27 de fevereiro de 2013
Por Thiago
Meu último bloco com capítulos havia chegado e eu evitei a leitura. Ler me faz perceber que está acabando. No entanto, não me importo em passar horas dentro de um estúdio. Não me importo em virar a noite trabalhando.
Marjorie e eu gravamos às 4h da tarde e agora já são 9h30 da noite, ainda gravaríamos mais uma cena, e considerando a minha companhia, não posso reclamar.
— Vem cá, Marjorie! – Puxo-a para dançar, a abraçando pela cintura, a faço rodopiar enquanto canto. — Ouça-me bem, amor. Preste atenção, o mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos. Vai reduzir as ilusões a pó.
— Ah... Para Thiago. - Ela apoia a cabeça em meu ombro, bagunça os meus cabelos e começa a rir. É contagiante. — Já chega!
— Olha – Encaro-a nos olhos — , se você continuar com má criação, eu vou chamar outra para fazer par romântico comigo.
— Oh, olha aí a Zezé para fazer par romântico com você. – Fecho a cara momentaneamente, evitando o seu distanciamento murmuro junto a sua orelha.
— Vem cá, sua boba, a gravação, Marjorie, a matéria para o Vídeo Show, esqueceu?
— Grava com a Zezé, ela vai adorar fazer a Laura, não é? – Suas mãos estão espalmadas contra o meu peito, nos afastando um pouco.
— Marjorie, depois não reclama. – Afago seus dedos e a faço olhar para mim. — Eu chamei você.
— Eu sei... - Ela ergue o rosto, seus olhos castanhos me avaliando. — Amo você por isso.
— Não foge, não... Eu quero gravar com você.
— Não me pede isso não, Thiago, por favor, você sabe que eu, nós não... – Marjorie não gosta de ser o centro das atenções. Eu entendo o seu receio. Queria que pudesse ser diferente, mas ainda não é. — Eu vou retocar a minha maquiagem e encontro você no estúdio depois, está bem? - Ela sorri gentilmente.
— Tudo bem - Concordo com um simples aceno de cabeça e a vejo se distanciar. Zezé me observa com olhar cumplice. Sou incapaz de lhe dizer algo. A câmera do programa já focava nossos rostos, então a abraço aperto e pensando ser Marjorie, recomeço a cantar. — Ouça-me bem, amor. Preste atenção, o mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos. Vai reduzir as ilusões a pó.
— O Thiago faz par romântico comigo, eu gosto de fazer a Laura, me sinto leve e solta né, Thi?
— A vida é um moinho... – assinto e continuo a cantar enquanto Zezé prossegue em seu monologo particular.
— Olha gente, o Edgar...
— Teus sonhos tão mesquinhos...
— Queridíssimo!
— Vai reduzir...
— Vai falar um pouquinho da novela.
— As ilusões a pó.
— Como é que a gente tá triste finalizando a novela.
— Ah minha filha - Delicadamente, me afasto dela. —, não me fala, eu não tô pensando nisso.
— Não tá, não. – Zezé arregala os olhos para mim. Aproveito e comento algo corriqueiro do meu dia, infelizmente não posso mencionar a gravação de hoje cedo. Marjorie me mataria.
— Hoje, Lázaro chegou para mim, falou assim: você já leu o último bloco?- Junto as mãos. — Eu falei: Não. Que isso Thiago, já chegou. Eu falei: não vou lê.
— É... é porque é triste, é muito triste.
— Porque se eu ler, perceberei que está acabando.
— É muito chato, não é?
— Chato, né?
— Me fala é...
— Principalmente assim: é chato quando tem gente legal.
— É sim, não dá para negar que o nosso elenco é maravilhoso.
— E a gente só dá sorte, sempre que eu trabalho com você é uma experiência maravilhosa.
— Não falei que ele é um querido?
