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Tanta delincuencia y nadie roba mi corazón.
El fondo de mi ser.
Soneto III
Devaneios de um poeta
Não é tão simples, encontrar entre os adjetivos
Um que possa definir com precisão, teus traços.
Ainda mais, com estes pensamentos lascivos
Que entorpece-me, e causam embaraços.
Sou seduzido por teus pés descalços,
E todos os outros detalhes, que parecem inofensivos.
Sou seduzido por tuas pernas, teus braços...
Não há como não ficar com os olhos cativos.
Imagino, quantos lábios ficaram mudos,
Olhos hipnotizados, diante dos teus!
Quem nunca desejou teus lábios carnudos?
Esses lábios desenhados pelo próprio Deus.
Até este louco poeta em lucidez e devaneios
Desejou teus lábios e teus belos seios.
(cardoso.oze)
Soneto II
Sussurros
O coração pulsou forte, olhando-a atravessar a rua,
Recebi-a com um abraço, longo e envolvente,
Aos poucos as sombras eram dissipadas pela lua.
E o frio alcoviteiro, nos impulsionou ao beijo quente.
Com carícias, ela deixou-se dominar, totalmente.
Frágil, sobre a cama completamente nua.
Sussurrando ao meu ouvido, docemente,
Ela dizia: - Sou tua, meu amor, somente tua!
Entregamo-nos ao desejo que consumia.
Exaustos; ela acariciava-me o rosto, suavemente.
E sobre meu peito debruçava-se e dormia.
Quando acordamos, tínhamos perdido a hora.
O sol já invadia o quarto pelas frestas da janela.
Apressadamente, ela vestia-se e ia embora.
(cardoso.oze)
Soneto I
Perfume
Eram inconfundíveis os passos dela.
Caminhava, evitando, causar o menor ruído.
A luz da lua atravessava as frestas da janela.
Aproximava-se deixando cair o vestido.
O sorriso tímido, o desejo no olhar,
Sentava-se, à beira da cama, o seio exposto.
Uma obra prima a me hipnotizar.
Pegava em suas mãos, sentia-as, no rosto.
O perfume: notas florais, adocicado, envolvente,
A pele sedosa (até a lembrança ainda excita).
No coração, o desejo rugia ferozmente.
Eu esperava o dia todo aquela visita.
Olhava-me, apertando o lábio, parecia indefesa.
Mas, era o olhar da predadora espreitando a presa.
(cardoso.oze)
Versos Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos
Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos (Versos Íntimos)