Dear Santa,
14 de Outubro de 1997, terça-feira.
Dear Santa,
Minha professora me disse para escrever para alguma personalidade famosa. Eu pensei em Martin Luther King, Michael Jordan, Da Vinci, Bocelli e até a Laura Pausini, mas depois de ver que todos os outros alunos tiveram a mesma ideia, resolvi escrever para uma personalidade que nunca existiu. Quero ser diferente. Sim, eu sei que você nunca existiu. Eu não sou burro, só tenho 10 anos. As pessoas acham que crianças de 10 anos são burras, mas elas só são pequenas. E um dia vou ficar tão alto quanto meu pai. Esquecem dessa parte. Tá, eu sei que você estar se perguntando porque eu escreveria para alguém que não existe? Porque eu queria falar como eu acho errado o que as pessoas fazem quando falam de você. Dizem que só podem ganhar presentes pessoas que foram boazinhas no ano todo, mas eles falam que ser bonzinho é não responder os pais quando eles gritam com a gente ou fazem “coisas ruins”. Isso é errado porque, se você refletir, criança não faz as coisas porque querem ser ruins. A gente só não mente como os adultos. Os adultos mentem demais. Eles enganam todo mundo, como papai enganou a mamãe.
Crianças são melhores que adultos também. Além de não enganar ninguém, a gente não fica bravo por nada e sai gritando. E também tem as crianças que moram na rua. Você nunca dá presentes pra elas. E elas são boas. Elas fazem muitas coisas boas e ajudam muita gente, mesmo morando na rua. Meu melhor amigo eu encontrei na rua. Eu queria que ele tivesse uma casa como eu, mas não tem e isso é injusto. Se você existisse e fosse tão bom assim, não deixaria ninguém na rua. Por isso eu acho que tudo que falam sobre você é errado porque, se desse presente só pros bonzinhos, daria para todas as crianças, inclusive as da rua.
Sem amor porque eu dou amor pra quem existe,
Nik.










