Sobreviventes do indie 2000: uma playlist
Se você tem entre 35 e 50 anos provavelmente viveu a era em que a música se movia por arquivos chamados de MP3. O formato de arquivo de áudio comprimido mudou a indústria musical permitindo que milhares de ferrados como eu pudessem gravar e distribuir seus álbuns através de um computador ligado a uma internet de 10mb. Mais que isso, a distribuição e acessibilidade do MP3 nos deu a sensação de um espirito de comunidade, uma ilusão de que aquela incompreensão que sentíamos artisticamente era apenas uma questão geográfica e que no momento em que as ruas da cidade desaparecessem nossa arte encontraria seu publico. Bem, se você esteve lá sabe que não foi bem assim que aconteceu para 99,999% dos artistas de quartinho espalhados por esses rincões. A mesma maquina que nos deu liberdade criativa também nos desvalorizou artisticamente ao atribuir nenhum valor comercial aos discos que distribuíamos na internet.
O modelo moldado pelo MP3 durou até meados de 2013 e foi sendo substituído gradativamente pelo streaming. Em 2013 a Tramavirtual chegou ao fim após 10 anos sendo o principal site de distribuição de música do Brasil, com a trama alguns milhares de artistas simplesmente desapareceram do mundo sem deixar rastro. Aqui entram inúmeros motivos pelo qual muitos artistas não fizeram a transição do MP3 para o Streaming, indo de aspectos tecnológicos (muita gente perdeu os arquivos em alta qualidade dos trabalhos) até pessoais (a vida se encarrega). Mas o principal é a certeza de que o mundo realmente não se importa.
Tenho tentado organizar uma playlist reunindo artistas independentes dos anos 2000 que conseguiram fazer a transição do MP3 para streaming, seja por esforços próprios ou por distribuidoras como a Tratore. Obviamente essa pesquisa traz o ponto de vista agridoce da geração que teve de correr para que os independentes de hoje pudessem desfilar. Mas enfim, a historia é contada por quem sobrevive.
As regras dessa playlist são simples:
Músicas de artistas independentes que lançaram álbuns entre 2000 e 2010 (Inclui gente de 1998, 1999 e 2011 porque nenhuma geração começa e termina exatamente em 10 anos);
Uma música por artista;
Também há alguns artistas que eram indies, foram contratados por gravadoras, mas seus álbuns independentes não existem mais. A compilação já tem mais de 200 artistas e terá mais na medida em que mais material for aparecendo.












