ID, please? | open
Oksa sentiu-se mal pelos dois dias depois do término da festa de natal do condomínio. Quando ela chegara em casa, no fim da gelada madrugada, não enxergara nada a não ser o caminho para o seu banheiro. Depois de, finalmente colocar todo aquele álcool barato pra fora do seu organismo, caiu no tapete vermelho que cobria boa extensão do banheiro e por lá mesmo ficou até se sentir compelida a levantar e tomar um bom banho que tirasse qualquer uma das carícias malucas do DJ de sua pele. A morena geralmente não fazia fingia gostar de velhos babões só pra conseguir encher a cara, mas era o Natal, e para ela era de praxe que preenchesse o vazio que a data trazia com drogas como aquela.
Agora, dois dias depois, ela ainda não tinha saído de seu apartamento. Oksa não sabia se era o sentimento de que, assim que pisasse fora do condomínio daria de cara com aquele maluco, ou somente sua original preguiça, mas ela não conseguia fazer nada mais do que perder tempo com seu celular e com a televisão, parando apenas para necessidades fisiológicas, e nem ao menos tentara se perguntar o que é que estava acontecendo com a mente dela. Era claro para ela que o principal motivo desse “isolamento” era ter passado mais um Natal sem seu avô, mas só decidiu sair de casa quando se deparou com a falta de cigarros e porcarias em sua geladeira.
Depois de dois dias vestindo calças moletons e blusões, Oksa sentiu-se estranha ao vestir calças apertadas, um suéter azul e um sobretudo. Simplesmente parecia roupa demais, mas ao checar a temperatura lá fora, a menina até mesmo pegou uma echarpe e enrolou-a no pescoço. Antes de sair do apartamento, pegou suas chaves, o celular e colocou algum dinheiro no bolso interno do grande casaco. Enquanto fazia seu caminho para a mercearia mais próxima, tentava olhar ao redor e gravar os nomes das ruas, já que era péssima de memória. Geralmente, ela tinha Nico ao seu lado para ajuda-la no caminho de volta, mas naquele dia ela teria que acertar sozinha o caminho.
Oksa estava, provavelmente focada demais em gravar as ruas para pensar no que faria caso não aceitassem vender os cigarros pra ela. Depois de juntar alguns biscoitos recheados, manteiga de amendoim, salgadinhos e três maços de cigarro, se dirigiu ao caixa normalmente. “Identidade, por favor?” Disse o caixa. A mente da garota ficou em branco por alguns segundos, até finalmente perceber o que ele tinha pedido. Oksa poderia ditar todos os palavrões que passavam por sua cabeça naquele momento, se não estivesse pensando seriamente em largar o dinheiro no caixa e sair correndo com as compras nos braços. “Péssimo dia para não passar maquiagem.” Pensou, ainda encarando o caixa com o cenho franzido.














