"Não sei dizer o que mudou, mas nada está igual.."
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"Não sei dizer o que mudou, mas nada está igual.."
Victor e Léo - Na Luz do Som
CONHEÇO PELO CHEIRO QUEM É O MEU AMOR!
O universo sertanejo foi surpreendido recentemente com o anúncio do retorno da dupla Victor e Léo. Após um hiato de cinco anos, os irmãos mi
Victor e Léo estão de volta aos palcos! Após um hiato de cinco anos, os irmãos mineiros decidiram retornar, gerando reações mistas entre os fãs. 🤔 Lembra das controvérsias do passado? Elas estão de volta nas redes sociais. 📢💔 Quer saber mais? Confira nosso artigo completo! #victoreleo #retorno #sertanejo #polêmica #musica
Capítulo 18
Caímos na cama aos beijos. Como era bom esse clima.
_Sua louca!
Entre os beijos e carícias foi ficando mais ardente, sabíamos que ali terminaria em sexo. Inverti a posição e fiquei por cima, buscava seus lábios, apenas paramos o beijo para ele erguer o corpo e tirar sua camisa. Eu não cansava de ver aquele peitoral, ver sua respiração ofegante era melhor que tudo. Me afastei apenas para ele tirar o resto da roupa, ficando apenas de cueca e fiz uma trilha de beijos, ao chegar na barra da última peça dele pulei para suas coxas, fazia carinho naquela região sem ir direto ao ponto.
_Para com isso Morena... Não me tortura! – Ele já estava mole quase sussurrando. _Nem comecei.
Segurei a lateral da cueca e tirei lentamente. Se ele achou que iria direto ao ponto estava enganado. Fiquei em pé na ponta da cama, lhe dei as costas e segurei a barra da parte cima do meu baby doll e fiz menção de tirá-la. Ouvi a respiração pesada dele. Ao olhar por cima do ombro vi que ele estava observando tudo atentamente e se controlando para não segurar o próprio membro e se satisfazer vendo a cena de strip-tease. Voltei a focar no que estava fazendo, vagarosamente tirei e sem pensar coloquei minhas mãos na lateral da parte baixo, rebolando enquanto tirava tudo. Ouvi um movimento brusco e em meio segundo ele já tinha me segurado pelo quadril e me jogado na cama. Seus beijos em meu corpo acendia algo que para mim era novo. Eu ia aos céus e podia sentir que na minha região íntima era impossível ficar mais lubrificada naturalmente do que estava. Não podíamos esperar mais.
_Vi – Tive que interromper o clima _Hum... – Ele sussurrou ainda com a boca grudada em meu corpo. _Você tem camisinha? _Espera que vou buscar.
Aguardei ele ir até o quarto e pegar a camisinha. Fiquei olhando para o céu através da varanda. Espero que Lourdes não esteja em casa, porque o barulho que iríamos fazer não vai era pouco. Assim que Victor voltou não perdeu tempo, logo se protegeu e entrou na cama com um desejo que seu olhar falava por si só. Não precisei falar nada também, ele entendeu e logo me envolveu com seu corpo e entrou em mim me preenchendo completamente. Naquele movimento e em meio a tanto desejado senti o prazer vir duas vezes, mas na terceira vez atingi o melhor orgasmo da minha vida, em seguida ele acelerou os movimentos e também atingiu o clímax. Caiu em cima de mim para logo em seguida deitar ao meu lado e buscar o ar no quarto.
_Lu, que fogo é esse, hein? Ainda não acredito que passei todo esse tempo do seu lado sem ao menos provar você
O meu riso foi involuntário. Busquei seu peito para deitar minha cabeça e fazer desenhos abstratos.
_Gostou? Se quiser tenho mais. _Calma! Assim você me mata, né? Temos muito tempo para resolver isso.
Ficamos em silêncio durante alguns minutos, busquei coragem e me levantei. Fui em direção ao banheiro, parei na porta.
_Quer mais? Então vem tomar banho comigo?
