Tive o privilégio de visitar o Bastardo, desta vez, motivada pelo The Fork Fest. Excelente iniciativa que permite a visita a alguns restaurantes e usufruir de 50% de desconto nos pratos. Sem ementas especiais para o efeito, podemos escolher o que quisermos e obter um simpático desconto no final (podem usufruir da promoção até dia 13 de Novembro).
O Bastardo não é novidade para mim. É mesmo um dos meus restaurantes preferidos, para além da vista para o Rossio, tem uma decoração fantástica, cheia de pormenores deliciosos (desde as cadeiras coloridas dos Eames, às Andorinhas do Bordalo, aos quadros com frases provocatórias). O Bastardo é o restaurante do Internacional Design Hotel e acomoda-se muito bem no edifício. Apesar de ser restaurante de hotel é despretensioso, os empregados são bastante atenciosos, mas descontraídos (os ténis all stars dizem isso mesmo).
Começámos a petiscar o couvert, a mítica caixinha de Legos com variedades de pão, e uma manteiga de beterraba no meio. Houve ainda um pequeno mimo do Chef, com salmão, para abrir o apetite ao Ceviche que estaria a chegar.
Optámos pelo Ceviche de Bacalhau (11 €) para entrada. É ligeiramente menos ácido do que aqueles que costumamos comer, mas delicioso. Cheio de ervinhas frescas e um molho de base, limonada, que acaba por envolver todo o prato.
Para pratos principais, o porco venceu: o Porco à Colher (12 €) e os Quatro Pês (16 €).
Porco à Colher faz jus ao prato em si. A carne é incrivelmente tenra e desfaz-se facilmente. Só é pena que a crosta não fosse crocante, porque tudo o resto era perfeito. É um prato doce, mas que acaba por resultar na conjugação de todos os elementos. É um excelente prato para o Inverno, aquece-nos a alma. O puré de cherovia (a famosa pastinaca) era muito suave, não havia nem um grumo e mal o consegui dar a provar à companhia.
Os Quatro Pês, para além do porco, trazia o polvo, um prato bem composto e bem empratado, que mal provei por estar tão agarrada ao meu Porco à Colher. Já tinha provado polvo outras vezes no Bastardo e este manteve-se fiel aos anteriores, muito macio, obviamente, acompanhado com um puré não tão suave como o meu de cherovia, mas que, desta forma, dava outra textura ao prato.
É claro que depois deste rol de pratos, já mais do que satisfeitos, pedimos uma sobremesa, a Tasquinha do Lagarto (6 €), mais refinada que a original, com as framboesas, mas fiel à original na mousse de chocolate, decadentemente a cair num dos cantos do bolo. Talvez com um sabor mais amanteigado não tão do meu agrado, mas no geral muito boa.
A Sangria Branca (20 €) veio estragar-nos um pouco a conta, mas era bastante generosa – 1,3 L – e acompanhou-nos ao longo de todo o jantar.
O Bastardo é um restaurante para as ocasiões especiais, não podemos cometer a loucura de lá ir quantas vezes gostaríamos, mas nunca desilude. Aqui sabemos que podemos encontrar sabores diferentes, surpresas do Chef, a simpatia dos funcionários, a decoração desconcertante e a vista lisboeta.