas ações, nas atitudes, para isso ir se espalhando, nem que somente nossos filhos recebam a herança de nossas mudanças. O importante é começar a mudança. Por algum lugar.