Pomos esforços no que nos é proibido e sempre desejamos o que nos é negado
Ovídio, Amores - Livro III – Poema IV
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Pomos esforços no que nos é proibido e sempre desejamos o que nos é negado
Ovídio, Amores - Livro III – Poema IV
Boa noite, Maria! Eu vou-me embora. A lua nas janelas bate em cheio... Boa noite, Maria! É tarde... é tarde... Não me apertes assim contra teu seio. Boa noite!... E tu dizes – Boa noite. Mas não digas assim por entre beijos... Mas não me digas descobrindo o peito, – Mar de amor onde vagam meus desejos.
https://www.escritas.org/pt/t/2544/boa-noite
Sou seduzido por teus pés descalços,
E todos os outros detalhes, que parecem inofensivos.
Soneto III
Devaneios de um poeta
Não é tão simples, encontrar entre os adjetivos
Um que possa definir com precisão, teus traços.
Ainda mais, com estes pensamentos lascivos
Que entorpece-me, e causam embaraços.
Sou seduzido por teus pés descalços,
E todos os outros detalhes, que parecem inofensivos.
Sou seduzido por tuas pernas, teus braços...
Não há como não ficar com os olhos cativos.
Imagino, quantos lábios ficaram mudos,
Olhos hipnotizados, diante dos teus!
Quem nunca desejou teus lábios carnudos?
Esses lábios desenhados pelo próprio Deus.
Até este louco poeta em lucidez e devaneios
Desejou teus lábios e teus belos seios.
(cardoso.oze)
Soneto II
Sussurros
O coração pulsou forte, olhando-a atravessar a rua,
Recebi-a com um abraço, longo e envolvente,
Aos poucos as sombras eram dissipadas pela lua.
E o frio alcoviteiro, nos impulsionou ao beijo quente.
Com carícias, ela deixou-se dominar, totalmente.
Frágil, sobre a cama completamente nua.
Sussurrando ao meu ouvido, docemente,
Ela dizia: - Sou tua, meu amor, somente tua!
Entregamo-nos ao desejo que consumia.
Exaustos; ela acariciava-me o rosto, suavemente.
E sobre meu peito debruçava-se e dormia.
Quando acordamos, tínhamos perdido a hora.
O sol já invadia o quarto pelas frestas da janela.
Apressadamente, ela vestia-se e ia embora.
(cardoso.oze)
No mesmo instante.
Quando o amor me encontrou,
Eu fiquei completamente perdido.
O coração parou e disparou, ...
O amor tomou-me pela mão
E me levou onde eu nunca havia ido.
Parecia o céu, mas o corpo não se elevou do chão.
Sentia o corpo leve no espaço.
Olhei, e eu ainda estava no mesmo lugar,
Não tinha movido nenhum passo.
Nada passou na minha mente.
Depois, me encontrei nos lábios, emudecido,
E tornei a me perder novamente.
Fiquei hipnotizado por um olhar penetrante,
Que libertou-me, e aprisionou-me,
No mesmo instante.
Isso é um enigma para os sábios.
Desde, então estou sempre me perdendo,
E me encontrando, nos mesmos lábios.
(cardoso.oze)
O movimento do quadril a cada passo, É o combustível para as chamas do desejo. Não que eu seja assim tão devasso. Mas, no pensamento, o sexo é antes do beijo.
cardoso.oze
Diz o texto sagrado, que desde a meninice, O coração do homem é inclinado para o mal. Não ouso questionar o nosso Artífice. Mas, foi ele que criou o nosso ancestral.
cardoso.oze
Soneto I
Perfume
Eram inconfundíveis os passos dela.
Caminhava, evitando, causar o menor ruído.
A luz da lua atravessava as frestas da janela.
Aproximava-se deixando cair o vestido.
O sorriso tímido, o desejo no olhar,
Sentava-se, à beira da cama, o seio exposto.
Uma obra prima a me hipnotizar.
Pegava em suas mãos, sentia-as, no rosto.
O perfume: notas florais, adocicado, envolvente,
A pele sedosa (até a lembrança ainda excita).
No coração, o desejo rugia ferozmente.
Eu esperava o dia todo aquela visita.
Olhava-me, apertando o lábio, parecia indefesa.
Mas, era o olhar da predadora espreitando a presa.
(cardoso.oze)