Meu caro e doloroso amor, fazem alguns dias que penso em te escrever para dizer como tudo em mim doí ao sentir saudades, mas sei que nas proximidades do frio cativeiro que no momento me encontro, não passa carteiro corriqueiramente, e que quando essa maldita carta chegar em suas mãos, e ser lida por teus carnudos lábios já estarei arrependida de tê-la escrito para você. E este não é um risco que eu estou disposta a correr.
Você mesmo sempre me disse que eu deveria arriscar, que eu me subestimava e que eu deveria saber o quão grande eu sou. O meu único problema é que passei a acreditar no que você dizia, e a verdade era que eu ainda não havia acreditado em mim, e agora 'meu grudezinho', você acredita que eu ainda não consegui seguir em frente?! Me sinto estacionada, e ainda por cima com o motor quebrado já que mesmo acelerando, não consigo sair do lugar. É que você se assemelhava ao óleo que fazia girar minha engrenagem, e mesmo empurrando, persisto dizer que sem você -com uma troca- nada volte a funcionar. Engraçado é que foi você que me acostumou a gostar da rotina, de todo dia te ver as 12h, de ganhar beijinho e cafuné depois do almoço, de andar de mãos dadas e falar sobre seu sobrinho, de fazer planos, de quando estava cansada de tudo sentir o meu lar com teu seu cheiro e de nas despedidas ouvir um "Você sabe que mesmo de longe, tô cuidado de você, não é?! Se cuida, meu amor." e tem sido você a me fazer ver como é bom apaixonar-se pelo inesperado dos dias.
'Grudezinho', me pergunto todo dia: tu lembra ainda das datas importantes? Aquela que nós fatoramos pra não esquecer, como meu aniversário, talvez o dia em que nós ficamos pela primeira vez... Talvez você só não se esqueça do dia que destendi o músculo do braço e você passou a tarde inteira me tratando como a rainha que eu mereço já que você se sentia tão incapaz por não proteger e não cuidar de ninguém por não dominar essa ciência, e foi lindo como você ficou chato comigo me lembrando as horas de tomar o remédio... Foram lindos os dias em que você se derramou pra cuidar de mim. Era bonito também, tu dormindo no meu ombro e depois dizendo "me desculpa, eu deveria era ter ficado acordado, ouvido você e ter feito você dormir protegita em mim.".
Essa carta, 'meu grudezinho', é pra dizer que eu sinto saudades de você, mas que não importa como, eu tô tirando você de mim pois te fiz de lar, mas talvez você não quisesse me deixar (na)morar-te.