The Fairy Book – II – The butler
Infelizmente, todo aquele alarde para seguir Narsha, para a falta de sorte de Erin, tinha sido em vão. A cadela havia sumido nas ruelas escuras de Kilkenny. Sem saber o que fazer e com uma leve tristeza dentro de si pelo ocorrido, resolveu voltar para casa.
Chegando ao seu destino, dispensou senhora Forge, deu um beijo na testa de seu pai e foi para o quarto, na intenção de devorar aquele livro suspeito, já que não havia mais volta, já o tinha trazido consigo de toda forma. Sentou-se na mesa de estudos, acendeu o pequeno abajur mais próximo e respirou fundo, ansiosidade enchendo-lhe por completo.
Ela leu o título mais uma vez antes de abrir na primeira página, e quando o fez, ficou ainda mais receosa com o que dizia ali, em pequenas letras douradas centralizadas numa página quase toda em branco:
a curiosidade é perigosa...
Erin tomou mais uma lufada de ar em seus pulmões e continuou, não seria interrompida por um aviso idiota. Na pagina seguinte, mais uma pequena frase:
e o perigo se esconde nos mistérios mais sutis...
fechou os olhos com força, e pela primeira vez repensou se devia ou não continuar, depois de não muito tempo, foi convencida por si mesma e virou a pagina devagar:
Todos fantasiam com contos de fadas,
Sonham com seus finais felizes sem nem mesmo saber que
todas as historinhas infantis que lhes foram contadas por anos e anos
não passam de uma mentira.
Quer descobrir por si mesmo a verdade?
Ela lia cada palavra receosa, uma ansiedade saltitante na boca do estômago, como se sentisse que algo de excepcional aconteceria a qualquer momento, e talvez ela estivesse certa. Continuando sua leitura em voz alta, Erin apenas pronunciou repetidamente a palavra estranha da quarta página sem nem sequer compreender o que estava fazendo.
No momento em que Erin terminou de pronunciar as palavras, uma feixe de luz estranho e muito forte começou a sair do centro do livro - Qualquer pessoa normal correria assustada, ou pelo menos se afastaria, mas Erin apenas ficou no seu lugar, imóvel em puro choque, esperando para ver no que aquela loucura daria – o foco de luz brilhante se expandiu, no formato de um globo, e de seu centro algo tentava sair, não era humano, muito menos animal, talvez uma coisa entre os dois, mas certamente nada que Erin tenha visto em toda sua vida. A coisa lutava para sair, segurava com força no livro com suas mãos de dedos longos – ou o que pelo menos pareciam ser suas mãos – e ia colocando seus membros para fora, um a um com muito esforço. Depois de algum tempo lutando, a coisa caiu no chão do quarto com um baque, chacoalhou a cabeça e pôs-se de pé. Olhou para os lados, e no momento em que seu olhar encontrou o de Erin, ele se curvou, um joelho apoiado no chão, a mão direita atrás do corpo e a outra em seu peito.
- Me chamo Aido, estou aqui para servi-la. - a voz dele era firme e grave, sua expressão placida como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
- Oh, fuck.. - foi a única coisa que ela conseguiu dizer de imediato, porque afinal, o que diabos era aquela coisa.
- Sinto muito se a assustei senhorita... - ele estendeu a mão graciosamente na direção dela, dando-lhe a oportunidade de falar.
- Erinna.. - ela soltou a palavra mais como um engasgo – Erinna Flynn – a coisa sorriu imensamente e pôs se a curvar-se mais uma vez.
- Erinna, sou seu humilde servo. - A coisa chamada Aido, tinha 1 metro, ou pouco menos que isso de altura, seu rosto era comprido, as orelhas pontudas, nem sequer tinha nariz, ou qualquer pelo no corpo, sua pele era coberta por um tipo de escama da cor exata que encapava o livro sobre a mesa, seus olhos enormes totalmente pretos, como as pessoas costumam associar aos aliens, possuía membros longos, pés e mãos enormes com dedos compridos, era literalmente uma visão perturbadora.
- O que você é? - ela perguntou sem saber muito o que dizer naquela situação.
- Digamos que eu seja um espírito – Aido sorriu e Erin permaneceu congelada na mesma expressão impassível.
- Desculpe, mas não acredito em fantasmas.
- Oh, pois acredite! - ele deu alguns passos na direção de Erin o que fez com que ela finalmente se levantasse e saísse do caminho dele, ao ver seu medo, Aido parou imediatamente, estendendo as mãos abertas na direção dela. - calma, senhorita Flynn, não te farei mal. - ele sentou-se no chão e apoiou a cabeça em uma de suas mãos, pensando no que fazer, ao chegar numa conclusão, estalou os dedos compridos e pôs-se novamente de pé. - Sei o que devo fazer, que tal se eu te explicar o que está acontecendo e responder toda e qualquer pergunta que você tiver?
- Parece razoável. - ela disse não menos assustada do que alguns segundos atras, mas dando permissão ao suposto espirito para se explicar.
- Senhorita, me chamo Aido, - ele pronunciava as palavras pausadamente - eu sou um espirito trancado em um livro mágico, o livro que está agora sobre sua mesa. - ambos olharam para o livro, então Aido ficou em silêncio por um momento, medindo suas próximas palavras – você lembra de quando era pequena e as pessoas lhe contavam histórias sobre gênios na lâmpada?
