📓 FANFIC #07 — “Arquivos Confidenciais! ”
Protagonistas: @vemmedegustav & @timelcpsed
Capítulo 4 – Entre grampeadores e suspiros
O relógio marcava 17h42 quando Divany bateu, como de costume, duas vezes na porta do gabinete de Gustah. Não que ela precisasse bater. Ela já sabia que ele estava sozinho. Sabia até que ele estava mordendo a tampa da caneta e pensando em alguma estratégia absurda para reorganizar os arquivos da missão diplomática da semana passada.
Mas ela batia. Porque gostava do suspense.
— Entra — ele disse com a voz baixa, grave, e talvez um pouco rouca demais para um fim de expediente.
Divany empurrou a porta com o quadril, carregando uma pasta vermelha nas mãos e uma sobrancelha arqueada. Ela usava óculos de armação fina e um coque ligeiramente desalinhado — o suficiente para parecer que passou o dia todo trabalhando... ou sendo protagonista de uma fanfic escrita por Scarlat.
— Aqui estão os relatórios da delegação francesa. Já revisei os absurdos do ministro Dario, sublinhei em roxo as partes dramáticas e acrescentei comentários sarcásticos em anexo, como pediu.
— Perfeita — murmurou Gustah, olhando para ela como se ela tivesse salvado a paz mundial com um clipe de papel.
Ela fingiu que não corou. Afinal, ela era uma profissional. Exceto nas terças. Nas terças, ela flertava.
— A propósito, senhor — ela disse, com o ar mais profissional do mundo enquanto se sentava à mesa à frente dele —, ouvi dizer que o embaixador sueco vai trazer os documentos... pessoalmente.
— Acha que ele está tentando me seduzir com tratados e neutralidade?
Divany mordeu o lábio para não rir. — Ou talvez ele queira mesmo é sua estagiária.
— Ele vai ter que disputar com a chefe da equipe de comunicações — respondeu Gustah com um olhar rápido e afiado.
Silêncio. Daqueles cheios de possibilidades.
Ela abriu a pasta. Ele tomou um gole de café. E então os dois se olharam, por cima das pilhas de papéis, como se estivessem jogando xadrez verbal.
— Isso é inapropriado — ela disse baixinho.
— Qual parte? A insinuação ou o fato de eu ter usado papel timbrado pra escrever um bilhete pedindo que você sorria mais quando entra?
Ela riu. Maldita. Aquela risada de quem sabe exatamente o poder que tem.
— Isso vai direto para o arquivo confidencial da Scarlat — sussurrou ela, levantando-se devagar.
— Espero que ela escreva que eu fico bonito sob luz de abajur. E que a forma como você corrige memorandos me deixa fora de mim.
Ela parou à porta, antes de sair. — Senhor?
— Sim?
— Amanhã... trarei os relatórios às 17h42. Outra vez.
— Por quê?
— Porque é quando o Kremlin fica cor de rosa. E você também.
E então, ela saiu. Sem olhar para trás. Deixando um duque destituído completamente derrotado por uma assistente com um grampeador rosa e um charme impossível de classificar.











