a pretty obvious interview | oksa X adèle
Era difícil para Oksa, uma preguiçosa de carteirinha, se acostumar com o ritmo da universidade rapidamente. O primeiro e o segundo dia foram simples, parecidos com a primeira semana de volta as aulas do Ensino Médio; muita conversa, apresentações e resumos gerais sobre as grades curriculares depois, finalmente veio a verdade: Trabalhos. O professor de Teoria da Comunicação impeliu todos os alunos a fazer um trabalho com no mínimo trinta páginas, onde deveria conter uma pequena tese sobre entrevistas e um relatório de duas entrevistas; uma sob observação e a outra falada. Segundo o professor, o objetivo era inserir os alunos no ambiente. Segundo Oksa, era uma desculpa para fazê-la pagar de espiã barata de revistas de fofoca.
No entanto, a semana que se seguiu foi devidamente desperdiçada com seu sofá, seus cigarros, besteiras e madrugadas mergulhadas no bom e velho Netflix. Ela sempre foi assim, do tipo que deixa tudo para a última hora e no fim de tudo se arrepende. Da próxima vez vai ser diferente; pensava. Mas tudo sempre acabava com olheiras terríveis. Com algumas horas para terminar o maldito trabalho, Oksa trocou seus pijamas confortáveis por um jeans, dois suéteres grossos na cor bege, botas e um grande sobretudo para enfrentar a neve nas ruas de Boston.
A morena passou três longas horas na Boston Public Library, arrancando fios de cabelo, olhando seu celular, conversando com conhecidos e, finalmente, fazendo seu trabalho. Depois de guardar a quantidade absurda de livros que utilizara para a primeira parte da tarefa, seguiu para o café da Biblioteca para beber alguma coisa e decidir quem seria o entrevistado. Assim que adentrara o silencioso e morno café começara a observar as pessoas a sua volta, tentando formar uma decisão clara. A cada minuto que passava pensando nesse trabalho, Oksa ficava mais exausta e irritada. Ainda por cima, precisa fumar, mas agora tinha ainda menos horas pra terminar aquela porcaria e não queria, de forma alguma, começar o ano com notas baixas. “Que saudades do Ensino Médio.”
Aproximou-se do balcão, pediu uma xícara de café forte e se sentou numa das mesas perto da janela, sacando o notebook da bolsa e ligando-o quando reparou em alguém vagamente conhecida sentada na mesa ao lado. Adèle Hughes. CEO da famosa Couture&Tressé. Quando não estava comprando jaquetas no Walmart, estava navegando no site e vendo as novas coleções de pronta entrega. Essa era uma personalidade que valeria a pena conhecer, e ela esperava que o professor também concordasse com isso quando começou suas anotações. “Ela parece alguém calma e... definitivamente desastrada.” Digitou, encarando a loira do modo mais discreto que conseguia, que consistia em utilizar óculos escuros mesmo com a neve que caía lá fora.