A corte, por si só, já era um ambiente tóxico, mas no atual evento tal condição ganhava novas dimensões. Todos que ostentavam sorrisos e distribuíam palavras galanteadoras, também demonstravam uma astucia afiada no olhar --- às vezes, até mesmo malicia. Apesar de ter crescido nesse meio e aprendido a circular com certa maestria por ele, Emeric não podia deixar de observar a semelhança com um ninho de cobras. Então quando todos caminharam calmamente do salão de jantar até o de baile, o monarca manteve a cabeça erguida, sua representação impecável desde do seu discurso para abertura das danças até sua escolha de parceira para o primeiro conjunto de quadrilha.
Aquele momento, no entanto, talvez tenha sido um dos mais inesperados da comemoração até o dado instante. Era possivel sentir a expectativa de todos enquanto o Llewelyn deixava seu olhar vagar pelos rostos das mulheres ali presentes, todas ansiosas para ter a honra de inaugurar a pista de dança com o rei de Adarlan. Como ditava os bons costumes, sua esposa deveria ser a eleita, porém, dada a impossibilidade dessa escolha, qualquer uma estava apta a ocupar o lugar. Sendo assim, parou de frente a Teresa Swenthrad --- a jovem viuvá do Jarl de Valenwood ---, e reafirmou seu status de imprevisível. Curvando-se numa mesura elegante, convidou a famigerada lady com voz suave. “ Concede-me o prazer dessa dança, Lady Valenwood?”