por mais que karan amasse sua vida na califórnia, voltar para casa em istambul sempre o deixava mais feliz. sentia saudades da avó, do irmão, e a cidade por si só já era o suficiente para que ele quisesse retornar. porém, nem tudo era um mar de rosas. nas últimas vezes que estivera lá, sua avó parecia empenhada a conseguir uma mulher turca para ele, ou nas palavras da própria sumer boras: “tem que ser uma boa moça, boa família, nada daquelas californianas interesseiras que você tem arranjado”. veja vem, ela não estava inteiramente errada. karan tinha um péssimo gosto para mulheres, fossem elas americanas, europeias ou turcas. todos os pés na bunda que levou ou os golpes não o fazia gostar mais da ideia da avó, ainda mais porque ele sabia que toda aquela história era apenas para prende-lo num casamento.
❝ olha só para você! ❞ sumer exclamou e se aproximou para ajeitar a gravata do neto. ❝ lembre-se da educação que eu te dei e não desperdice essa chance, karan ❞ apesar da voz autoritária, ela deu uns tapinhas carinhosos nele. ❝ você é minha única esperança de ter bisnetos, seu irmão não me ouve nem em caso de vida ou morte ❞
de fato, yaman não escutava ninguém, o que apenas contribuía para o posto de neto perfeito que karan tinha de aguentar. era por isso que sempre acabava fazendo o que sumer falava. uma vez que os pais tinham os deixado, ele precisava ser o chefe daquela família e isso significava fazer todos felizes e bem cuidados, mesmo que às vezes esquecesse de si próprio em prol da avó e do irmão.
❝ você está reclamando? imagina um mini-yaman, é uma visão aterrorizante! ❞ brincou. karan se virou para pegar seu celular e a carteira antes de se despedir da avó. ❝ relaxa, nine. prometo aproveitar a chance para tentar fazer uns bebês, só não prometo conseguir. ❞ piscou na direção dela e foi em direção ao carro sem realmente ouvir o que a avó disse, apenas captando alguma desaprovação em sua voz.
karan dirigiu por quase vinte minutos para chegar no local do encontro. era um restaurante bonito com uma energia bem intimista. ele informou sua reserva e foi direcionado a mesa. todas ofereciam bastante privacidade e todo ambiente tinha uma luz baixa, romântica. era meio exagerado, se alguém o perguntasse, mas ele sequer tivera a chance de escolher o lugar. quando sumer decidia as coisas, era difícil dissuadir a senhora.
enquanto a moça não chegava, karan começou a responder mensagens do trabalho. não existia hora apropriada com ele que 90% das vezes colocava a empresa em primeiro lugar. talvez por isso jamais conseguisse parar com uma mulher, era difícil competir com o celular. dessa vez, ele tinha prometido à avó que aquilo não seria um problema e cumpriria sua promessa assim que a desconhecida chegasse. para seu azar, logo alguém tentava chamar sua atenção.
❝ hm, asli? ❞ sério, karan? esse é o melhor que pode fazer? ela era muito mais bonita do que esperado. ele abriu um sorriso, guardou o celular no bolso e se levantou para cumprimentá-la. bonita e cheirosa também, pensou. ❝ karan boras, é um prazer. ❞