- Sim – ela respondeu, curiosa para saber onde ele queria chegar com isso.
- Pois bem, está é praticamente a mesma situação, mas não sou um gênio, e muito menos estou numa lâmpada. - ele sorriu mais uma vez, mostrando sua arcada de dentes extremamente afiados e do mesmo tamanho.
- Então quer dizer que você vai me conceder 3 desejos – ela perguntou descrente e o espirito imediatamente se pôs de pé.
- Não não não não não! - Aido balançou o dedo rápido, negando veemente o que ela acabara de cogitar. - ai é que você se engana imensamente, senhorita Flynn. Gênios são criaturas terríveis e traiçoeiras.. eles te concedem dois desejos errados, levando ao pé da letra qualquer coisa que você disser e se for bem esperta, usará o ultimo desejo para voltar tudo ao que era antes, mas eu não sou nada como um gênio – Aido tocou o próprio peito orgulhoso – eu estou aqui para servi-la, para dar qualquer coisa que quiser.. sou seu servo, seu mordomo. - e se ajoelhou na frente da menina.
- Isso não faz sentido, por que diabos você me serviria?
- Por gratidão! - Aido saltou na direção da garota, agarrando-se às suas pernas – passei tantos anos trancado naquele livro escuro, tudo o que nós queremos é ver um raio de sol de vez em quando, mas temos de esperar até que uma boa alma nos liberte deste maldito livro.
- “Nós”? - Erin perguntou – quem seria nós? - o espirito respirou fundo, assumindo uma expressão tristonha, olhar no chão.
- Meus irmãos senhorita. - ele a olhou – somos doze, doze espíritos trancados em doze livros pela eternidade. Os livros andam espalhados por ai, e apenas os humanos podem nos libertar.
- Que horror – ela disse, mais para si do que para Aido – não imagino o que seria ficar trancada em um lugar escuro sem ver a luz do dia.
- Pois eu sei bem, e sinto muita pena de meus irmãos por isso...
- Tudo bem, Aido – Erin disse de repente – eu acredito no que você disse, mas como é isso, você vai me seguir agora por ai? As pessoas conseguem te ver?
- Oh, sim, nunca se sabe quando precisará de algo, e sim também, todos podem me ver agora, mas tenho uma solução para isto. - Aido se encolheu, deitado no chão envolvendo completamente seu corpo com os braços compridos e uma luz forte o envolveu, era quase impossível manter os olhos abertos em tal situação, então quando Erin pode enxergar devidamente, a coisa tinha sumido e no lugar dela havia um homem enorme, loiro, molde do rosto forte, olhar penetrante, musculatura assustadoramente trabalhada, olhos claros – melhor, não acha? - e voz ainda mais firme e grave que antes, sua nova aparência exalava feromônios e mais uma vez Erin entrou em choque, mas desta vez, devido ao leve calor que sentia em partes que por muitos anos ninguém havia acordado. - esta é minha forma humana, todos os meus irmãos tem a sua própria forma humana. - ele começou a explicar já que a menina estava muda.
- E todos parecem com você? - Erin perguntou com um fio de voz.
- Do tipo capa de revista, capazes de humilhar ou excitar as pessoas sem nem mesmo tentar? - ela não mediu palavras e pouco depois teve consciência de que tecnicamente admitiu estar excitada, então, pediu mentalmente para que Aido não comentasse isso.
- E quem disse que eu não estava tentando? - ele sorriu, dessa vez muito menos assustador com sua enorme arcada branca e perfeita, mas não menos abrasador.
- Conseguiu. - ela afirmou sentando-se novamente em sua cadeira, sem força nos joelhos fracos.
- Vou entender isso como uma aprovação. - ele sorriu sedutoramente, cruzando os braços e se apoiando contra a parede.
- Mas espera, o que vou dizer a todos? Eu simplesmente apareço com um homem adulto dormindo no meu quarto sem mais nem menos? Isso não tem como dar certo.. - ela começou a andar pelo quarto de um lado para o outro descabelando-se e pensando em mil coisas ao mesmo tempo, mal sendo capaz de transmitir tudo em que estava pensando. - vai ser um escândalo e preocupará a todos. A cidade é pequena, sabe? Vão achar que você é um pedófilo que quer se aproveitar do meu corpo ou quem sabe me usar como sacrifício numa seita satânica, eles usam virgens, certo? Então me usariam.. não que eu esteja dizendo que não goste de ser virgem, é legal até, ah, não, esqueça essa parte, não, ignore tudo o que eu disse.. - de repente Erin foi impedida de continuar, Aido a tinha segurado delicadamente entre seus braços agora extremamente fortes, com uma mão envolta na cintura da garota, e a outra prendendo sua cabeça contra o seu peito, passando a mão por entre seus cabelos na tentativa de acalma-la. A única coisa na qual ela conseguia pensar era em como estava completamente encostada sobre o peito forte de Aido e como ele cheirava a menta. Erin não era assim, ela não se interessava por garotos, ela não ficava caidinha pelo sexo oposto como uma das imbecis de sua cidade, mas dessa vez era como se sua mente tivesse parado de funcionar, como se ela estivesse compelida a sentir uma forte atração física por este homem bem na sua frente. E o pior é que ela não odiava isso. - Tudo bem.. eu dou um jeito.
- Ótimo. - ele disse por fim, passando mais uma vez sua mão delicadamente sobre os cabelos dourados de Erin.