Band of skulls // open
Aurelia encurvava o canto da boca para cima lentamente à medida que lia o convite. Há exatamente 2 meses e meio, conhecera um baterista completamente inovador e extraordinário. Na verdade, de acordo com a menina, extraordinário não seria a palavra certa, pois, se gastasse adjetivos como aquele para humanos como ele, qual palavra ao certo usaria para se dirigir à Mozart e à Tchaikovsky? Contudo, o talento aquele músico e suas ignotas maneiras de tocar eram realmente admiráveis. Não conseguia esconder a satisfação que a preenchia ao -finalmente- ser convidada por ele para uma apresentação. O baterista, que estava à procura de integrantes para sua banda, foi atingido pelo estojo do violino de Aurelia enquanto a menina andava apressadamente pelo corredor da rodoviária de Boston, e, após uma longa conversa (que não fora de fato longa, apenas aos olhos de aurelia).
Apesar da visível animação, ela ainda precisaria procurar alguém disposto a acompanhá-la na viagem para filmar a apresentação. Não obstante aquele horário ser o mais propício para encontrar alguém disponível para isso -o horário do almoço- a violinista não conseguia se imaginar incomodando as pessoas e muito menos pedindo favores a estranhos. Na mensagem que o baterista enviara-lhe estava escrito que ele tinha certeza que a tarefa não seria difícil, visto que com certeza a menina possuiria ao menos um amigo. Curiosamente, não o tinha.
Já frustrada e sem saber o que fazer, Aurelia arriou o violino até o chão, colocando-o ao seu lado e, em seguida, se sentou na calçada, colocando as mão sobre os olhos na esperança de que a solução caísse dos céus, o que dificilmente aconteceria, já que Deus nunca fora com sua cara, menos ainda com suas atitudes. Permanecera cerca de 15 minutos naquela posição, quando notou uma sombra à sua esquerda se aproximando e sons de passos cada vez mais altos e próximos. A pessoa parara ao seu lado mas a violinista teve dificuldade para identificá-la, pois o sol, localizado exatamente atrás da cabeça do indivíduo, bloqueava-lhe a visão. Seria aquela a solução para seus problemas? Ou teria de recusar o convite do baterista por não ter uma cameraperson com ela?