Não olhei para trás, mas ouvi seus passos ligeiros para me acompanhar. Victor se livrou da camisinha e nesse tempo eu já estava com o chuveiro ligado aguardando a água ficar morna. Entrei e senti um prazer ao sentir aquela água passar por minha pele. Abri os olhos e vi-o parado ali.
_Vai entrar ou não? – Ela fala toda insinuante _Hãn?... Sim...
Assim que nos familiarizamos com aquela água morna busquei seus lábios enquanto pegava o sabonete líquido, despejei em minha mão e envolvi seu membro, arrancando um gemido dele. Victor também não ficou parado, procurou minha intimidade e ficamos nesse clima de espuma, beijos, carícias até atingirmos o nosso segundo clímax. Terminamos o banho, nos enxugamos. Assim que deitamos na minha cama trocamos poucas palavras, pois estávamos muito cansados. Dormimos rápido.
Pela manhã acordei sentindo minha boca seca, um embrulho no estômago. Tentei sair da cama sem que o acordasse. Olhar para ele assim, dormindo tão lindo era um sonho. Relutando tomei um banho para acordar e desci. Lourdes já estava passando o café.
_Bom dia dona Lourdes. _Menina, como está? _Agora melhor – sentei-me à mesa e peguei um mamão para comer rapidamente. _O que você acha que deve ter acontecido? – senti uma entonação estranha na voz dela. _Sei lá, acho que comi algo estragado.
Estava empolgada com o mamão quando senti a empregada de Victor se aproximar e ficar me fitando. Ali mesmo meu estômago mais uma vez rejeitou a comida.
_Cuidado menina _Com o quê? – perguntei já assustada _Com o destino...
Lourdes me lançou um olhar intrigante. Deixando-me com raiva em plena manhã.
_Pode deixar, sou muito grandinha pra saber o que o destino é capaz. Vou nessa.
Saí dali largando a comida, porque sabia que se continuasse me daria indigestão. Durante o trajeto as palavras e o olhar de Lourdes não saíam do meu pensamento. Quem ela pensava que era para vir com essas falas aleatórias e ridículas? Eu nunca tive motivos de ficar estranha com Lourdes, mas depois do que aconteceu falei para mim mesma que só iria à casa de Victor quando ela não estivesse.
Ao chegar à clínica Raquel já estava ali. Como sempre sendo a funcionária que eu pedi aos céus.
_Bom dia, Luciana. _Oi Raquel. _A Carol pediu que você fosse à sala dela. _Valeu
Foquei tanto em Victor que até tinha esquecido de ligar para minha amiga e relatar meu mal-estar nas últimas vinte e quatro horas. Bati de leve e abri a porta.
_Doutora? Me chamou? _Para de ser sacana Lu, entra aí.
Dei um riso gostoso enquanto entrava e sentava de frente para ela.
_Bom dia. _Oi. Como está? _Agora posso dizer que estou bem _Quer dizer que passou mal? _Já vieram te contar? _Desculpa amiga, mas fofocas rolam no mundo dos médicos.
Não era novidade para ninguém aquilo. Se existia uma raça fofoqueira era a dos médicos daquele hospital.
_Foi só um mal estar. _Tem certeza? Chegou aos meus ouvidos que você desmaiou. _Como existe gente fofoqueira! Pronto. Foi só um desmaio e nada mais. Ok? _A Brenda Não gostou nada de saber que tinha que pegar o teu plantão. _Depois vou pedir desculpas a ela. _Ela tem mais que trabalhar mesmo. Fica pelos corredores nas horas vagas conversando, então se ama tanto aquele hospital faz mais do que a obrigação. Me fala o que foi que realmente aconteceu? _Me senti mal ao ver sangue na hora do parto, desmaiei e depois vomitei. _Será que é estresse? _Claro que não. Ultimamente estou aproveitando bem minhas folgas. Mas se foi descansei um pouco. _Descansou foi? Com o Deus grego do seu lado como faz pra descansar?