— Eu tô falando sério. – Relembro da nossa parceria em O Profeta. Eu era tão jovem, atuação crua, praticamente um estreante, com peso imenso nos ombros — a responsabilidade de protagonizar uma novela — ouvir seus conselhos me ajudou muito. Por isso, encaro-a surpreso quando ela elogia a evolução do meu trabalho e brinca diante da câmera:
— Ele era uma pessoa mais séria, mais profetizada.
— É... bem mais – Rio. —, hoje eu sou uma pessoa largada no mundo.
— Hoje ele é um janota!
— Agora, vocês veem, pessoal – Deslizo os dedos entre os cabelos. —, olha, olha o nível do cabelo da pessoa que já tá...
— Alisado.
— Não, agora já não tá mais alisado. – Mostro o pulso, mesmo ausente de relógio, indicando a hora. — Eu gravei quatro horas da tarde com cabelo alisado, agora já são nove e meia da noite
— Não, ele é assim... – diz Zezé com meio sorriso.
— Ainda vamos começar a gravar aqui, e vai ter que voltar e retocar tudo. – Bagunço os cabelos, os prendo para trás e soltando-os em seguida, gracejo. — Aí o pessoal do Vídeo Show pode ver como fica o Edgar no meio do caminho.
— Entre uma coisa e outra, porque o cabelo dele é enrolado, gente, assim como o meu – completa Zezé, levando a mão ao turbante branco que prende seus cachos.
— Assim... assim como dela.
— É muito...
— Mas é verdade, é verdade – concordo, com aceno de cabeça.
— É muito louco – diz por fim, rindo.
— Mas é verdade – reafirmo. —, se deixar ele solto, ele fica exatamente assim.
— É, agora que a gente já soube de toda a verdade, obrigada.
—De nada. – Olho para ela com falso ar de indignação. —, era só isso que você queria comigo?
— Era.
— Zezé, você me usa e-
— Quer cantar alguma coisa? – Não respondo. Mantendo o tom sério e chateado, resmungo:
— E me manda embora?
— Na-não, canta alguma coisa – insiste ela, abrando-me pelo ombro.
— A Zezé, ela faz isso com as pessoas...
— Canta, canta, canta a vida é um moinho? – Enquanto ela faz caras e bocas para a câmera, eu a encaro austero.
— Pessoal do Vídeo Show, gostaria que vocês soubessem disso: Essa pessoa, Zezé é uma pessoa que faz isso, ela chama, vem cá, meu amor , meu querido, fala não sei o que... Tá, já falou, vai embora.
— Para... mentira! – Não consigo conter o riso, Zezé parece um pouco chateada com a brincadeira, por isso me despeço dela com um beijo carinhoso na bochecha. — Menino, você é...
— Um querido, eu sei...
— Então, meu querido, eu vou indo porque já devem estar me esperando no estúdio.
— Não deixa, não Zezé... Não deixa o Thiago convencer você!
— Olha aí a sumida... Você não ia me esperar no estúdio? – Marjorie revira os olhos, sem me responder. Ela está pronta e linda na pele de Laura. — O que foi, encrenca, não vive sem mim? – Contendo minha vontade de beijar seus lábios, contorno sua cintura e andamos abraçados.
— Marjorie, nós acabamos de gravar uma matéria muito divertida, não é Thiago, conta para ela.
— Eu? Eu não, conta você. – As duas se entreolham, posso ver curiosidade nos olhos de Marjorie. Sorrio enigmático.
— Ele não falou do cabelo dele, falou?
— Espera... Como você sabe? – pergunto.
— Meu bem, você é tão previsível.
— Previsível?! Eu... Zezé, olha isso, agora eu sou previsível.
— Você é... – Ela pisca e dá um passo para trás, contemplando a nossa imagem. — Vocês, dois são.
~*~
Fecho os olhos, molhando o rosto com a água que escorre entre os dedos. Que demora! Onde ela está? Estou começando a ficar com os dedos dos pés enrugados de tanto esperar nessa banheira. Ah... nossas cenas na banheira.
— Nossa, Marjorie... depois eu que sou o atrasado.
