Introdução - Prefácio / O FIM DE PRONTERA
Introdução – Sobre ter 11 e 19 anos
Os hobbits eram grandes quando eu tinha 7 anos.
Haviam provavelmente meia dúzia de Harrys e Hermiones marchando pelos parquinhos do Morumbi durante a Páscoa daquele ano. O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien e ainda mais A saga Harry Potter, de J. K Rowling, eram tremendamente populares naquele tempo e, embora eu nunca tenha passado por Woodstock, acho que fui no mínimo meio-bruxo-elfo. O suficiente, sem dúvida para ter lido a coleção de ambos escritores e me apaixonar por elas. Os livros de Vida, como a maioria dos romances fantásticos escritos pelos homens e mulheres da minha geração, tiveram suas raízes nesses mundos.
(Estou ciente de que em Vida existem muitos outros universos mesclados e compactos de forma que eu não ousaria esquece-los assim, mas acredite, caro leitor, eu não faço de propósito. Assumo agora que eles são sim um pouco mais secundários, mas nossos personagens mais autorais são sempre o maior destaque. Me desculpe por isso otakus e otomes de plantão. Eu também já fui da bancada de bandana na testa e lámen no coração.)
Mas embora eu tenha lido a coleção de Rowling entre 2006 e 2008, demorei a escrever. Reagi (e com um fervor algo tocante) ao ímpeto da imaginação de Rowling – à ambição de sua história -, mas queria escrever uma história do meu jeito embora tivessem outros tantos universos envolvidos, e, se tivesse começado naquela época, teria escrito no dela. E graças ao senhor Tolkien, o universo mágico e apaixonante de Harry Potter teve todos os duendes e magos que precisávamos para começar.
Em 2008 eu tinha tantas ideias na minha cabeça que não sabia nem por onde eu deveria começar. O meu universo de Vida finalmente tinha casado todas as suas pontes. Os mundos se conversavam e toda aquela confusão louca geek tinha sua política compacta e não mais fragmentada. Planetas foram nomeados, criaturas foram criadas (sério, mesmo sendo leitor, você não faz ideia de quantas foram!), tipos de energia, culturas inteiramente novas e maciças, era tudo quase que palpável. Agora eu precisava escrever a história em cima disso, e era por isso que em 2008 eu não fazia ideia de que rumo os Pronterianos iriam levar, não fazia a menor ideia do tipo de história que poderia escrever, mas no fim das contas, não importava; confiava que ia reconhece-la quando ela cruzasse comigo na rua.
Tinha 11 anos e arrogância (uma combinação perigosa na cabeça de quem sabe usar os dois, e eu posso dizer que pelo menos a parte dos 11 anos eu não dominava nada bem. Nem sequer conversava como se tivesse essa idade). Sem dúvida arrogância o suficiente para achar que podia cozinhar um pouco minha inspiração e minha obra-prima (eu tinha certeza de que seria algo assim). Acredito que dos 11 aos 19, a pessoa tem o direito de ser arrogante; pois o tempo ainda não começou a realmente fazer a grande diferença e nem a apresentar suas furtivas e infames subtrações. Quando se tem 19 anos, a gente deixa se levar os cabelos e o poder de explosão. Eu não sabia que ia ser assim quando era criança, mas é verdade. A gente sente que nada é capaz de parar a gente se tivermos condições para deixar isso acontecer. Agradeço os meus pais e aos meus amigos por ter feito tudo isso possível para mim. Dezenove é a idade em que você diz: Cuidado , mundo, estou fumando TNT e bebendo querosene, por isso, se você sabe o que é bom pra você, saia do meu caminho!
Ainda no inverno de 2008, quando fiz as revisões das enciclopédias de meu universo (um amontado de papeis de caderno dobrados e amassados em meu bolso), consegui fazer meu primeiro rascunho de Vida ficar pronto. Na época, meu olho brilhava. Eu me sentia um gênio, mas hoje quando pego esses documentos antigos, vejo o quão imperfeito eles são, mas não aceito e nem tenho vontade de concerta-los e fazer deles, perfeitos de novo, já que daqui há alguns anos, eu mesmo vou rever minhas introduções, textos e contos e vou achar um monte de erros nela. Como um escritor, para toda a vida, vivo vendo imperfeições em minhas próprias perfeições passageiras.
