Silêncio no Futuro
Aqui estou… num canto do mundo que não tem nome, onde o tempo passa devagar demais e o silêncio pesa como pedra nos ombros.
As pessoas que um dia caminharam comigo – aquelas que me estendiam a mão sem que eu precisasse pedir – sumiram… não foram embora por escolha. Foram levadas, de um jeito que não se desfaz. E eu fiquei. Sem elas. Sem direção.
Tem dias em que me pego tentando lembrar o som da voz de alguém… qualquer um deles. Mas a memória também vai embora, como tudo o que um dia me amou.
Eu olho pra frente, mas não vejo futuro. Olho pra trás, e dói demais. É como se eu estivesse suspenso num tempo que não pertence a ninguém. Nem mesmo a mim.
As paredes me cercam, frias. O vento passa por entre as frestas e sussurra nomes que já não voltam. Sento no chão, às vezes, só pra ouvir o silêncio, pra ver se ele me responde: — E agora? O que eu faço?
Mas ele nunca responde. E a solidão, essa fiel companhia, me abraça como se fosse a única coisa certa que restou.
Mesmo assim… ainda me resta esse fio frágil — quase invisível — de amor que não morre, mesmo sem ter onde morar. Quem sabe um dia, num gesto, num olhar perdido por aí, eu reconheça um pedaço deles. E, por um instante, não me sinta tão sozinho assim.
















