Tell me what you want to hear || Juliet & Benedict
Os pés andavam em movimento automático e ritmado. Direita, esquerda, direita, esquerda. Nada importava pra Juliet além de seu querido amigo Hamlet. Sim, por incrível que parece a peça. A peça em que faltava poucos trechos para decorar. E, a mesma peça em que Juliet descobria uma sensação, um sentimento único cada vez que lia e atuava. Era algo que a completava. O amor a completava. O amor pelas peças, pelas pessoas e, principalmente, a sensação de missão comprida quando a plateia aplaudia, sorria ou até mesmo chorava. Só de se lembrar dos momentos finais da sua última peça, um sorriso se desabrochava sobre os seus lábios. Um sorriso que não vinha sozinho, mas que ao mesmo tempo fazia seus olhos cintilarem de felicidade, de realização.
Assim que seu braço direito se chocou com o de outro aluno, Juliet abandonou seu mundo dos sonhos e voltou para a realidade. Levou seus olhos ao livro que acabara caindo no chão com o choque. – Realmente me perdoe, não sou de fazer essas coisas. – Levantou levemente seus ombros e inclinou sua cabeça em direção ao seu ombro esquerdo, realizando uma de suas manias quando tentava se esquivar de algo que fazia errado. Mas, que ao mesmo tempo se mostrava aérea, não reparava se o garoto lhe respondia ou se esbravejava. Só que um dos seus livros favoritos estava no chão – Eu só estava lendo, sabe? – Suspirou, e se abaixou para pegar seu antigo amigo com cuidado para que sua saia não mostrasse nada do que devia. Já que não precisava de ninguém falando da cor da sua calcinha para o namorado. –Enfim, me desculpe.
Juliet não se importou de olhar para o aluno ou de esperar uma resposta. Apenas voltou ao seu movimento automático, levando seu livro ao seu lado e direcionando seus grandes olhos em direção a uma mesa vazia. E, no momento em que achou deu um pequeno pulo de alegria. Uma atitude tão infantil, mas ao mesmo tempo uma das formas mais simples de mostrar que seu objetivo foi realizado. Assim que passava entre as mesas seus amigos a cumprimentavam e ela sorria, respondendo com um leve aceno. Ela estava ansiosa para falar com todos sobre as novidades das férias, mas naquele momento ainda precisava terminar de ler. Afinal, logo teria que começar os ensaios para a peça e ela queria estar preparada. Queria ser a melhor.
Apoiando seu livro na mesa e finalmente sentando da forma mais confortável que podia. Voltou seu olhar para seu livro, buscando a última página em que havia degustado de sua leitura anterior. E, automaticamente recitou o primeiro trecho da página – Duvida da luz dos astros, duvida de que o sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia em meu amor. – E, um suspiro se desprendeu de seus lábios ao pensar em seu amado.