Finalmente um mês ou prefacialmente um mês? Eu não sei. De certo modo, sinto-me muito bem em dizer que eu consegui ficar um mês distante de você, Peter, por mais irônico que pareça. Hoje eu tive apenas um momento triste, ocorreu quando me levantei da cama e ai, pensei: O primeiro mês de uma longa vida sem o Peter. O dia tinha tudo para ficar pior, a volta as aulas, uma gripe inesperada e uma puta dor no corpo, mas não foi o que aconteceu. Eu dormi durante toda a tarde. Dessa vez, nada de sonhos com olhos cor-de-mel e sotaque de arrepiar os pelos da nuca. Nada de pele branca e nada de boca macia e rosada sibilando um Adeus. Acho que sou grata a isso. Quando acordei, me perdi em meu livro - aquele, cujo o personagem principal parece ter sido inspirado em você - e esqueci que dia, exatamente, era hoje. Uma festinha chata de criança que meus pais me obrigaram a ir e um casal de adolescentes simpáticos, desses que te arrastam e começam a conversar para descobrir coisas em comum, desses baladeiros que marcam festas logo para o próximo fim de semana. O assunto, que estava muito bom, por sinal, caiu em relacionamentos. Merda! Fiquei encabulada quando direcionaram as perguntas a minha pessoa. Como eu poderia abreviar nossa história, Peter? Simplesmente impossível, então, eu tentei dizer tudo o que houve com pequenas palavras. É engraçado como as pessoas encaram o nosso relacionamento e principalmente, o amor que dizem que eu demonstro sentir. Alguns me chamam de louca, simples assim. Outros ficam com os olhos brilhando e eu aposto que pensam algo do tipo “Que história linda de amor.” Não, não é. Não é uma história de filme, Peter, mas é -ou foi- a nossa história e eu sou grata por isso, de verdade. De toda forma, eu me diverti. Pude sorrir. Esqueci dos problemas que me assombraram nesse um mês e eu não tive você para contar. Esqueci que você simplesmente desapareceu e eu me preocupo a cada segundo que passa. Simplesmente esqueci. Agora, neste momento, estou cansada demais para lembrar. Eu preciso dormir agora e quero agradecer a parte do meu cérebro, seja ela qual for, que não me permitiu sonhar com você durante essa tarde, mas, eu espero ansiosa pela sua visita durante essa madrugada fria.
Boa noite, Peter. Tenha bons sonhos. Estou observando a lua agora, na expectativa de que você, onde quer que esteja, faça o mesmo que eu. Espero que sinta toda a vibração positiva que eu desejo à você, apesar de hoje ser hoje, apesar desse primeiro mês de toda uma vida longa. Mas, era isso. Não era assim que dizia? “Maktub, morena." A vida é longa, Peter. O mundo é pequeno e a gente, meu amor, ainda vai se encontrar.