· 、 ♡ THE DUCHESS: 𝒔𝒂𝒙𝒂 𝒘𝒆𝒔𝒆𝒍𝒕𝒐𝒏 ❜ BUN IN THE OVEN
Ao abrir os olhos camas enfileiradas com lençóis brancos e estrados de metal se amontoavam a sua frente. Ainda era dia, já que os raios de sol ainda adentravam as janelas fazendo pequenos espaços se iluminarem com a luz quente e amarela. O cheiro esterilizado era apenas o último prova que precisava para chegar a conclusão de onde estava: Na enfermaria. Para alguém que se gabava de nunca ter visto o interior da enfermaria como paciente, Saxa estava tendo aquela visão bastante frequentemente nas últimas semanas.
Ela se ajeitou na cama, puxando o corpo para cima, tentando verificar as avarias que a levaram a desmaiar. Mas ao se sentar, não sentiu dor alguma, nada parecia fora do normal e ela se sentia completamente bem, bem o suficiente para se sentir confusa por ter desmaiado. Desde muito nova, a loira confiava demais nos poderes de cura que tinha e por isso abusava de bebida, de situações perigosas e minimizava qualquer acidente que pudesse ser uma complicação, estava acostumada que seu corpo apenas…. fizesse o que ele fazia e então tudo ficava bem.
Será que ela havia perdido seus poderes? Será que tinha a ver com sua ida a floresta? Ou com a cúpula?
“Você acordou!” Comemorou uma voz, interrompendo o fluxo de pensamentos da duquesa. A figura de cabelos loiros acinzentados e bastante magra agora não era mais estranha. Era a mesma enfermeira que havia visto depois que tinha seguido as vozes da floresta, mas agora a mulher parecia bem menos preocupada, animada até. “Como está se sentindo, querida?” A voz era maternal ao mesmo tempo que analítica e bastante profissional.
“Você disse isso da outra vez.” Murmurou a duquesa, como se a acusasse de alguma coisa além da falta de originalidade.
“Bem, você estava desacordada.” Devolveu a mais velha, sem sombras de ter se chateado, apenas anotando algo em sua prancheta mas parou quando notou que Saxa não tinha respondido o resto de sua pergunta e lhe direcionou um olhar significativo.
“Eu estou bem… Não sei porque desmaiei. Me sinto ótima.” A irritação escondia o medo que suas breves análises tinham a levado a acreditar. O fato de seus poderes serem um problema pra sua família não queria dizer que ela não os queria. Se sentia estranha apenas com o pensamento de que eles pudessem ter desaparecido.
“Está tudo bem, recebemos muitas pessoas depois do Dia do Amor verdadeiro. Mas você até que durou bastante. Deu entrada as onze, não é? Me diga o que sentiu antes de desmaiar?”
“Tontura, náusea… Um pouco de falta de ar.” Ela listou o que se lembrava, tinha dificuldade de expressar os sentimentos em palavras porque não os sentia normalmente, ou pelo menos não tão intensamente a ponto de fazê-la desmaiar.
“Você ingeriu bebida alcoólica ontem a noite?” Perguntou, em um tom profissional, como se ela não estivesse julgando, embora Saxa soubesse que estava.
“Sim, mas não tanto. Não o suficiente para desmaiar pelo menos.” O tom era birrento e revirou os olhos, afinal ela tinha bebido bem menos do que o normal, era verdade.
“Quando foi sua última menstruação?” Perguntou ignorando o tom da duquesa e seguindo a lista de perguntas de sua prancheta.
Saxa abriu a boca para responder de pronto quando percebeu que não se lembrava.
Por outro lado, se lembrava da conversa que tinha tido com Autumn em que ela previa um bebê em seu colo e Saxa empalideceu de súbito. Ela tinha prometido que iria a enfermaria, mas então ela perdeu completamente a coragem no caminho, acreditando nas palavras da menina quando ela disse que podia ser algo para o futuro, um futuro bastante distante.
Ela não sabia quais as definições de Autumn para futuro, mas não tinha sido o suficiente.
“Entendo…” Foi tudo o que a enfermeira disse antes de se levantar. “Vou pegar um pouco de seu sangue e misturar em uma poção. Se ficar azul você não tem nada a se preocupar.”
“E se não ficar azul?” A voz da Weselton se quebrou, reflexo de um arrepio que lhe fez estremecer por inteira.
“Vamos ver uma coisa de cada vez, sim?” A enfermeira continuava com aquele tom paternalista que fazia a loira querer gritar.
Observou a enfermeira preparar alguma coisa que tinha um aspecto verde musgo bastante opaco e gosmento e então, quando chegou a parte da seringa, a loira se encolheu. “Parece até que nunca tirou sangue antes…” Brincou a enfermeira, fazendo a menina trincar os dentes.
“Eu não gosto de agulhas.” Disse somente, sem conseguir tirar os olhos verdes das mãos da mulher que manuseava a seringa em direção a poção.
No momento que as gotas de sangue caíram no líquido, a poção começou a reagir. De repente, a poção se tornou clara e transparente, fazendo com que ela conseguisse enxergar do outro lado do vidrinho, a poção agora era cristalina, fluída como água mas rosa. Rosa pink.
“Parabéns, Srta. Weselton. Você está grávida.” Conforme os segundos iam passando e a menina não dizia nada, a enfermeira apenas entendeu a sua deixa, colocando o frasquinho com o líquido rosa, muito rosa em cima da mesa que ficava de frente para a cama da duquesa antes de sair. “Vou te deixar descansar um pouco.”
Aquilo era um pesadelo. Ela não podia estar grávida.
Bom, tecnicamente ela podia já que tinha múltiplos parceiros e camisinhas não são mágicas ou indestrutíveis. Mas não era justo que aquilo acontecesse justo com ela. Justo quando finalmente tinha um noivo que era seu amigo e podia dar a vida com a liberdade que sempre sonhara.
Não tinha nem doze horas que Louis tinha lhe pedido em casamento, em frente a fonte das declarações, um pedido piegas se não tivesse sido tão eles não houve declarações de amor, mas juras que eles respeitariam a individualidade um do outro e prometiam nunca magoar um ao outro. Como ela podia então, dizer que estava grávida de outra pessoa?
Se ele rompesse o noivado por causa de sua gravidez, o que seria dela? Uma nobre, com o título incerto graças as traições de seu pai e avô, em seu terceiro noivado falhido, esperando um bastardo de um pai que ela sequer tinha ideia de quem era.
O líquido rosa parece encará-lo, como se a pressionasse, não, como se a acusasse!
Ela não era mãe nem a cinco minutos e ela já tinha feito tudo errado. Aquela criança não tinha uma família, não tinha nem sequer um conto, já que se Nikkie não herdasse o título de duque, eles estavam fadados ao esquecimento muito em breve. Tudo o que ela tinha era ela mesma e por mais miserável que ela estava se sentindo agora, um sentimento estranho se sobrepunha a todos eles.
Tinha algo na ideia de ter uma criança dentro de si, alguém que pertenceria a ela e que dependeria dela que acalentava suas necessidades mais egoístas e obscuras: A de não mais se sentir sozinha.