Carol desatou a rir vendo meu rosto completamente corado. Sabia que estava vermelho porque senti a queimação nele.
_Para né Carol, essas coisas não falo. _Beleza, voltando ao assunto, você tem que saber o que é isso. _Não sei o que é. Hoje mesmo, pela manhã, passei mal quase vomitava.
Carol parou de rabiscar o papel com sua caneta para me fitar.
_Amiga, sua regra está atrasada? _Ué, porque isso agora Ká? _Foi assim que fiquei quando engravidei.
Essa fala era bem típica. Quantas vezes minhas pacientes entravam no consultório eufóricas por só terem vomitado e com a regra atrasada e achavam ser gravidez. Após o exame descobríamos que nada mais era do que alimentação desregulada.
_Espera, você acha que eu estou... _Grávida. Porque não? Para vai, você transa com o Victor não é? _Claro, mas é com camisinha...
Fiquei em estado de choque ao me lembrar da primeira vez que transamos... foi sem camisinha!
Nélio e Dolores - "Na Linha Do Tempo" por Victor e Leo ❤.
Capítulo 17
Enquanto olhava para a paisagem durante minha ida até o hospital ficava refletindo. O que Luciana estava passando era novo para mim. Em todos anos de amizade eu nunca a vi reclamar de alguma dor, nada. Muito pelo contrário, até em festas da minha família todos aproveitavam e se consultavam com ela, sempre reclamando de alguma dor, pedindo algum medicamento. Em alguns momentos eu chegava a rir quando ela deixava bem claro que sua especialidade era em colocar as estrelinhas no mundo.
Fui acordado dos pensamentos com a voz de Leo:
_E aí, você tem visto a Lu?
Não sabia aonde meu irmão queria chegar com aquela conversa, mas bem que desconfiei. Tentei ser mais imparcial impossível:
_Sim. Ontem conversamos bastante. _Que bom que a amizade de vocês voltou – ainda estava tentando entender o rumo daquela conversa. _Pois é – virei o rosto e fiquei olhando para a paisagem tentando disfarçar.
Já estávamos entrando na cidade e eu dei graças a Deus, mas Leo persistia no assunto:
_Cadê o Fernando? Nunca mais ouvi falar dele. _Ela terminou o namoro. _Sério? Por quê? O cara era muito bacana – Dessa vez fiz questão de olhar para Leo, mas um sinal de alerta já pedia para eu tentar ser calmo. _Não deu certo.
Mais uma vez voltei a olhar pela janela. Eu sabia que se Leo insistisse mais um pouco iria entregar, bastasse só ele continuar falando do pateta do Fernando. Agradeci internamente quando já estávamos na rua do hospital. Paramos em frente e eu sequer pensei duas vezes em sair.
_Valeu Leo. _Qualquer coisa me liga. _Pode deixar.
Até parecia que eu iria ligar para ele sabendo que nossos olhares, meu e de Luciana, iria entregar. Sou bom em mentir, menos para meu irmão. Segui trêmulo até a entrada do hospital, iria precisar me informar na recepção e mais uma vez eu teria aquelas mulheres lançando charme para mim. Lembro-me das inúmeras festas de confraternização do hospital a Luciana sempre voltar com um papo descontraído dizendo que noventa por cento das solteiras, incluindo médicas, enfermeiras e recepcionistas, imploravam para ela fornecer meu número de telefone.
Meus bons pensamentos foram ofuscados quando, na recepção, em meio a tantos pacientes que aguardavam ser atendidos, Luciana ali. Estava pálida, cabisbaixa, uma expressão facial que de fato me preocupou.
_Lu? – indaguei quando me aproximei. Custei a acreditar que era ela. _Oi Vi – até sua voz estava falha.
Luciana tentou se levantar, mas acredito que se sentiu tonta. Tentei ampará-la. Senti uma enfermeira se aproximando. Jéssica, uma das antigas que trabalhava na equipe de Luciana.