— Fui buscar o seu suco ou melhor do Edgar – explica, enquanto puxo a para mais perto. Ela sorri. — Não tenho culpa se esqueceram desse detalhe e um suco ruim não seria do seu agrado.
— Você provou?
— Provei, por quê?
— Por nada.- Eu me curvo e dou um beijo demorado nela. Ela se afasta, receosa.
— Thiago!
— O que foi? – Mantenho minha mão esquerda em seu rosto e o acaricio. — Não posso dar um beijo de agradecimento?
— Não, não aqui, não antes do gravando. – Acho graça do jeito encabulado dela.
— Ok, não sabia que ainda tínhamos essas formalidades, para mim...
— Para você o que?
— Eu podia beijar você quando quisesse – falo, buscando seus lábios. Está com gosto de suco de morango. Meu corpo inteiro reage com a aproximação da sua boca na minha. .
— Para Thiago, eu já disse: agora não.
— Está bem, eu já entendi – ofego entre o seu pescoço e orelha. —, agora não, mas depois?
— Quem sabe... – Marjorie consente, levantando-se de súbito para ficar na posição inicial de cena. Obrigo-me a concentrar também e não misturar realidade com ficção. Ao sinal do diretor damos inicio a gravação.
Eu a observo entrar em cena com o copo de suco em mãos.
— Trouxe para você – oferece ela, sentando-se de frente para mim.
— Obrigado – agradeço, pegando o copo de suas mãos.
— Para você relaxar – diz tocando o meu ombro de forma cautelosa. —, achei seu dia meio complicado.
— Ah, um pouquinho. – Baixo o olhar, brincando com a água, Marjorie larga o pires na bancada a sua frente e toca minha mão.
— Mas você sabe que sempre pode piorar. – Bebo um gole do suco e olho para ela com ar desanimado.
— Pior que hoje é um pouco difícil, né? – Largo o copo sobre a bancada do lado aposto ao dela, e suspiro.
— Como assim Edgar, muito fácil ficar pior do que hoje – Ela fala animada, erguendo as mãos próximo da cintura. Massageei-o a pálpebra, irritada pela água.
— Acho que eu estou sem imaginação, porque eu não consigo imaginar.
— Tá... – Inclina-se, sorrindo, na minha direção. — Então vamos começar pelo simples: terminou tudo bem, não foi?
— Tá bom, já me convenceu. - Pego a sua mão e desenho círculos enquanto ela discursa com a outra, com o indicador em riste.
— E a gente podia ter que passar por isso, um sem o outro.
— Impressionante como você consegue provar rápido o seu argumento.
— Sou uma moça esperta! - Eu a admiro. Contemplo cada traço, linha curva do seu rosto. O sorriso mais radiante que o sol.
— Não, não você é uma mulher excepcional, incrível como você conseguiu perceber tudo. Se não fosse por você, Laura, a Melissa ia tá...
— A Melissa tá ótima. – Inclina-se na minha direção com os olhos fixos nos meus, acaricia o meu rosto e cabelos. Suspiro diante do seu toque, rápido e sutil. — E a sua ideia!? De mandar aqueles dois para longe... – enfatiza, sorridente. — Edgar, você é um homem excepcional! - Suas mãos estão postas na lateral do meu rosto, e meu ato reflexo imediato é simplesmente receber o beijo. Curto e rápido. Nã- não...Não pode ser! Como quem lê meus pensamentos, Marjorie volta a me beijar.
— Nós dois somos imbatíveis, essa que é a verdade e olha que eu já percebi isso, oh, a muito tempo, você que é meio lenta.
— Lenta?! – fala próximo da minha boca.
— É, meio lentinha, sim... um pouquinho lentinha. – Continuo-a provocá-la. Sem afastar nossos lábios, ela faz o mesmo.
— Eu vou falar para a Melissa que você me chamou de lentinha. - Seus dedos estão presos ao meu cabelo, puxando-os com força.
— Ah, vai falar é. – Gemo em apreciação, e meus lábios encontram os dela, sentindo sua pele macia na minha. — Você gosta muito dela, né?
— Vocês dois são a minha família.
