Fim de ano, muitos eventos, encontros com pessoas queridas que, por mais queridas que sejam estão cagando e andando para o fato de você gostar de corrida, e acaba sendo inevitável o famoso quebra gelo: "E ai? Qual sua próxima?"
"Você quer mesmo falar disso, meu camarada? Posso acabar de falar somente quando amanhecer!" E assim começa uma série de caras e bocas espantosas sobre o tema.
Obrigatoriamente, a pergunta que segue é: "Mas e seu joelho?"
Está aqui fazendo o trabalho dele, sujeito à todos os riscos, assim como é na vida!
E hoje, uma das poucas verdades que eu possuo é que há riscos para tudo (ou quase tudo) na vida: Riscos em amar uma pessoa. Riscos em mudar de trabalho, de profissão. Riscos em dizer não. Riscos ao dizer sim. Riscos em ficar. Riscos em partir. Riscos quando vivemos no passado. Riscos quando queremos antecipar o futuro. Riscos, riscos, riscos.
Particularmente, eu sempre gostei dos riscos. Os riscos nunca me fizeram retroceder, muito pelo contrário. Sempre que a vida me desafiou, eu dobrei a aposta - e até perdi, algumas vezes, mas me senti vencedora pelo fato de ter tentado.
E na corrida não seria diferente. Eu amo correr. Eu amo muito correr. E eu amo correr muito. 5km não são suficientes para mim. Desculpa, é meu jeito.
Eu realmente gosto de correr longas distâncias. E foi correndo longas distâncias que aprendi a suportar a dor. Foi correndo longas distâncias que aprendi o verdadeiro significado de resilir. Foi para correr longas distância que fui treinada a seguir em frente, mesmo que esteja doendo, mesmo que eu esteja cansada, mesmo que eu queira parar tudo e descer de um mundo fora do meu controle. Foi correndo longas distâncias que eu aprendi que nem todos os dias são fáceis e que sim, há dias que não são bons para correr (ou viver), mas você simplesmente coloca um pé na frente do outro e não desiste. Foi correndo longas distâncias que descobri o quanto nossa mente precisa decidir o caminho que queremos seguir, não importa o quão difícil seja, sempre é possível um pouquinho mais. Foi correndo uma longa distância que percebi que, não importa o quão quebrada você esteja, o relógio (ou alguém) não pára para que você se recupere.
Sabe, muitas vezes, é mais fácil correr 100 km, pois não é o joelho que dói. Dói o coração.
E meu joelho? Vai muito bem, obrigada.