[26/05/2026] [Fragmento]
Saudade de tudo que existe.
Saudade de nada.
Porque tudo que ainda existe,
não virou saudade.

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[26/05/2026] [Fragmento]
Saudade de tudo que existe.
Saudade de nada.
Porque tudo que ainda existe,
não virou saudade.
[28/05/2026 8:43] [AUTOFICÇÃO]
Depois de uma dúzia de noites banhadas a álcool, madrugadas frias viradas à base de joelhos se encostando pra esquentar, é normalmente quando me abro e decido mostrar aquela banda lost media de quinze anos atrás.
Aquela que eu ouvia nos momentos mais tortos.
Aquela que estava lá na primeira vez que me apaixonei.
“Enquanto a noite cai eu posso ser o que você quiser,
bem mais que isso.
Afinal, o que fazer se tudo acabar agora?
Pode até ser o fim,
se nos resta ao menos ir embora.
Enquanto o mundo dorme,
a gente acorda.”
Eu não sei se estou carente porque pensei em você
ou se pensei em você por estar carente.
Novamente meu encontro com o espelho:
a visão turva,
a fuga da origem emocional.
Inverto os passos,
piso no vácuo,
me torno seu ponto cego no escuro.
Queria subjugar a saudade.
Lhe dar uma lição.
Colocá-la no devido lugar.
Queria ser um filho da puta.
Um puta de um cuzão.
Queria te fazer chorar.
Queria poder te abraçar.
Queria ver seu corpo tremendo a um palmo do meu rosto.
Mais uma daquelas histórias do que não foi.
Do desejo sem vazão.
Das conversas ambíguas.
Dos corações partidos e amizades fissuradas.
O estreito vislumbre do pouco que soube aproveitar enquanto existia.
Me dá uma chance.
Uma de mudar o mundo.
Uma daquelas em que dobrar a aposta é a diferença entre se afogar ou romper o mergulho de uma cachoeira.
Penso em caminhos, portas, luzes acesas.
Penso em Halsey. Sour Candy. Twenty One Pilots. Lana. Breezeblocks.
"Please don't go,
Please don't go"
Mas você já foi.
[05/2026] [NOTAS]
Uma parte minha queria brigar, provocar, começar conflitos.
Queria lançar frases factuais, revelar momentos e histórias que teoricamente provariam que eu sou uma pessoa melhor que você e que não mereço destrato.
Mas tudo se resume a isso:
eu não mereço ser tratado dessa forma.
Não é vaidade.
Não é supervalorização egocêntrica.
É só eu finalmente me reconhecendo depois de tanto tempo me anulando como alguém que nunca aprendeu a dizer não.
Mas dói.
Dói não ter controle de nada.
Dói o impeditivo de falar, porque já não existe mais ninguém disposto a ouvir.
Dói a culpa constante no alvoroço da busca por entender o motivo e não encontrar pecado algum que justifique tudo isso.
Eu não deixei de ser seu amigo.
Não traí sua confiança.
Nada disso faz sentido.
Porque ao mesmo tempo eu ainda acredito que esse contato fraco que você tenta manter nasce de alguma culpa espelho.
[FEVEREIRO 26]
De certa forma me sinto em débito com você.
Algo que talvez ninguém mais entendesse. Ou entenderia, se eu compartilhasse, só não vejo necessidade.
Você sempre me tratou bem, inclusive quando ficamos.
Não houve love bombing, não houve excesso de carinho. Pelo contrário, havia uma distância nítida, mesmo existindo também um desejo igualmente nítido.
Sua confusão era óbvia.
E, te conhecendo, sabendo da sua situação, eu não julgo isso de forma alguma.
Se fosse qualquer outra pessoa confusa por perto, mesmo sem julgar, eu manteria o desinteresse.
Com você foi diferente.
Ser tratado com dignidade depois de uma longa lista de pessoas que passaram pela minha cama e não foram exatamente corretas mexeu comigo.
Não é obsessão. Até a tendência à dependência emocional tenho trabalhado pra não deixar virar dependência.
Acontece algo mais simples e humano.
Eu sei que mereço ser tratado com dignidade.
Eu só não lembrava mais como era isso.
Então fui tratado com dignidade e, a partir disso, voltei a desejar ser tratado assim novamente.
Nem é uma relação direta com sexo.
Até a possibilidade de nunca mais haver sexo não me parece indignidade.
A forma que se fecha uma porta faz toda a diferença.
Dito tudo isso, tenho receio de que a amizade padeça. Que não exista mais interação suficiente pra reforçar em mim essa percepção de que mereço coisas boas — e também de que eu poderia retribuir isso de alguma forma.
É difícil.
Porque eu sei que essa necessidade de acreditar que mereço coisas boas não deveria depender da aleatoriedade da vida nem de reconhecimento externo.
Isso deveria ser algo inato.
Mesmo nos piores cenários, eu jamais deveria duvidar que mereço coisas boas.
Tenho trabalhado muito nisso.
Me observado, pesquisado, estudado, praticado.
Um passo de cada vez.
Não estou habituado com as ferramentas que me permitem viver sem essas amarras e vai levar um tempo até que tudo isso se torne natural.
Talvez só então eu consiga baixar a guarda de verdade.
E apenas com a guarda baixa poderei ser eu mesmo.
[13/05/2026] [AUTOFICÇÃO]
Somei as palavras fora de tom, os discursos mesquinhos e as ideias ambivalentes.
Justo quando comecei a acreditar que havia regulado meu senso de justiça, quando achei que tinha me livrado do papel de vítima.
Ciclos sem retorno, passagens obsoletas, e eu permaneço seguindo pelos mesmos caminhos, como se pegar um desvio fosse imoral.
Se você tocou a minha vida eu vou dar uma chance a mais, mesmo quando o desconforto bate, quando o pescoço aperta e eu corro o risco de prolongar uma ferida aberta.
Sei que isso é papel de otário. E eu o faço.
Algumas pessoas são luz pra mim.
Mas, sem querer permanecer estagnado num mesmo cenário, às vezes qualquer luz no fim do túnel pode ser um trem na contramão.