— Ah é, então vem cá... – Seguro a cintura dela, puxo-a para perto do meu corpo e a beijo. Minhas mãos molhadas escorregam pelo seu corpo. Marjorie aperta os dedos ao redor do meu pescoço. Contraio os quadris, gemendo em sua boca. Ela eleva o corpo, apoiando as mãos na borda da banheira, os lábios dela se abrem, aprofundo o beijo. O desejo me consome, me absorve.
~*~
Ela sai da banheira me oferecendo ajuda para fazer o mesmo. Estendo a mão e seguro a dela. Estaria tudo bem, não fosse a malicia em seus olhos e a ereção que pulsa em mim.
— Quer uma tolha? – pergunta, jogando uma em minha direção. Sorrio. Marjorie está tentando manter a distância entre nós, e por isso mesmo me aproximo.
— Gostou do presente?
— O q-eu? Que presente, Thiago?
— Da cena... Eu estou falando da cena, que a Cláudia escreveu especialmente para a gente, Marjorie – a observo corar. — O que você achou que era? – Estou próximo dela. Posso ouvir a respiração ofegar junto dos movimentos bruscos que faço ao me secar. Ela está atenta a cada movimento meu. — Mah... Você não vai me responder?
— Eu acho melhor eu ir trocar de roupa, essa aqui está molh-
— Espera... – puxo-a pelo braço, parando em frente dela. — Porque a pressa, Mah, você não vai me responder, não? – sussurro me divertindo com os olhares curiosos a nossa volta. Câmeras e demais equipamentos eram guardados enquanto Dennis dispensava a todos.
— Ah... Você está se achando, não é Thiago, só porque pode me chamar de lentinha em cena, mas saiba que o lento aqui, continua sendo você – rebate ela com deboche, parando de secar o cabelo. — O fato de a Cláudia ter escrito uma cena para você não muda em nada o que eu falei, ouviu?
— Humm... É impressionante, Marjorie, como você fica ainda mais linda com ciúme. – Enrolo minha toalha na cintura, ciente dos seus olhos sobre mim.
— Ciúme, eu?
— Ciúme, sim... – Recebo um roupão das mãos de Marcinha, que entrega outro para Marjorie. O visto rapidamente, dando um nó na cintura, sem desviar o foco da nossa conversa. — A Claudia não escreveu a cena para mim. Escreveu para nós dois. Nós dois somos imbatíveis juntos, essa que é a verdade, entendeu o recado ou quer que eu desenhe?
— Não, não precisa... - Ela desvia o olhar, irritada. — Eu não que-ro.
— Tem certeza? – Levanto o seu queixo e dou um beijo delicado em seus lábios. — Foi tão bonitinho, meu amor, você errando o seu discurso – falo em tom de deboche, levando a mão ao peito. — E o prêmio de melhor marido vai para Thia-go, opa, Edgar Vieira.
— Hã... Você ainda quer receber o seu prêmio, Thiago? - O rosto dela está iluminado, os cabelos úmidos, o roupão entreaberto me deixa ver a roupa ainda colada ao corpo, os olhos cheios de cobiça e desejo. Ah... Thiago você está perdido, completamente perdido...
— Meu prê-mio? Que prêmio, Marjorie?
— O seu, você esqueceu? – cochicha em meu ouvido, coçando minha barba com os dedos, ela conta o que planeja. Fecho os olhos, sentindo seus lábios percorrer do meu lábio inferior ao queixo, descendo pelo pescoço e colo onde minha pele está exposta.
— Porra Marjorie, o que você está fazendo?
— Beijando você, meu bem, não lhe parece obvio? – Suas mãos brincam com o nó do roupão, até o desfazer, deixando cair no chão. Ela para de me beijar e me encara. Seus olhos brilhantes me despem.
— Isso eu sei, querida... Não sou burro... Quero saber o que você pretende com isso? - Expondo o seu desejo, ela desliza as mãos até o cós da cueca boxer, pondo a mão por dentro, ela toca gentilmente o meu membro já ereto, liberando-o.
