—Tenho certeza que sim. — Concordou coma loira, ainda que ela optasse por não mostrar seu lado não tão bom para os outros, visto que todos esperavam apenas a bondade vindo dela, tinha expectativas demais sobre os ombros. Muitas dessas expectativas haviam sido criadas pela própria Stornieren, mas ela sequer enxergava mais isso a esse ponto, estava apenas tentando se contentar em ser o meio termo, não frustar as expectativas de ninguém. —Eu acho ótimo que tenha tido a iniciativa de tentar algo sem minha ajuda, isso é um bom indicador. — Elogiou ainda que sequer soubesse o resultado final, ainda era uma ótima notícia de que a loira havia se interessado o suficiente para que tentasse cozinhar lago mais. Acabou por rir quanto ao comentário sobre sua paciência, pensando que talvez devesse agradecer a família que tinha por ter tamanha paciência ao lidar com os outros. —Claro! Eu adoraria, sabe o quanto gosto de cozinhar e você é uma boa companhia, ao menos quando segue as ordens que eu dou. — Brincou coma Imrense, ainda que aquilo não estivesse longe de ser a mais pura verdade. E seria ainda melhor no momento atual ensinar a maior quantidade de coisas possíveis para a futura mamãe, ela certamente iria apreciar ter aqueles conhecimentos mais tarde, fora que aprender a cozinhar lhe trazia certa independência, sem ter a necessidade de acordar criados no meio da noite por exemplo. —Nunca li, mas tenho certeza de que se tornarão mais úteis mais pra frente, bem, eu nunca fui mãe antes, ainda que pretenda ser no futuro, mas sempre gostei muito de crianças, então, posso lhe dar algumas dicas caso precise e lhe ajudar nos primeiros meses após o nascimento. — A empolgação no tom da Schnee era visível, provavelmente era o mais animada que alguém havia a visto nos últimos meses, parecia até mais empolgada do que a gestante em questão. —Não se preocupe, eu vou lhe ajudar com tudo, Brooke tem me ensinado esse novo sistema de organização, tenho certeza de que posso fazer funcionar para você também. — Assegurou a Weselton, com um sorriso reconfortante, como se quisesse dizer que tudo ficaria bem e não havia com o que se preocupar. Por estar tão animada e com mil ideias correndo por sua mente, ela sequer se deu conta da tosse e o que foi dito entre ela, já passava por sua mente tudo que tinha de planejar para ajudar a amiga. —Torço para que quem não quer estar envolvido, nãos eja o pai da criança, ou isso seria um grande problema… Mas você não tem sequer ideia dentre suas opções de quem realmente é? — Não perguntou com a intenção de julgar, mas com real curiosidade de como a loira poderia ter tantas opções e não ter qualquer certeza sobre a paternidade do próprio filho. Mas logo tratou de sorrir outra vez, para assegurar que não era fardo algum se encarregar de tudo aquilo. —Não é fardo algum, como eu disse, gosto desse tipo de coisa, acho que já deu para perceber… Você planeja ter outros filhos no futuro também? Na verdade, acho que deveria começar com outra pergunta, você já quis ser mãe? Sei que agora não tem realmente uma opção, mas…
Assentiu com a cabeça uma vez, quase envergonhada de estar sendo elogiada pela tentativa de cozinhar sozinha. Se elas fossem ser amigas, Anika iria precisar entender que a loira não estava acostumada com elogios sinceros, ainda mais elogios que a valorizavam como pessoa, como se ela tivesse acertado. Saxa tinha essa mania de diminuir as próprias qualidades, como se não fosse nada, e se definir pelos seus defeitos e pelos seus vícios era só mais fácil ser vista e conhecida por seu pior lado, tinha sido assim sua vida inteira, e era só diferente estar perto da Stornieren e se sentir completamente o oposto do que costumava se se sentir. “Olha só, toda mandona! Gostei de ver!” Elogiou a loira, como se visse as pequenas garrinhas do lado de fora e gostava do que via, e a verdade é que sim, gostava mesmo de ver esse lado mais assertivo da morena, fazia com que ela sentisse que podiam ser parecidas em algo. Quando o assunto voltou para sua gravidez, Saxa não teve dificuldade alguma em imaginar Anika mãe de uma quantidade imensa de crianças. “Bom, quando o dia chegar quem sabe você não me procure para procurar dicas, huh?” Até onde a loira sabia, não haviam muitas grávidas por acidente em Aether, o que podia querer dizer que a Kjersti era a primeira a engravidar entre o grupo das meninas, a primeira a passar por todas as sensações e problemas, mas que pelo menos teria algum tipo de experiência para compartilhar quando a vez das outras chegasse. “Consigo te ver tão bem nesse papel, sabe? Você seria uma mãe realmente incrível.” Quando mencionou que Brooke estava ensinando métodos de organização sentiu um arrepio em sua coluna, e por mais que aquilo fosse desnatural para ela ela se viu concordando. “Acho que vai ser legal.” Ela precisava de organização na sua vida. “Bem, eu acho que é até melhor. Seria terrível alguém que não quer se envolver ficar por obrigação.” Deu de ombros e então suspirou, pensando nas possibilidades. “Bem, talvez. Mas não dá pra dizer ao certo até a criança nascer e todos que quiserem descobrir testar uma poção de paternidade. Eu não faço questão de ter ninguém que não queira estar na nossa, então se todos os que testarem derem negativo será só eu e esse bebê contra o mundo.” E por mais que soasse triste, Saxa quase preferia essa alternativa do que ter que dividir a sua criança com alguém. “Ah, eu sempre soube que teria que ter filhos. Quando Njord e eu estávamos noivos isso era meio que uma certeza, mas eu sempre achei que teria bebês e Carmela, que foi minha babá, assumiria toda a responsabilidade. E era um plano para o futuro, quando estivesse casada e o bebê significasse a continuidade da coroa e não assim eu sempre achei que se algo assim acontecesse eu teria, sabe, interrompido a gravidez. Mas quando aconteceu eu só... Não consegui. Shantal tinha sumido, toda a cúpula impedia de que outras pessoas recebessem poções então foi meio que... um azar muito grande. Mas não, acho que nunca me vi maternal de qualquer forma.” Resumiu, porque sabia que rumores sobre a sua falta de atenção com as poções contraceptivas era algo real pelos corredores. “E você? Como imagina esse momento pra você?” Nunca tinha perguntado isso para nenhuma de suas amigas, de modo que estava realmente interessada na resposta.