_É com ele que você vai, Lucy? – Jéssica perguntou. _Sim, Jé. Valeu por tudo.
Eu precisava saber o que estava se passando ali com a minha doutora. Sabia que bem ela não estava.
_Não foi nada – Jéssica respondeu ao agradecimento de Luciana e logo olhou para mim – Oi Victor, tudo bem? _Tudo sim. O que aconteceu com essa moça? – olhei para Luciana. _Ela desmaiou bem na hora que estava fazendo o parto de uma paciente. _Mas ela está bem? Precisa tomar alguma medicação? _Não. Ela já tomou aqui. Agora é só ir para casa e descansar. _Beleza. Vamos? – olhei para minha doutora.
Luciana assentiu completamente fraca e antes de sair agradeceu à Jéssica. Em passos lentos seguimos até a área de estacionamento para funcionários. Luciana entregou a chave do seu carro sem nem reclamar ou fazer alguma piada, foi bem nesse momento que minha preocupação aumentou. Durante o trajeto a notei calada, até pensei que estivesse dormindo, mas ela estava apenas observando tudo pela janela. Paramos em um semáforo que estava fechado e busquei sua mão mais próxima. Estava gelada.
_Tudo bem? _Uhum – até sua fala estava estranha. _Tem certeza? _Tenho. _Vamos para minha casa.
Eu não iria deixá-la no seu apartamento, pois imaginei que ela iria ficar debilitada nos próximos dias. Pelo menos por lá em minha casa ela teria Lourdes para lhe ajudar no que fosse preciso. Notei certo incômodo da parte dela, mas estava tão mal que nem pra reclamar ela estava no pique. Entrei em casa e entramos, achando Lourdes iniciando sua faxina na sala.
_O que aconteceu? – qualquer um que olhasse para aquele rosto pálido de Luciana faria essa mesma pergunta que minha empregada fez. _Ela passou mal – expliquei.
Lourdes se aproximou de nós e passou as duas mãos no rosto de Luciana.
_Está tudo bem, menina? – indagou. _Sim, foi só um mal-estar. Daqui a pouco passa – vi Luciana olhar para a cozinha e fazer uma expressão estranha no rosto. _Vou fazer um chá.
Eu podia ver Luciana desesperada por estar parada ali. Decidi agir, porque sua cara já entregava que mais um pouco e ela iria vomitar ali.
_Enquanto você faz o chá vou subir com ela. Vem Lu.
Subimos e eu podia sentir o olhar estranho da minha empregada sob nós. Quando senti que estávamos seguros, segurei em sua mão e fui em direção ao meu quarto, Luciana parou.
_Você tá maluco? _O quê? _Eu vou para o meu quarto – ela fez um olhar em direção ao quarto de hóspedes para que eu entendesse.
Naquele momento eu saquei o que Luciana queria me alertar. É, seria um tanto estranho se minha empregada visse a minha amiga em meu quarto. Ok, ela sempre frequentava para me ajudar, mas em situações parecidas a essa, Lourdes sempre soube que Luciana gostava do quarto que tinha em minha casa e era dela. A segui e quando ela sentou na ponta da cama fui no embalo, busquei sua mão mais uma vez.
_Estou preocupado – abracei-a de lado e coloquei sua cabeça em meu peito. _Eu estou bem Vi. Foi só um mal-estar. _Porque isso aconteceu? _Sei lá. Devo ter comido algo estragado. _Ontem você jantou aqui. _Talvez tenha ocorrido no almoço.
Levantei-me e busquei suas mãos para fazer o mesmo.
_Pois bem, vamos tomar um banho, em seguida nos deitamos e passaremos o dia inteiro assistindo o filme. _Vamos tomar banho? Você fica aí, a Lourdes pode desconfiar. _Tudo bem, vai lá – desisti de ser insistente. – Qualquer coisa grita.
