×× "This is War" || Tomas&Brandon ××
A festa era o último lugar onde queria estar, por isso decidiu se trancar em seu chalé e esperar todos irem embora para poder ir pegar seu jantar. Sua vontade de sair da cama era quase nula, os cobertores e o colchão acolhiam seu corpo frágil como bons e velhos amigos. Acalmando a pequena criaturinha que gritava dentro de si. As horas se passaram lentamente, parecia até que Cronos estava a brincar com o ruivo. Não iria se admirar de descobrir que o deus ria dele em seus inúmeros pedacinhos espalhados pelo Tártaro. Os olhos claros finalmente se abriram depois do que pareceram horas. Resistindo ao impulso de somente virar para o outro lado e agarrar novamente os braços de Somnus, o jovem levantou-se lentamente. Seus membros protestaram com o primeiro esforço do dia, valeria à pena mesmo tudo aquilo? Sua barriga gritou em reclamação. Sim. Teria que ir. O chão frio sob seus pés o fez estremecer. Pegou um camiseta que estava jogada na beirada da cama e a vestiu; ainda descalço, procurou uma jeans limpa e rapidamente a colocou.
No segundo em que saiu do quarto, desejou não ter feito. O caos reinava no Acampamento. Semideuses espalhados pelo campo lutavam contra monstros. Monstros reais. Espere, o que estava acontecendo? As dúvidas borbulhavam na mente de Brandon e ele voltou rapidamente para a segura de seu chalé, fechando a porta. Era real ou apenas uma simulação? Um treinamento? Em toda a sua estadia ali, embora não tenha sido muita, aprendera que os exercícios não envolviam monstros. Então porque agora estavam ali, ele não sabia. Xingou e amaldiçoou todos os deuses que conseguia lembrar o nome, não tinha conhecimento de quão grave era a situação porque não ouvira seus companheiros gritando. Apenas o silêncio costumeiro reinava. Como uma ilusão de que tudo estava bem. Respirando fundo, decidiu enfrentar a realidade. Ele tinha divino correndo em suas veias. Por mais que fosse de uma deusa pacífica, agora ele precisava lutar.
Reunindo toda a sua coragem – que a propósito não era muita. – e abriu a porta novamente; parte de si esperava que tudo tivesse sumido e a visão das lutas fosse apenas um desvaneio. Mas não. Ali continuam a batalhar, a brigar por suas vidas e para proteger o lar. Não sabia o que fazer, já começava a sentir o pânico querendo dominá-lo, mas não, agora não era a hora. Ele tirou o anel do dedo e este transformou-se em Gungnir. Agora nada melhor do que a lança, ao menos assim conseguiria se proteger. Ele avistou uma dracaenae vindo em sua direção. A ideia de se trancar novamente correu por sua mente antes que, por reflexo, atirasse a lança na criatura. A arma cortou o ar com um zunido surdo e acertou em cheio a cabeça da criatura que se desfez em pó amarelo. Na sua visão periférica viu alguns campistas terem a mesma reação e em menos de alguns segundos, um pequeno redemoinho com as areias amareladas se formavam no chão e lá estava o monstro novamente. Erguido como se não pudesse ser vencido.
O garoto correu para pegar a lança assim que o pó onde antes se encontrava a dracaenae começara a se movimentar. Ele correu como se a sua vida dependesse daquilo…e bem, realmente dependia. O que não esperava era encontrar um ciclope no meio do caminho. O estranho sorriu para o ruivo que atirou Gungnir novamente, acertando-o também. Ah, que bela vantagem ter uma arma enfeitiçada. Contudo, um calafrio percorreu sua nuca como um aviso silencioso. Virou-se rapidamente e deu de cara com outro ciclope, este não parecia feliz por Theo reduzir seu companheiro à meros grãos dourados. Desarmado, tudo o que pôde fazer foi dar um passo hesitante para trás. A criatura investiu contra o ruivo e deixou um arranhão profundo em seu braço esquerdo. A dor que o assolou era perturbadora. Porém ele não desistiu. Apressou o passo para sua lança e a pegou assim que os restos do ciclope morto se mexeram. Em um movimento rápido, atirou-a contra o outro e o matou. Pegou-a de volta e correu. Não. Não poderia fazer isto. O que tinha na cabeça para achar que poderia lutar? Precisava se esconder. Suas pernas trabalharam para levá-lo longe dali, para um local seguro. Mesmo que fosse covarde de sua parte, era melhor do que morrer. Não arriscaria a vida por nada. Pelo menos era o que pensava. E foi então que o viu. Parando estático no meio da batalha sem se importar se seria atingido ou não, olhava impotente para o filho de Afrodite. O rapaz lutava bravamente contra um Manticore e dois Minotauros. A probabilidade dele vencer era quase inexistente e isto porque Brandon estava tentando ser positivo. Sem notar, marchou na direção de Tomas. Mesmo que não soubesse como reagir, precisava fazer algo, precisava ajudá-lo.












