King of no identity I always feel like someone else A living myth #thearchetypes #troughothers #webecomeourselves

seen from United States
seen from United States

seen from Germany
seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from Finland
seen from China
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from Australia
seen from China
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from Türkiye
King of no identity I always feel like someone else A living myth #thearchetypes #troughothers #webecomeourselves
to the hills: daydream
1. INTRO: Quando eu era criança costumava a pensar que era como o sol, quente e perigoso. As pessoas não se aproximavam por medo de se queimar. Era com viver em uma jaula que eu mesmo construí. Depois de todo esse tempo, notei que nunca havia contado minha história e nem por que comecei essa jornada. Foi em uma sexta-feira, a escuridão se retorcia de dor e dançava ao som de sua própria tortura murmurando frases abomináveis em uma língua pagã perdida. Eu estava montado em meu cavalo de olhos negros bem em frente ao grande jardim sem fim. Minha missão era vigiar para que nenhum intruso colocasse a mão em uma das tantas folhas de cor verde limão. Embora eu também não pudesse me alimentar de toda aquela ignorância, minha boca balbuciava o nome de cada uma das frutas penduradas pelos galhos. Desci do cavalo e em transparência estendi uma das mãos até o fruto avermelhado de formato quase oval. Levei até a boca e em apenas uma mordida senti o gosto de tudo o que já tinha colocado na boca até o presente momento. Minhas papilas gustativas explodiram ao entrarem em contato com sabor adocicado do pecado. Em poucos instantes eu não conseguia mais ver e nem ouvir. Dois dos sentidos desabitaram meu corpo por alguns minutos e mesmo inconsciente minha mandíbula continuava o atrito. De cima, uma voz bem rouca e grave soltou palavras de expulsão em tom arrogante. Fui obrigado a me retirar de onde estava e sentenciado a nunca mais voltar. O banimento me privou de tudo o que tinha. Aquele pouco de liberdade me foi tomado de forma violenta. O céu acabara de se tornar em uma chuva de turmalinas negras que caiam em forma de prisma triangular apenas ao meu redor. Elas marcaram a única pessoa que teve a audácia de desobedecer a única regra daquele Cartago florido. Nascido das trevas de um coração perdido, vivi durante muito tempo trancado longe do mundo iluminado. Eu mesmo não tenho mais iluminação alguma. Deixei de transcender a luz para recebê-la. Assim como a lua, preciso de outra estrela para continuar brilhando. Essa é minha história, meu pergaminho e meus segredos. O que realmente importa agora é encontrar minhas coordenadas, voltar de onde vim, estabelecer um contato fixo de quem sou para quem eu era. Isso se trata de um destino justaposto ao seu. O que fizer, farei e para onde correr, correrei.
2. WAVE: Continuo sem saber se estou dormindo ou acordado. A escuridão ainda fica mesmo eu pedindo para ela ir embora. Não consigo identificar se o fato de ter me acostumado com a falta de luz é bom ou ruim. Eu não sei. Nunca percebi a ausência até ela estar aqui. Na verdade, eu nem sei se a ausência realmente existe ou é só o buraco deixado por alguma coisa que não está ali. Eu não sei. Talvez a única coisa que eu não saiba é como as folhas mesmo secas continuam grudadas entre os dedos do pé, como os troncos descascam quando as árvores estão a ponto de cair ou apenas o real motivo de ter ou não que sair daqui. Eu não sei. Algumas vezes, cheguei a me sentir sufocado pelas minhas próprias mãos. Foi como estar perdido dentro de uma estória que precisava ser reescrita toda vez que fosse lida. Eu juro que tentei permanecer acordado depois de tudo isso, juro mesmo, mas não foi possível. Estou parado no mesmo lugar há cinco noites sem dormir, o barulho das ondas parece fazer parte do meu silêncio. Já não consigo pensar em nada que não seja o grande vazio do mar. Um dia, talvez eu esteja dentro dele descansando para sempre do enorme cansaço adquirido ao longo da minha tortuosa vida. Talvez eu só o sinta pelos pés assim como faço com as folhas ou talvez eu nunca sinta. Não tenho coragem de entrar, parece ser tão fundo e vazio quanto eu. A temperatura ultrapassa o próprio inverno e toda vez que ameaço entrar meus dedos formam pequenos furações de pele na ponta. Perdi toda a esperança de sair desse lugar. Toda essa floresta parece não ter mais fim. O mapa na areia indica que os portões ficam ao sul e o pico onde deveria estar a imagem do anjo fica ao leste, não há mais direção nas outras direções. Meu destino é morrer na beira. Meu destino é morrer na areia. Meu destino é morrer na praia. Meu destino é morrer no alto. Meu destino é morrer. Meu destino é. Meu destino? Meu destino é morrer no vento. Meu destino é morrer por dentro como venho morrendo desde a primeira parte. Eu não me importaria se meu outro eu fosse um selvagem, eles não morrem. Ficam eternizados no tempo como parte da história. Todos amam histórias, por que não me amariam? Acho que nem eu mesmo me amo tanto assim. Como alguém poderia amar outro alguém que não sabe o que é o amor? Amor deve ser só mais um dos vários motivos para a dor. Que dor? A minha. E por que dói? Perdi alguém. Quem? Eu mesmo. Como se perdeu? Eu não me lembro. Para quem estou respondendo essas perguntas? Como sabe que está respondendo essas perguntas? Eu não sei. Este é o primeiro e o último capítulo da minha vida. Tudo que eu sei é que no final dele o que vai restar são as questões argumentando como foi possível ter vivido sem sopro de vida. As pessoas feitas de barro receberam um, eu fui feito de areia. Meu destino sempre foi morrer na praia, eu sempre soube disso tanto quanto soube que não sabia nada. Estendi o corpo na horizontal com a cabeça virada para a lua e deixei com que a água me sentisse primeiro. Permiti que a maré me abrasasse de forma completa levando meu corpo em partes para mais perto. Finalmente estou dentro. Não consigo respirar, mas pela primeira vez sinto meus pulmões cheios de algo verdadeiro. Como você imagina a escuridão? A minha é só escura com borrões pretos de várias tonalidades. Com o final de cada ciclo restava apenas a espuma branca e salgada na superfície. Da mesma forma que ela some quando acaba o fluxo, eu sumo quando termina o livro. Agora sim. Estou morto para você e para mim.
❤️ MARINA AND THE DIAMONDS | PART 3: "THE ARCHETYPES" ❤️ #marinaandthediamonds #thearchetypes