— Quero tudo... Eu quero você. Eu quero tudo com você, Thiago, eu não vou parar até conseguir tudo. – Isso soa tão prazeroso e estimulante aos meus ouvidos. Ah, Marjorie... Uma onda de prazer percorre o meu corpo enquanto ela continua estimulando a minha ereção.
— Não desejo que você pare – gemo na sua boca. — Eu não quero que você pare por nada. – Meu sangue ferve nas veias. Estou ardendo. É impossível parar. Eu preciso dela. Beijo-a intensamente. Seus dedos se perdem no meu cabelo enquanto a devoro. Abraçada a mim, Marjorie corresponde a cada um dos meus beijos, alimentando o meu desejo. Eu a quero nua.
— Eu preciso... – Ela geme, a língua enroscada na minha.
— Precisa, o que? – ofego, girando-a de costas para mim. Afasto o seu cabelo do ombro e começo a desabotoar o vestido.
— Eu preciso ligar para o André – Ela para, de repente, de frente para mim. Estou desnorteado. Confuso demais para compreendê-la.
— André!?
— André Câmera, o diretor, eu pedi um favor a ele – explica ela, buscando o celular escondido na gaveta do mobiliário do cenário.
— Não sabia que você trazia o celular para a gravação.
— Shh... cala a boca – ordena, selando os meus lábios com um beijo casto. — André, você conseguiu... Ah, obrigada! Brigadão, eu fico devendo essa, muito obrigada.
— Hã... Brigadão, André – cerro os dentes ao falar — , eu fico devendo essa. – Sorrio irônico, sem disfarçar o meu incomodo. — Que intimidade é essa, hein?
— O que foi, Thiago, você e a Marcinha podem ter intimidade, André e eu não? - Ela suspira frustrada, e revira os olhos só para me provocar. — Vamos? Nós podemos ir.
— Ir? Ir aonde, eu posso saber? Aonde você está me levando, Marjorie? – Eu cato meu roupão do chão, chateado, e o visto novamente.
— Você já vai saber. Vamos?
~*~
— Para Marjorie, não tem graça, o que você está fazendo?
— Não olha, por favor!
— Eu já disse que não preciso dessa venda, eu não vou olhar.
—Sei... Você não me engana, eu conheço você – Ela me conhece. Eu olharia se pudesse. Não sei o porquê de tanto mistério, mas eu estava prestes a descobrir. Só preciso ser paciente. Tento dizer isso ao meu subconsciente. Ah... é impossível! — Você pode abrir os olhos agora – Ela sussurra ao tirar a venda dos meus olhos.
Pisco para me adaptar a luz do ambiente. Eu reconheço o lugar. É familiar demais para mim e para ela também. É o nosso lugar. É o nosso cenário ideal ou seria dos nossos personagens – Laura e Edgar. Não consigo deixar de pensar, ser também o nosso lugar. Quantas cenas nós gravamos aqui.
Eu a beijei pela primeira vez aqui e... Bem, agora a tenho seminua em minha frente. Estou com a nítida sensação de ter parado no tempo e no espaço. Seus olhos são como luas cheias de desejo, e eu gravito ao redor. Contornando sua face com os dedos, lentamente pouso um beijo em seus lábios.
— Achei que eu fosse despir você.
— E você vai. – Ela sorri, parando subitamente de desatar o seu roupão. Nossas testas estão unidas, a respiração falha e ofegante pelo calor do beijo e do momento.
— Você não entendeu, eu quis dizer a rou-pa - Tenho meu raciocínio interrompido por um beijo sôfrego e urgente. Minhas mãos se apressam em desfazer o nó do roupão, que cai feito nuvem de fumaça aos seus pés, revelando o seu corpo quase nu.
Aperto a contra os meus braços, a faço girar, deixando suas costas coladas em meu peito. Afasto os cabelos para o lado para tomar pose do seu ouvido e beija-lo. Livre do sutiã, ela exibe os seus seios pequenos e belos. Os mais belos que já vi e agora posso acariciar.
