Vale cada passo
É incrível a força da natureza sobre o ser humano. É incrível como a montanha pode surpreender.
No ultimo sábado, 14 de julho, larguei as 06:00 a.m, na prova de 45 km com 2.800 D+ da Ultra Maratona dos Perdidos, no Paraná. Eu sabia que seria um desafio e tanto, sabia que não iria ser fácil, mas eu havia treinado, estava preparada para estar ali. Meu pensamento estava forte, minha alma estava leve, cada vez que respirava, a leveza e a vontade de correr tomavam conta de mim. Foi algo puro e intenso, eu tinha mesmo que estar ali.
No dia anterior, um turbilhão de pensamentos me afetava, pessoas me falavam que era uma prova difícil, que eu estava arriscando de enfrenta-lá, devido a minha pequena experiência no universo da ultra maratona de montanha. Inocentes. Mal sabem eles que o universo das corridas de montanha faz parte da minha vida antes de me entender por gente.
E no momento da prova, toda minha infância veio a tona, energizou meu corpo, correu comigo e me trouxe um sorriso que eu não conseguia imaginar.
Enquanto corria, cheguei a fechar meus olhos por um breve momento e dizer: obrigada. Toda a minha gratidão é pouca perto de todo sentimento bom a corrida de montanha me traz.
A questão não é chegar no pico de uma montanha para sentir a presença de Deus, mas sim poder ver todas as suas obras. E claro, agradecer pela oportunidade de estar ali.
Foi o que eu fiz.
No km 30, na subida do pico do Araçatuba, uma forte dor na lateral do joelho esquerdo chegou de surpresa. Não xinguei, não reclamei, apenas queria que ela fosse embora, mas ela chegou disposta a me acompanhar até o linha de chegada. Descobri depois que esse tipo de dor que impede do atleta correr e dificulta e muito a caminhada chama-se de “banda iliotibial”. Péssima companhia.
Com a dor, meu ritmo diminuiu, e pude apreciar muito mais ao meu redor. Dane-se a dor. Ela me impedia de correr, mas não me impediu de aproveitar cada passo, (e os passos ficaram mais valiosos). Desistir nem passou pela cabeça. A paisagem, me arrancou o ar, os atletas, que estavam na mesma que eu, viraram amigos, os fotógrafos que fazem longas caminhadas para registrar nossa passagem, estavam numa euforia, que até foi contagiante. Talvez machucar e obrigatoriamente diminuir o ritmo fazia parte do plano dO Cara lá de cima. E eu apenas agradeço.
Sigo na aventura de me auto conhecer, de saber lidar com os monstrinhos que aparecem no caminho (como por exemplo, as pessoas que não acreditaram que eu seria capaz de completar a prova). Que esse caminho seja como os sigle track de Tijucas do Sul, lindo, deslumbrante, fantástico, de tirar o ar, trazer lembranças boas e aumentar a vontade de correr pelas montanhas do nosso mundo, que é enorme (ainda bem).