Saí do quarto para de fato não demonstrar nada para Lourdes e fiquei no corredor. Leo ligou naquele momento perguntando como estava Luciana, pois ela nunca tinha adoecido. Expliquei e logo fui até Lourdes que já chegava no corredor e me entregava o chá.
_Obrigado Lourdes. Vou deixar no quarto dela e em seguida vou ao meu quarto descansar. Vai te incomodar de ficarmos aqui? _Não. Imagina. Vou fazer faxina lá embaixo. Diga a Luciana que qualquer coisa me avise que venho até aqui. _Pode deixar. Obrigado.
Como não sou besta, aguardei Lourdes descer e fui até meu quarto, fechei a porta e voltei até o de Luciana. Fui em direção ao banheiro, estava realmente preocupado com ela. Quando entrei, ela já estava saindo e indo em direção ao closet. Ainda ajudei-a para vestir um baby doll leve e fomos até a cama. Eu perdi a noção das horas enquanto assistíamos algo que passava ali na TV, mas fiquei muito feliz em saber que além de amigo, poderia oferecer um carinho para minha doutora enquanto ela dormia com a cabeça em meu peito.
Luciana...
Acabei adormecendo nos braços de Victor, que naquele dia me mostrou um companheirismo ímpar. Nunca imaginei que até mesmo sendo apenas um fica ele tratava uma mulher como uma princesa. Seria grata eternamente por ele ter entrado em minha vida.
Confesso que dormi demais, talvez fosse isso o que eu estava precisando. Horas de sono que semanas, meses anteriores não havia feito. E sei bem que essa minha loucura toda foi quando me declarei para Victor e ele me tratou com indiferença. Tive a certeza que era estresse quando acordei plena, mas com alguém me tocando. Abri vagarosamente os olhos e Victor estava ali:
_Morena, acorda. _Hum... – respondi só para não o deixar no vácuo, mas já queria dormir mais um pouco. _Acorda – ele insistiu. _O que foi? _Trouxe a janta.
Puta que pariu! Eu dormi praticamente o dia inteiro. Meu Deus, quando foi a última vez que fiz isso? Na adolescência, talvez. De repente, senti minha barriga reclamar de fome. Também pudera, passar o dia inteiro sem me alimentar uma hora meu apetite voltaria. Sentei-me empolgada.
_Estou com fome mesmo. _Vem pra mesa.
Na varanda do quarto mesmo havia uma mesa pequena, redonda. Sobre ela estava a minha água no deserto, Lourdes havia feito um verdadeiro banquete. Sentei e nem pensei em nada, nem lembrava que Victor estava ali. Comia tão empolgada que só acordei do transe com a voz dele:
_Nossa, só você pra ficar com tanta fome depois de ter passado mal.
Parei e olhei meu prato. Uma coisa eu tinha certeza: iria recorrer à academia a semana inteira após aquele prato enorme.
_Isso nunca aconteceu comigo. Sei lá, só sei que estou morrendo de fome – dei mais uma garfada e fechei os olhos. – Essa comida da Lourdes está uma delícia. _Não tanto quanto o macarrão que você faz. _Tentando me agradar, né? – pisquei um olho para lançar meu charme.
E esse charme se esticou durante todo o jantar. Eu queria agradecer ele por me fazer tão bem, por ser um verdadeiro amigo naquele dia, mas o que passava por minha mente não era nada puro que somente amigos fariam. Ele percebeu.
_O que foi Morena? _Agora estou com outro tipo de fome. _Fome? Do quê? – eu ri quando ele se tocou segundos depois. _De você – levantei-me, acerquei a mesa e o abracei por trás, logo beijando sua nuca – Vamos namorar um pouco? _Um pouco? Vamos namorar muito.
Gargalhei e o puxei para cama.
_Então vem!
Continua...
Capítulo 16
Eu não sei por quanto tempo fiquei desacordada, mas ao abrir meus olhos achei uma das enfermeiras me analisando.
_Doutora?
