Hoje é o último dia do ano e daqui a pouco será ano novo, dia 01/01/2017. Caralho, como passa rápido – pensei enquanto terminava de secar os meus cachos. Não tenho supertiçao com roupas, não tenho isso de usar roupa branca só porque é ano novo, mas hoje estou usando um lindo vestido justo da cor branca, e uma sapatilha cor creme; meu cabelo está do mesmo jeito de sempre, os velhos cachos ruivos soltos para voar com o vento. – Mãe, vamos? Já são quinze para meia noite. – Vamos sim, como estou? – Uma deusa, como sempre! Saímos então na rua, em direção a casa da minha tia, para desejar feliz ano novo as pessoas, todo ano fazemos isso. Chegamos então a minha tia, cumprimento a todos, a última pessoa que cumprimento é minha prima Emília, que também é minha melhor amiga. Demos algumas risadas, conversamos sobre como foi o nosso ano e como queremos que seja esse novo ano que virá. Sempre temos bons planos e conseguimos cumprir parte deles. – Eu sei que acabou de dar meia noite, mas eu não quero ficar aqui até madrugar como faço todo ano. Estou um pouco cansada, vou me deitar. Amanhã bem cedinho vamos ver o sol nascer, combinado? – Combinado! Também estou morta, preciso da minha cama. – diz Emília me dando um beijo na bochecha. Então eu saio em direção ao portão da saída, e quando me viro eu vejo você. Droga, tinha que ser você e o seu maldito sorriso que sempre me deixa com cara de boba! Na hora que você me vê você abre os braços como quem espera um abraço, eu também abro os meus e lhe abraço, como sempre faço, principalmente depois de ter bebido algumas. – Feliz ano novo garota. – digo em seu ouvido. – Feliz ano novo. Olha só para você, está linda! – Obrigada – digo tímida – Você que sempre está linda. Quanto tempo! – Sim, faz muito tempo. – Como você está? – Estou bem até, e você? – Bem também. Então todo ano é isso, não é? – Isso o quê? – diz você dando uma risada sarcástica. – Esquece! – digo revirando os olhos – bom, estou cansada, então vou indo me deitar. Até qualquer dia, Josi. – Sério? E eu achando que você iria madrugar com as suas primas. – As coisas mudam, não? – Vamos dar uma volta? Tenho uma garrafa de vinho bem aqui nas minhas mãos, só vamos até o ginásio, tomamos e depois você vai para a sua casa descansar. Topa? – Eu nunca dispenso uma garrafa de vinho, espertinha! É claro que eu topo. Você da aquele seu sorriso torto e eu faço cara de boba, e então fomos descendo até o ginásio. As pessoas nos encararam, e eu sabia o porquê. E a culpa é sua, porque você sempre faz isso comigo e eu nunca consigo negar. Você sabe que sou completamente apaixonada por você, mas você também deixa bem claro que eu não posso lhe ter, não totalmente. E eu odeio isso e ao mesmo tempo amo. Mas o meu maior sofrimento é saber que não consigo e nunca vou conseguir lhe evitar. – E quais são os planos para esse ano? Pretende continuar viajando, jogando? Qual vai ser? – Pretendo continuar viajando e jogando sim. Isso faz parte de mim, é quem eu sou. – Entendi. – Não, você não entendeu e nunca vai entender. É por isso que não damos certo. – Vai começar com isso agora? Eu já disse que entendi. E as namoradas? – Com essa pergunta você até parece a minha tia chata. Não estou preocupada com “namoradas”. – E vai ficar nessa vida para sempre? Sem nada fixo? – Talvez. Chegamos ao ginásio, tomamos a garrafa de vinho. Então eu me levanto, e fico vendo o céu estrelado e os fogos. De repente sinto a sua respiração por trás de mim, você coloca suas mãos em minha cintura e da um selinho bem na minha nuca. Então eu me viro, olho em seus olhos… Droga! Maldito olhos cor de mel que me deixam louca, porque eu não resisto a você, por quê? Penso e quando tenho por mim já estou lhe agarrando e te beijando fortemente. – Vem! – você diz com a respiração ofegante, me puxando, e então corremos para a sua casa. Nos beijamos muito, e talvez essa tenha sido a melhor transa que tivemos em todo o tempo que ficamos juntas. Acordei e a primeira imagem que vi foi a sua. Tão vulnerável dormindo, tão linda, tão… Você. Você desperta, e então percebe que eu estava a admirando da um sorriso e diz: – Good morning – Buenos dias – Dormiu bem? – Tirando a parte que você roncou a noite inteira… Hmm, sim, acho que deu para dormir bem. – digo e nós duas caímos nas gargalhadas. – Shut up! Eu não ronco. Nos levantamos e fomos para a área, é claro que fotografei esse momento único. O céu estava lindo, e o sol estava nascendo. Mais lindo ainda era o seu sorriso. Estou muito feliz, mas parte de mim esta triste porque sei que não vai durar, com você tudo é tão momentâneo. – No que você está pensando? – você pergunta enquanto me abraça por trás. Deus sabe o quanto amo quando você faz isso. – Estou pensando que hoje está sendo o dia mais feliz do ano. O melhor dia. Só pelo fato de você estar presente nele. – Por que você é tão clichê? – diz você me dando um selinho. – Porque essa sou eu, meu bem. E é por isso que você gosta de mim. – Eu não gosto de você. Eu amo você. – Quem é a clichê agora? – digo sorrindo. – Quer café? – Você sabe que eu tenho vergonha da sua mãe. – Não tem ninguém na casa além de nós duas. – Sério? – Sério! – Uhul. Café, lá vamos nós. – Você que vai fazer boba! – Nunca gostei do seu café mesmo. Você então pega a panelinha e acende o fogão. Eu queria chorar meu bem, meu peito se apertou tanto nesse momento. Por que não podemos ter momentos como esse só pelo resto da nossa vida? Eu não deveria ter ido tão longe. – O que foi? Por que está aí parada me encarando desse jeito? – É só porque você é a mulher mais linda desse mundo e eu também te amo, muito.
Érika Silva
















