Santuário
Uma porta se abriu para mim, Era a porta do meu santuário. Agora que o outro mundo não existe mais, E após me desfazer o quanto pude, Ela pôde se abrir enfim. Ao adentrar pela porta, Percebo que não há luz. As velas que iluminavam cada cômodo, Caíram em virtude dos tremores do outro mundo. Pego uma por uma e tento acendê-las, Mas poucas conservam um filete de fogo. As restantes, sem qualquer sinal de reação. Assim, pego uma das poucas ainda iluminadas, E caminho para um vulnerável cômodo. No momento em que entro no novo ambiente, Um monstro aparece à minha frente, E grita com a intenção de me atacar. Porém, conforme me aproximo dele, Vejo que era apenas uma sombra, De um ferido filhote inofensivo. E então me direciono para outro cômodo, No qual vejo o pior dos destinos, Com um papel no chão dizendo: "Eu sabia que isso aconteceria". Porém, no único passo antes de ficar paralisado, Esbarro em um oculto projetor. Percebo que era apenas um filme o que passava, Que se repetia dia após dia, Em virtude de um dano ao projetor, Que impediu a exibição de outro filme. Ao tampar a lente do projetor, Noto que o filme ocultava uma porta, Uma porta que deixa escapar sua luz.