Eu queria saber como fui parar naquela maca, o que estava acontecendo. De repente, lembrei-me do maldito café que dona Lourdes fez naquela manhã, recordei também do parto que estava ajudando quando me senti mal. Eu precisava sair daquela maca para vomitar, aquele cheiro de hospital estava me deixando pior.
_Sai da frente – sentei devagar e quando recuperei meus sentidos saí daquela sala.
Ouvi alguém pedir para uma pessoa da equipe me acompanhar. Agradeci que ali por perto havia banheiro. Vomitei com a certeza que todos os órgãos dentro do meu corpo iriam junto. Ali era meu fim, isso era fato. Tentei recuperar meus sentidos mais uma vez e com minhas pernas bambas voltei à sala onde estava se realizando o parto. Eu queria ajudar, mas bastou me aproximar da paciente para ver tudo ao meu redor escurecer. Fui guiada para uma maca próxima dali.
_Doutora, senta aqui – Jéssica estava a todo o momento do meu lado – Está tudo bem? _Acho que sim – naquele momento minha cabeça doía muito. _Está em condições de pegar o plantão? _Claro...
Eu queria mostrar que estava pronta para tudo. Nunca deixei nada me abater, não seria aquela indisposição que iria me derrubar. Eu desci da maca e não consegui dar mais do que dois passos, a tontura veio forte.
_É sério, Lucy, vou chamar o Guilherme.
Jéssica saiu de perto de mim e foi chamar o médico chefe de plantão e que era meu amigo. Eu sempre o admirei como médico e tinha um enorme respeito por ele. Nos conhecíamos de longa e aquele olhar que ele fez pra mim percebi que eu não estava com uma boa aparência no rosto.
_Luciana, está bem? _Acho que sim _Ela não está bem, doutor. Eu fui te buscar e agora que voltei ela segue com essa palidez. _Vou te liberar. Antes vou ligar pra Brenda voltar e pegar seu plantão. _Não precisa, Guilherme. Eu fico... – eu já previa a fúria de Brenda por ter que voltar. _Imagina Lucy. Até estranhei que uma hora dessa você estava pelo corredor. Jéssica venha até minha sala, vou passar um medicamento que você irá aplicar nela e a deixe em repouso. – ele olhou para mim – Não vou deixar você sair assim na rua. Vamos Jéssica.
Fiquei naqueles minutos sozinha encarando aquele teto branco e pensando que em todos aqueles anos de profissão algo parecido nunca tinha me acontecido. Até morri de vergonha. Antes mesmo de entrar em qualquer sala pra procedimento cirúrgico bastasse eu me sentir um pouco cansada e já procurava algum amigo de profissão que pudesse me medicar. Estava perdida nos pensamentos quando Jéssica surgiu no meu campo de visão. Saí daquela sala e fui para uma mais reservada e aguardei Jéssica preparar na seringa o medicamento que Guilherme havia encaminhado.
_É Luciana, médicos também adoecem – Jéssica me acordou do devaneio. _Não precisava ter falado, Jé – a repreendi sobre o ocorrido com Guilherme. _E você queria ter outro desmaio aqui? _Estou melhorando – a pura mentira entregava meu rosto pálido. _Sei. Mente pra mim não, doutora. Fica aí de castigo que já volto.
Ouvi barulhos no corredor, voz na caixa de som me mencionando e pedindo urgência. Nesse momento larguei meus problemas de saúde e caminhando vagarosamente entrei na sala de parto. A menina era bem jovem e não fazia outra coisa a não ser gritar de dor e desespero.
_Tira logo isso de dentro de mim!
Santo Deus, quantas jovens eu iria socorrer no decorrer daquela vida. A enfermeira obstétrica me chamou à parte e enquanto eu fazia a antissepsia das mãos me relatou sobre a entrada daquela paciente no hospital.
_Deixou para última hora, agora está se esgoelando que nunca sentiu dor tão forte assim. _Você acha que ela terá progresso na dilatação? _Doutora, esse menino já está quase saindo de dentro dela. Vai ser um parto rápido.
