Acreditar na morte é morrer Todos o sabemos. Todos o entendemos. Mas ninguém acredita Na voz lá no fundo Que nos diz que neste mundo A visita é finita.
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Acreditar na morte é morrer Todos o sabemos. Todos o entendemos. Mas ninguém acredita Na voz lá no fundo Que nos diz que neste mundo A visita é finita.
Células em cansaço
O meu corpo queixa-se. Desmantela-se em lamúrias Quando não tem sequer idade Para conceber tais queixumes.
Dores de vértebras, Dores de fémures, Dores de couro cabeludo. Dores de retina, Dores de tiróide, Dores de células e de tudo!
Sou cansada. Não conheço outro estado.
Apetece-me dormir. Enquanto as células se multiplicam, No cansaço.
Não mudam elas, não mudo eu!
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O drama
No tempo em que vivo O Homem não é sagrado Nem assim o deseja ser.
Somos insectos. Somos piores. Somos vermes com consciência. E nela chafurdamos.
Achamos que somos mais do que os outros. Que somos melhores. Que as ideias que temos são mais lógicas.
Esquecemo-nos de ser, Simplesmente. Viver com calma e compaixão. Ser mais do que nós mesmos. Ser mais do que esperam de nós.
Porque não esperam muito.
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Memória é pouca e perigosa
Memória é pouca e perigosa
Há dias bonitos Em que a vida é vivida Como deve ser.
Mas o dia seguinte Bate-nos como se Tívessemos vivido mal.
Os dias são memória. E memória é pouca e periogosa.
Perigosa na forma em que nos apresenta como real Aquilo que lá está guardado.
Mas como saber se não me engano nesse recordar?
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Igual
E escrevo. Reescrevo. Nada de novo. Queixas antigas. Vontades não desejadas.
Sou eu. Igual. O musgo cresce. E eu não mudo.
Nem sei porque escrevo. Sinto-me melhor. Auto-analiso-me. E uso isso como desculpa. Para me continuar a ter, igual.
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Inspiração A inspiração é um presente bem vindo mas sempre embrulhado num papel de tristeza e escuridão.
Ingenuidade
Olho para vós E tudo é tão simples.
A beleza, O carinho, A falcatrua, A fome, O medo, A felicidade.
Vós dais-me vontade de ser, na ingenuidade, feliz.
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