「 KYBREE — I’LL BE THERE FOR YOU 」
Os dias se passavam e Aubrey ficava cada vez mais surpresa com tamanha naturalidade de seus colegas, como se não estivessem horrorizados com a doença que rodeava Hogwarts e com as notícias nos jornais. Mas era assim, seu pai havia dito várias vezes que adolescentes se sentem indestrutíveis e imortais até algo realmente ruim acontecer com eles. Dava pra ver que isso era fato, sendo que até mesmo alguns professores andavam fingindo que estava tudo bem, que não tinham medo do que provavelmente estava por vir.
É, para Aubrey Whitelaw as coisas pareciam fora do padrão. Inclusive sua amizade com Kyle Giacomelli.
Já fazia algum tempo desde que ele começara a demonstrar um comportamento esquisito, da mesma maneira que alguém fica quando precisa falar alguma coisa e aquilo simplesmente fica preso na garganta. Queria dizer que era apenas uma paranoia de sua parte, que ele nunca deixaria de contar as coisas pra ela porque tinha medo de perder a amizade do mais novo. Ainda estava torcendo para conseguir lidar com a futura separação dos dois, sendo que no ano seguinte ela iria para a universidade e ele completaria os anos em Hogwarts. Estava fora de questão esconderem qualquer porcaria que fosse um do outro. Então veio a maldita pulga atrás da orelha, cutucando a grifana incessantemente e insistindo para que questionasse mais.
De natureza questionadora, não escapou naquele fim de tarde.
O salão comunal estava quase vazio, seus colegas se dirigiam lentamente aos dormitórios enquanto conversavam. Só que o jovem Giacomelli estava ali parado, olhando pra ela como se soubesse que ela precisava falar com ele. A loira caminhou até o melhor amigo sem pudor, os olhos analisando o rosto do rapaz de forma a tentar perceber o que tinha deixado passar. Respirando fundo uma última vez, parou em frente a ele.
— Por que você anda tão estranho? — Perguntou inicialmente, não demorando para completar o que tinha a dizer. — E por favor, nem vem dizer pra mim que tô imaginando coisas, que você tá normal ou qualquer coisa do tipo. Pois nos últimos dias mal nos falamos, e isso se deve a sua pessoa se isolando pelos cantos. Sempre andamos colados e agora estamos distantes o suficiente para que eu consiga me sentir na permissão de perguntar o que exatamente está acontecendo com você, Kyle. — As palavras? Eram bruscas, até demais quando se tratava deles dois, que sempre se falavam com carinho. Todavia, o tom de voz suave e calmo da loira tornava tudo mais aceitável. Esperava que tivesse uma resposta.