Clotilde tinha muitos anos de experiência, ela tinha um olhar clínico e sempre era certeira. Então dali saberíamos que seria rápido, o que complicaria era só os gritos da pobre garota. Tentei acalmar a paciente, se não fosse Clotilde ali eu iria encaminhá-la para uma cesárea, pois se tinha algo que não gostava era de ver garotas mimadas se esgoelando e atrapalhando todo o procedimento. Bastou eu me posicionar entre as pernas da paciente para todo o enjoo voltar forte. Olhei para minha amiga de profissão e ela apenas me deu autorização para sair, era exatamente isso o que eu gostava em Clotilde.
Vomitei o que não tinha mais, não entendia porque meu corpo estava tão sensível a uma simples lembrança de cheiro de café. Voltei praticamente cambaleando, Jéssica já vinha em minha direção e me levou até a sala reservada mais uma vez.
_Te disse que você não estava em condições de nada hoje, Luciana. _Eu tentei – virei o rosto bem na hora que ela estava introduzindo a seringa do soro.
Não sei quanto tempo fiquei ali de castigo, perdi a noção das horas e acho até que cochilei. Jéssica averiguou minha situação.
_Desculpa doutora, mas daqui você não sai dirigindo. Tem alguém que possa vir te buscar? _Acho que sim. Vou ligar. _Faça isso. Enquanto Brenda não chega terei que ajudar a Clotilde.
Naquele momento só me veio a mente Victor. E não era somente porque estávamos saindo juntos, era por ele ser meu amigo mesmo. Disquei o número dele e aguardei que me atendesse.
Victor...
Acordar pela manhã e com um sorriso no rosto só tinha um motivo: A noite foi maravilhosa. Olhei para trás e o outro lado da cama estava vazio, mas era óbvio que Luciana ficou por ali. Seu cheiro impregnado nos lençóis e travesseiro entregou e em minha mente toda a lembrança do que fizemos veio à tona. Como pude passar tanto tempo longe daquele corpo, daquelas mãos e aquela boca? Como fui tolo todo o momento e nos últimos tempos mais ainda, pois fui resistente àquele sentimento que me preencheu quando ela se declarou para mim.
Me despi e entrei no chuveiro, não havia uma parte do meu corpo que não me recordasse das mãos de Luciana percorrendo por todo ele. Que mulher maravilhosa! Eu precisava de uma dose diária do seu corpo.
Desci feliz, cantarolando. Achei Lourdes na cozinha.
_Bom dia Lourdes. _Bom dia, menino. Acordou Cedo. _Cedo? – olhei para o relógio na parede – São dez horas. _Geralmente esse horário está dormindo e quando te acordam fica com mau humor. _É o amor. _O que disse? _O quê? – eu havia sido pego no flagra. Precisava disfarçar – Nada não. Eu vou pra fazenda, mas à noite estarei por aqui. _Vou aproveitar para fazer uma faxina. _Não precisa. Descanse.
Sob olhares intrigantes de Lourdes fiz meu desjejum. Era muito estranho saber que ninguém que convivia conosco sabia do meu lance com Luciana, ao mesmo tempo era maravilhoso o doce saber do segredo.
_A Luciana dormiu aqui?
Eu quase me engasguei com meu café, e o pior de tudo era ter que disfarçar e não demonstrar nervosismo em apenas uma pergunta. É... esconder não era tão maravilhoso assim.
_Sim, porque a pergunta? – indaguei bastante sério para que ela não prolongasse a conversa. _Sei lá. Ela estava com sorriso no rosto, de felicidade, sabe? _Pois é.
Aquela foi a pior resposta, mas não achei outra em minha mente. Eu não conseguia enganar Lourdes nem ela me enganava com aquela conversa. No fundo agradeci que ela não fazia faxina em meu quarto quando eu não estava, pois sabia que ela iria achar vestígios da minha doutora e seu perfume forte.
