Sua cadeira de mogno parecia conter espinhos naquele momento enquanto o príncipe mantinha dois dedos em cada têmpora de sua cabeça. A população belonesa não aceitava a presença dos bárbaros islâmicos em seu território, cada dia que passava havia-se uma reclamação diferente em cada condado de invasões muçulmanas. Henrik guardava dentro de si uma enorme fúria que seria depositada na parte infiél da família. Em sua frente, sentava-se seu primo mais novo, talvez o mais sensato dos filhos de Kaaj, ainda que tivesse que tomar cuidado com ele. Não era um rapaz inócuo como Mihail, Henrik conhecia a sombra nos olhos dos homens quando as via e Stoyan possuía muito mais disso do que da compassividade do jovem rei. ♚ — Não é um futuro muito distante. Pelas cartas dos ducados e até de alguns condes, a situação de intolerância anda de mal à pior. Se não fizermos nada, logo nossos soldados serão usados para apaziguar a população e evitar que destruam á si próprios e à nossa economia. ♚ E isso era a pior coisa que podia acontecer à qualquer nação. Exércitos deviam ser usados para conquista de território, não para impedir que o próprio povo se voltasse uns contra os outros. ♚ — É absolutamente indispensável que evitemos algo do tipo. E se há algo que funcionou e ainda funciona em grandes nações, é emburrecer a população e oferecer-lhes banquetes para que esqueçam das problemáticas que cerceiam sua rotina. Ao menos, enquanto Vossas Majestades não entrem em um consenso sobre nossa situação atual. O que acha de um sacro festival católico em comemoração à um santo qualquer, meu primo? Podemos pedir auxílio à Vossa Eminência sobre qual santo deverá ser homenageado durante à semana do festival, isso pode até mesmo acalmar os ânimos de vosso cardeal e melhorar nossas relações com a Santa Igreja por um pequeno espaço de tempo. ♚