Por tanto, hoje às vezes cometo o suicídio de colocar certos rascunhos de lado, com tudo que ele tem de ruim, para amadurecer. Algum tempo depois – seis meses, um ano, dois anos, realmente não importa -, consigo voltar a ele com um olhar mais frio (embora ainda amoroso) e dou início à tarefa de rever. E ainda que cada livro da série de Vida fosse revisto como entidade separada, consegui realmente ver a obra como um todo ao terminar o último rascunho de O Fim de Prontera.
Quando torno a olhar para os primeiros rascunhos, que agora você tem acesso, três verdades evidentes se apresentaram. A primeira foi que O Olímpo havia sido escrito por uma criança muito jovem e tinha todos os problemas de uma criança muito jovem. A segunda foi que continha uma grande quantidade de lapsos e falsos pontos de partida, particularmente à luz dos volumes que vieram depois. A terceira foi que O Olimpo não era sequer parecido com os últimos contos – era, francamente um tanto difícil de ler. Com muita frequência eu me ouvia me desculpando por ele, dizendo que, se as pessoas perseverassem, veriam a história encontrar sua verdadeira voz em A Era RESK, onde Lucas me ajudou a enxergar verdadeiro potencial na brutalidade da coisa.
Em determinado ponto de O Olimpo, Peter é descrito como o tipo de homem que alinharia quadros em quartos de hotéis desconhecidos. Eu mesmo sou esse tipo de cara e, até certo ponto, isso é tudo que reescrever significa: endireitar os quadros, passar aspirador no chão, esfregar os banheiros. Executei muitas tarefas domésticas no transcurso desta revisão e tive a oportunidade de fazer o que qualquer escritor que fazer com um trabalho que está pronto mas ainda precisa de um polimento e uma regulada: simplesmente fazer direito. A partir do momento em que você sabe como as coisas funcionam, você deve isso ao leitor potencial – e a você mesmo: volte e ponha as coisas em ordem. Foi o que tentei fazer aqui, tendo sempre o cuidado de impedir que algum acréscimo ou alteração deixasse escapar os segredos ocultos nos últimos capítulos do ciclo, segredos que, em certos casos, venho pacientemente guardado a nada menos do que 8 anos.
Antes de encerrar, gostaria de dizer algumas palavras sobre o homem mais novo que se atreveu a escrever O Fim de Prontera. Os textos vão demorar para ficar bons, já que pelo próprio rascunho, vejo tremenda dificuldade de fazer os leitores entender tudo que se passa em cada parágrafo, mas darei o meu melhor.
Seja como for, não quis sufocar ou mesmo alterar demais o modo como a história fora contada: apesar de todos os defeitos, ela tem seu próprio encanto, acho eu. Alterá-la de forma muito radical seria repudiar a pessoa que escreveu pela primeira vez sobre o cavaleiro da armadura vermelha no final da primavera de 2009, e isso não quis fazer.
O que realmente quis fazer – e, se possível, antes de saírem os últimos capítulos da série – foi dar aos recém chegados à história da Guilda Pronteriana (e aos velhos leitores que quiserem refrescar suas lembranças) um ponto de partida mais claro e um acesso ligeiramente mais fácil ao mundo de Hashirama. E se você for um dos que jamais visitou o universo estranho no qual Prontera se move com seus amigos, espero que desfrute as maravilhas que encontrará por lá.
Mais que qualquer outra coisa, eu quis contar uma história de espanto. Se você se descobrir caindo sob o feitiço de Jenova, mesmo que só um pouco, vou considerar cumprido meu trabalho, que começou em 2008 e, no geral, acabou em 2012. Hashirama, contudo, seria o primeiro a salientar que tal intervalo de tempo não significa grande coisa. De fato, quando alguém ainda está à procura de um cubo que pode salvar o universo, o tempo é um assunto que não tem absolutamente nenhuma importância.
Muito bem, acabou o comercial. Você conhece a vinheta...
Seja bem vindo Pronteriano, nós somos a sua família agora.