— Impressionante como você pensa em tudo mesmo, Marjorie.
— Ah... eu penso – Prendo seu cabelo com uma das mãos, deixando o seu pescoço exposto, para os meus beijos. Seus olhos estão fechados, a cabeça quase apoiada em meus ombros.
— Pensa, eu sei o que você pensa, sei o que você quer - Sinto a sua pele arrepiar com o meu toque. Eu a quero. Quero a levar para cama. Para nossa cama.
— Ah...eu penso, Thiago, eu quero ter você bem dentro de mim - Sinto a ereção no meio das pernas aumentar, livro-me da cueca e da peça que me impede de senti-la por inteiro. Com agilidade, transpasso os dedos nas laterais da calcinha, puxo-a para baixo lentamente, deixando a completamente nua, ergo-a nos meus braços. — Thiago! – a faço rir com um misto de preocupação no olhar. — Eu esperei tanto por esse momento.
— Eu também, meu amor. — Sequer sei de onde tirei tamanha força e habilidade para cumprir o curto trajeto que nos distanciava da cama. Talvez seja o meu desejo insano, o culpado.
Coloco-a delicadamente na cama, olho para as camisinhas postas na mesinha de cabeceira ao lado da cama e quando me viro para encarar Marjorie, ela está sorrindo com os olhos de volúpia, o que me faz agir com um único propósito.
Estico o braço e pego uma das camisinhas, envolvo meu membro com o látex, ciente de que estou sendo observado. Isso é excitante. Provocativo. Erótico.
— Você vai ficar aí só me olhando?
— Porra, Marjorie, não estraga o momento. – Eu permaneço de joelhos sobre o colchão completamente estático. Perdido. Atônito. — Eu...não
— Thiago - diz ela após um instante, me chamando a razão. — Faz amor comigo – Ela me faz inclinar sobre o seu corpo. Quando sua boca toca a minha, não consigo mais resistir, agarro seus quadris e a trago para mim. Meu tesão só aumenta. Nunca me senti assim, tão duro, tão pronto para meter com uma mulher como estou agora.
Ela segura o meu roto com as mãos e retribui o meu beijo com fervor. Seus lábios são vorazes, sua língua se enrosca com a minha, fazendo o meu sangue fluir e o coração bater mais rápido.
Minhas mãos deslizam pelo seu corpo, buscam suas curvas, desço os lábios no pescoço, deixando um beijo longo e molhado em seu ombro.
Sigo desbravando com a palma da mão cubro seu seio e o caricio com movimentos circulares, puxo o mamilo e o sinto enrijecer com a umidade dos meus lábios sobre eles.
Beijo com delicadeza, depois sugo com força. Ela geme, contorcendo os quadris, envolve meu pau duro dentro dela.
Gosto disso. Preciso disso. Preciso de mais. Quero mais.
Prendo a respiração e paro de beija-la para encarar seus olhos em êxtase. Deus, como pode ser tão linda e gostosa. Seguro suas pernas entorno dos meus quadris. Saio lentamente de dentro dela, depois meto de novo, de novo, e de novo, desta vez com mais força.
Ela agarra meus cabelos e geme as iniciais do meu nome enquanto as ondas do orgasmo percorrem o seu corpo. Movendo-se na minha direção, eu a sinto afundar em mim.
Flexiono os quadris, pressionando a ereção nela. Ela fecha os olhos e geme alto e ofegante. Repito o gesto, e dessa vez ela se esfrega em mim, falando impropérios em meu ouvido
— Porra, Marjorie! – Sem controle, flexiono os quadris, pressionando ainda mais a ereção nela enquanto a observo arfar. Sentada em mim, movendo-se rápido para frente e para trás, ela é incontrolável.
Aaaah
A sensação é indescritível.
— Eu sou seu, Marjorie. Seu. Todo seu. - Desisto de tentar controlar, afundo os lábios em seu pescoço e me deixo levar. A deixo guiar. A cama range com o ímpeto dos movimentos. Com o ritmo frenético dos nossos corpos suados.
