(texto de chamada da sessão)
ERZA B.
Quando Erza se deitou, ele sabia que não estava sonolento. Simplesmente perdera o foco total sob a consciência. A sutil e a grotesca.
Seu corpo afundou no catre estreito. Olhou o quarto uma última vez. A persiana de uma janela ao lado da cama tecia uma trama de sombras sobre o cômodo.
Respirou fundo e sentiu medo quando mergulhou na percepção flutuante.
Ele sequer abrira os olhos, mas podia ver claramente a vastidão horrenda que era aquele mundo. Os relâmpagos rasgaram o céu, várias camadas de nuvens se revelavam escuras como se emergissem da própria terra. O grande ribombar rolou o solo, ecoou em montanhas rochosas e pontiagudas ao longe. À sua frente, estendia-se uma praia rochosa e escura, com um mar fétido de enxofre.
O som do trovão o alcançou mais parecendo um enorme grito de fúria.
Também não precisava de andar. Toda vez que o cenário parecia criar uma forma nítida, ele se alterava, borrando e avançando em direção a uma enorme caverna. Não tinha controle algum. Estava sendo levado por uma mente que o dominava.
Um sopro de frio o atravessou quando sua consciência mergulhou na escuridão da caverna. Nenhuma luz penetrava ali
"Eu sinto a sua dúvida, e ela é poderosa."
A voz vinha de todos os lados da caverna. Rochas e cristais vibraram em resposta. Pendiam e emergiam ecoando aquela voz trevas adentro.
Erza venceu o medo. Pedira por isso. Era sua chance.
Sobre a saliência estreita do que podia ser um túnel da caverna, o padawan sentira, mais propriamente do que vira, uma sombra sair daquele corredor congelante.
"Uma grande perda motiva sua raiva e ela alimenta seu poder. Mas, como posso confiar em você, se aquele que matou sua amada permanece meu seguidor mais leal? "
Já sabia para onde aquela conversa estava indo. Talvez aquela própria projeção astral forçada fosse o teste em si. Havia mesmo uma dualidade em seu caminho, e sabia que era isso o que o fazia verdadeiramente forte. Ele não está em conflito com sua tempestade interior. Esse é o lado sombrio da força. Ele é a tempestade.
Deu o comando da fala. Sentiu-se autorizado.
"O poder verdadeiro está em suas mãos, Ibrian."
E então ela apareceu. Com seu corpo quebrado e inclinado, envolto em um véu que caía até sua cintura cadavérica. Seus olhos azuis brilhavam como safiras cravadas em um crânio sem pálpebras.
Houve um movimento ao redor deles, pessoas emergindo das sombras das rochas como pilares. O cavaleiro escuro e outros dois estranhos se juntaram à cena.
Enquanto Erza encarava Star Killer com um misto de raiva e determinação, a cena ao redor, de repente, era de devastação. Os corpos dos membros da Blue Pegasus jaziam espalhados pelo chão em torno deles, testemunhas mudas da crueldade do assassino.
"Por que está me mostrando isso?" - ouviu-se choramingar.
O corpo revirado de Narima tinha suas entranhas lhe escapando por um enorme rombo na altura do abdômen. Encontrou os olhos do garoto e, dessa vez, foi ela quem disse:
"Sua vontade em servir meus desígnios será mais forte que um luto brutalmente forjado?"
Erza não aguentou. Tentou fechar os olhos mas a visão não desaparecia.
"O que você quer que eu faça?!"
Os olhos da profetiza faiscaram em propósito diante daquela submissão. Como um golpe, Erza foi acometido por um transe indomável. Podia supor o dormitório da guilda de estudantes Zeta Bart, em um corredor cheio de portas, a terceira à direita tinha um nome talhado: SUGA.
"Eu lhe enviarei um mestre. Você será doutrinado no caminho dos Sith. Mas antes… traga-o para casa. Traga Damian de volta!"