Acho que eu sempre tive a opção “não prestar” e tenho ainda mais certeza, que caráter é uma escolha, que vai além de qualquer tabu, astrologia e a poha toda. Eu consigo me ver, sendo uma pessoa mil vezes mais interessante sem me prender ao amor, deixando um pouquinho de mim em cada canto, sendo encanto e partindo, ou confundido todo mundo e fazendo as pessoas se sentirem insuficientes por não conseguirem me “atingir” a ponto de me manter em foco constante. Eu escolhi não ser assim, mesmo quando achava que tinha todos os motivos do mundo pra ser, eu poderia arrasar tantos corações e não seria num bom contexto, eu só não quis. Assim como eu decidi suspender a medicação e viver por conta própria, aprendendo a lidar com a minha intensidade, tirando um tempo pra mim, pra me conhecer, me acalmar, sem trocar os pés pelas mãos só por em alguns momentos não saber o que fazer, mas quando passa, a gente sempre sabe. Então é importante se descobrir, mesmo que a princípio a solidão doa. Eu sempre, a minha vida inteira busquei sentido em tudo o que faço e tudo o que acontece. Até beber tem que ter um motivo, seja pra comemorar alguma coisa ou só tocar uma música nova que aprendi, seja pra conseguir escrever tão claramente quanto a sobriedade me limitaria. E a dois dias fiquei procurando um só pra fugir, mas eu não encontrei. Meu violão estragou, minhas palavras silenciaram e eu encontrei no sono e nos livros, um motivo pra tá mais perto de mim e me manter bem presente, mesmo que o presente por alguns instantes me deixe pra baixo. Continuo não me limitando, nem me prendendo e a minha calma solo, tem mostrado o quão capaz eu consigo ser, quando busco e me permito ser. Quando me encontro. “Eu amo a minha solidão” tem sido a frase que mais me define, mas eu a amo mil vezes mais quando consigo sonhar, ainda que estando sozinha, quando eu posso estar comigo e planejar alguma coisa interessante ou viver mil vezes algum momento inventado ou não, até que ele se repita ou se permita acontecer de novo. Gosto de me imaginar sozinha, dançando pela casa com uma taça de vinho na mão, fazendo a minha bagunça e arrumando sozinha quando ela se tornar mútua demais, hoje eu falei pro meu pai: me deixa quietinha, só hoje. Não ouvi música o dia todo, não coloquei a luz “triste” a não ser quando a noite chega e é hora de dormir outra vez, fora isso, estável. Fazendo planejamentos solos, que espero concretizar até o final do ano, conseguindo ler sem ser interrompida por um pensamento ou outro. O céu continua lindo, mesmo sem as estrelas... mesmo que me faça sentir distante de tudo, ainda assim, eu to vivendo, eu finalmente aceitei a condição e não há nada que eu possa fazer pra mudar, to de mãos atadas e pés descalços, o coração já se conformou, as vezes entende e as vezes não tanto quanto deveria, mas comparado a antigamente, as suas oscilações são tão amenas. Eu só aceitei, aceitei que nunca vai mudar , porque não depende mais de mim e hoje eu consigo me ver, enxergar, de uma forma que nunca havia acontecido antes e isso de certa forma me conforta, completamente. Eu to aqui por mim, ninguém além de mim pode fazer isso, por mais que eu queira. E tudo bem. A gente vive pra aprender, se tornar forte, resistente e eu me tornei. Então quanto achar que a vida é um Karma, tente enxerga-lo como algo bom, que vai agregar e não como algo ruim, porque não é. Tudo depende da forma que você vê e claro... leva muito tempo, talvez tempo demais, mas se você se permitir sentir a dor e respirar depois dela, vai perceber que a vida continua, não para ali, não é o fim, é só o recomeço , você amadureceu e finalmente tá pronto pra viver de verdade. Admiro ter conseguido chegar no ápice, antes de me formar (risos) acredito que tudo que vier depois disso, vai somar junto comigo e eu vou me reconstruir . Eu to pronta, mas não tenho pressa.