Não parei para conversar com Lourdes, aquilo era um risco. Decidi ir logo para a fazenda. Leo sempre gostava de ficar por ali junto com Tatianna e os pequenos. Decidi naquele dia ser mais família. Aproveitei para brincar um pouco com meus sobrinhos, eles tinham muita energia, porém, não importava. Eu amava aquela alegria. Sentei cansado na varanda. Fiquei observando o horizonte e as crianças que agora estavam na piscina se divertindo.
_Mano você anda tão feliz – fui acordado dos pensamentos com a voz de Leo. _Quem será o motivo dessa felicidade? – Tatianna completou a linha de raciocínio.
Meu maior medo era de alguém desconfiar. Por mais engraçado que fosse, Leo e Tatianna conheciam Luciana, tinham um amor por ela. Dizer que estava “pegando” a amiga seria o mesmo que anunciar um namoro, coisa que só iria estragar nossa ficada. Eu não pretendia assumir ninguém, sabia que por mais que fosse diferente meu lance com Luciana nós nunca iríamos ficar juntos. Então, para que estragar uma amizade se podemos deixá-la naquele nível?
_Não posso ficar feliz sem ter motivos ou alguém? _Claro que sim, gostamos muito quando você está assim – Eu sentia verdades na voz de Tatianna. _Só estou estranhando. Quando você está apaixonado compõe muito, e de um mês para cá compôs umas dez ou mais músicas.
Aquilo não era segredo. Leo quem ouvia minhas novas canções, ajudava com alguns arranjos, mas ele sabia quando minhas letras tinham motivos e inspiração.
_Só estou inspirado – voltei a olhar para o horizonte.
Eu não conseguia nem encará-los, pois sabia que iriam desconfiar que tinha mentira em cada palavra minha. Meu celular tocando foi minha salvação. Vi que era Luciana e atendi prontamente:
_Oi Mô... – iria entregar o que se passava ali, mas antes mesmo retratei – Môrena? _Está podendo falar? – sua voz estava triste, cansada. _Sim, o que aconteceu? _Pode vir me buscar no hospital? Não estou me sentindo bem.
Eu levantei tão rápido que Tatianna e Leo fizeram o mesmo. Um baque se fez presente em meu peito.
_O que aconteceu? _Calma! Só estou com um mal-estar e a Jéssica acha melhor alguém vir me buscar.
Nada estava bem. Eu conhecia Luciana o suficiente para saber que alguma coisa estava acontecendo. Aquela voz, ela sem poder dirigir, era totalmente novo para mim. No longo tempo de amizade que tínhamos aquilo nunca havia acontecido. Luciana doente? Era até piada.
_Fica calma, vou para o hospital agora.
Quando finalizei a ligação e ergui meu rosto senti a merda que eu havia feito. Tatianna e Leo olhavam para mim assustados, com certeza meu rosto estava na mesma intensidade.
_O que aconteceu, Vitor? – Leo perguntou. _Era a Luciana? – Tatianna também perguntou ao mesmo tempo. _Sim. Ela passou mal e me pediu para ir buscá-la porque não está em condições de dirigir. _Ai meu Deus. A Lu está trabalhando demais. Deve ser estresse. _Deve ser mesmo – respondi Tatianna enquanto guardava meu celular no bolso da calça. – Tenho que ir. _Eu te dou uma carona. Vou pra cidade pra pegar umas coisas pra Tati lá em casa. _Concordo. Deixa seu carro aqui, Vitor, e vem buscar depois. Porque não traz a Lu para cá? _Acho que ela não iria querer, mas vou tentar – olhei para Leo – Vamos?
Saímos e durante o caminho refleti. Eu não iria levar Luciana para a fazenda, queria cuidar da minha doutora, iria ficar ao seu lado sem ninguém presenciando. Estar perto de Tatianna e Leo teria que agir como o amigo e naquele momento eu sabia bem que Luciana não iria querer. Aquela estrada para a cidade estava muito longa, demorávamos a chegar e eu só pensava na minha doutora.