@thekingxtitus + álcool.
“Lola, são peixes, não são?” Proferiu de forma meio enrolada para sua cadela, quase encostando o rosto no vidro. Levantou os óculos escuros em busca de enxergar as cores, mas tudo o que via eram algumas formas coloridas e sem sentido. Se movimentavam de um lado para outro e Ceyda acompanhava com os outros, ficando um pouco tonta com o movimento. “Azul, vermelho e preto?” Não tinha certeza, porque há muito havia deixado de confiar no sentido da visão. Abaixou os óculos novamente, as mãos segurando a guia de forma firme, confiando parte de sua estabilidade ao animal. “Lola, tem raias também?” Estreitou os olhos, em busca de enxergar algo mais, mas era inútil... Assim como beber demais em um dia útil pela tarde. Havia deixado uma reunião bastante irritada e parou direto em um bar. Era algo que fazia quando a saudade de Abigail batia mais forte, porque era para ela quem corria quando as coisas não iam bem e queria desabafar, no entanto, mesmo após os anos da morte dela, Ceyda ainda não conseguia se habituar a perda. Não parecia real que uma alma tão brilhante houvesse simplesmente deixado o mundo. Não parecia certo. E uma vez bêbada, foi a outro lugar que lembrava Abigail: o aquário. Estar ali fazia com que pensasse que a qualquer momento pudesse esbarrar com ela, sentindo-se jovem novamente em busca da amiga mais velha que sempre tinha os melhores conselhos e o melhor abraço. Continuou a andar meio desajeitada pelo lugar, já tendo desistido de seus sapatos altos, deixando-os em algum lugar no qual não se lembrava. Certamente parecia muito patética quando descalça e bêbada, mas não se importava. Estava concentrada demais em não chorar de saudades de Abigail para se importar com a opinião dos outros. Tão concentrada que acabou por soltar da guia de Lola, indo em outra direção e esbarrando em alguma coisa... Alguém? Imediatamente Ceyda olhou para o lado, identificando a figura amarela como sendo Lola e agarrando a guia novamente. “Não pode me dizer que não pode cachorros aqui!” Ergueu um dedo para a pessoa, já irritada. “Não é um simples cachorr...” E então percebeu que reconhecia aquele homem. O cheiro era salgado e ele parecia azul (ou verde?) de alguma forma que Ceyda não sabia explicar. “Titus.”, proferiu, o desgosto evidente na voz. “Já estou de saída.” Avisou, o tom arrastado. Apesar das palavras, não fez menção nenhuma de se mover.
