Eu a abraço apetado, mantendo nossas tetas unidas, afasto os cabelos dos seus olhos e a faço me encarar
— Você ouviu o que eu disse?
— Humm... – ela ofega, sem desviar o olhar. — Você é meu, eu sei.
— Sabe?
— Sim... Sei, eu sei... Sempre soube.
— Sempre soube?
— Sim, sempre.
— É bom ouvir isso. Vo-cê...
— Não fala. Me beija. Só me beija, Thiago, só me beija. – Obedeço com prazer. Meus dentes arranham seu queixo quando procuro seus lábios e sua língua num beijo doce, quente e apaixonado, nós dois nos esfregando um no outro, em movimentos opostos perfeitos, gerando uma fricção que é prazerosa e torturante ao mesmo tempo.
O calor aumenta e queima entre nós, faz Marjorie cravar as unhas e deslizar sobre a minha pele, deixando um rastro avermelhado sobre as minhas costas.
Ignoro o leve desconforto, fechando com mais força meus dedos sobre a sua cintura, arremeto-me para dentro dela com mais intensidade e ela corresponde de igual medida, na mesma proporção.
— Ah... Marjorie... Fechos os olhos, inclinando a cabeça para trás sinto o ápice tomar conta de mim. — Eu vou gozar – alerto. Levando os lábios até o lóbulo da minha orelha, ela o morde. Lambe. Instiga. Provoca.
— Aaah, vai?!
— Vou! – Gemo dentro da sua boca, colocando a mão em seus cabelos, aprofundo o beijo puxando sua boca para um ângulo em que minha língua enrosque na sua.
Em um segundo, viro a de costas para o colchão, deito sobre ela com toda a virilidade e rapidez, faço a cama ranger e a ponto de sair do lugar.
— Ah, Thiago! – Ela grita. De satisfação. De entrega.
Gozo e a faço gozar de novo. Com todo o prazer, tiro o atraso de meses sem sexo. Isso é demais. É inebriante. Me sinto exausto, porém feliz. Muito feliz.
Ficamos um por cima do outro por mais alguns instantes, ambos recuperando o folego. Quando os batimentos dentro do peito voltaram ao ritmo natural, nos entreolhamos satisfeitos, completos e felizes.
— Eu amo você. - Com um beijo na sua testa, saio de dentro dela e descarto a camisinha no chão, na lateral da cama. Sei que não podemos ficar por muito tempo aqui, mas me afastar de Marjorie esta noite não está nos meus planos.
Então, puxo o lençol para nos cobrir e adormeço com Marjorie acolhida em meus braços num abraço aconchegante.
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Nota da Autora:
Oi, meus amores!
Espero que tenham gostado do tão aguardado e esperado momento. Especialmente da forma como foi descrita e do cenário escolhido. Achei que não haveria lugar melhor do que este. Onde acompanhamos o amor Laured, nascer, crescer e se desenvolver.
Como escrever é um processo solitário, preciso contar que incialmente este momento não estava programado para acontecer agora, e sim no final da história. Mas roteiros mudam, ideias surgem em meio ao processo de escrita, e escrever para mim é sinônimo de liberdade.
É libertador. É gratificante quando os personagens parecem tomar conta de mim e da história como um todo. Por mais que planeje, todas as vezes que paro para escrever as linhas se descrevem diferente do planejado.
Então mudei, as rotas e meus planos iniciais para esta história. Contudo o que eu tinha planejado como “primeira vez Thirjorie” está mantido, com adaptações, é claro, já que não estamos mais falando de um primeiro encontro.
Ps1: A entrevista de Thiago e Zezé Barbosa ao programa Vídeo Show , pode ser vista no GloboPlay, através do link, aqui!
Ps2: Eu voltei a ler E. L. James e seus romances que me inspiram, então qualquer mera semelhança com a escrita dela, não é coincidência.
Ps3: Para aqueles que talvez esperam uma narração de Marjorie. Sim, nós teremos!











