Continuei parada ali naquele estacionamento. Com sempre, estava indecisa e precisava ter uma resposta rápida. Mesmo com tantos anos de amizade, não conseguia entender a bipolaridade de Victor. Às vezes me tratava friamente, não querendo minha companhia, em outros momentos, me mandava mensagens implorando por minha atenção. Meu sexto sentido mais uma vez suplicava para que eu não fosse àquele encontro, mas como sempre, uma mulher boba e apaixonada, faz coisas sem pensar.
Passei no meu apartamento, tomei um banho para ganhar tempo e antes mesmo de me trocar, enviei uma mensagem avisando que eu já estava indo vê-lo. Durante o percurso eu procurava me acalmar, não queria parecer à mesma idiota trouxa que ele achava que continuaria sendo. Acionei o controle do portão e coloquei o carro na garagem. Meu coração parou de bater enquanto eu pegava a minha bolsa no assento do passageiro e o vi ali, parado e com os braços cruzados. Pela expressão no rosto, não estava com muita paciência.
_Demorou – Tive todas as certezas de que estava mal-humorado após seu tom de voz.
_Desculpe, estava saindo do plantão quando vi sua mensagem.
_Beleza. Vamos entrar.
Mas o que porra estava acontecendo conosco? Estávamos nos tratando tão formal, como se eu fosse sua empregada e acho... acho não, tenho certeza que com dona Lourdes ele não era tão frio assim. Para piorar, Victor me deu as costas e foi andando na frente, pouco ligando para mim. Se não fosse minhas atenções em sua ‘comissão traseira’, já tinha voltado para o carro, sumido daquela casa e bem longe daquele louco!
Ainda o seguindo subimos diretamente para o seu quarto. Victor sempre comprava roupas que não usava e era justamente aquelas que lhe salvava quando precisava de alguma emergência. Ele entrou no closet e eu preferi não o acompanhar, não iria responder por mim vendo-o trocando de roupa.
_Ô Vih – alterei um pouco a voz para que ele me ouvisse –, pra que você quer essas roupas mesmo?
_Então... – ouvi sua voz e de repente, ele surgiu na entrada do closet e ficou parado ali – você deve estar sabendo que daqui a duas semanas teremos show aqui. Quero mudar um pouco o visual.
Como eu era uma tola? Todas as colegas de profissão e até mesmo a Raquel estava falando desse show, que iria e que já havia comprado o ingresso para não correr o risco de eles esgotarem. Lembrei-me de que quando ele tentava caprichar no visual era sempre porque tinha alguma garota em vista, um lance ou até um caso. Estremeci ao sentir que ele não me devia satisfação e que agora teria que me acostumar a vê-lo circular com lindas mulheres pela cidade.
_Hummm... – Disfarcei para descontrair o ambiente e que ele notasse que não ligava para sua vida amorosa – tem alguma presa em vista?
_Não. Por quê?
_Nada – levantei-me para disfarçar e ganhar tempo – vamos dar uma olhada.
Realmente, Victor tinha roupas que eu nunca tinha o visto vestir. Conhecia aquele closet como a palma da minha mão e naquele momento, senti saudade da intimidade que tinha com ele, porque aquela bagunça merecia uns bons puxões de orelha. Separei alguns jeans, algumas camisas sociais, adorava vê-lo assim. Pedi para que provasse e aguardei no quarto. Cada vez que ele saía daquele closet, eu buscava o ar que faltava em meus pulmões. Jesus! Porque ele era tão lindo e charmoso? Não custava nada ser apenas lindo e não charmoso, ou feio e charmoso. Ele apareceu com uma calça jeans que eu olhei de uma forma descarada, não sei se ele percebeu, mas que eu quase enfartei, ah isso foi verdade.
_E aí? – Ele deu uma volta bem devagar.
Olhar sua bunda e a região frontal daquele jeans apertadíssimo me deixou com a boca salivando.
_Ótimo! Amei essa camisa, você ficou perfeito.
A camisa foi só um motivo para desviar minha atenção, que ainda estava naquele jeans e preferencialmente, em um só lugar. Por pensamento já me imaginava desabotoando aquela peça com meus dentes e sentindo o sabor de sua pele em minha língua.
Eu estava sendo guiada contra a minha própria vontade, não sabia o que estava fazendo, perto dele eu perdia total noção da sanidade mental. A respiração de Victor ficou desregular, seu corpo aparentava estar anormal quando fiquei bem perto dele, tão perto que segurei aquela mecha teimosa que caía em seu rosto, colocando-a para trás. Como aquele homem era lindo, a visão mais perfeita, muito além do que eu imaginei. Seus lábios tão convidativos. Eu não sabia mais o que estava fazendo.
_Agora você precisa mudar o cabelo – Nem eu sabia o que estava saindo da minha boca naquele momento.
_Vou deixar crescer.
_Deixa, mas não muito.
Só me dei conta quando minhas mãos foram direto ao seu cabelo, eu deslizava por eles, sentindo a maciez. Acordei do transe, mas tarde demais... Victor já tinha notado o quão transparente de sentimentos eu estava diante dele, estava escancarado e escrito em minha testa que eu o amava. O que eu estava fazendo? Meu olhar caiu para sua boca e quando notei ela estava convidativa, entreaberta e se aproximando... ergui o olhar e só ali notei que o olhar de Victor também estava em minha boca, quase me devorando. Seu corpo inquieto, as mãos fechavam-se, talvez procurando o controle. Aquilo era errado, ele não sentia nada por mim e eu estava me iludindo, tinha a certeza que se me aproximasse mais um pouco, levaria uma chamada dele. De repente, senti suas mãos em cada lado do meu quadril, estavam trêmulas, ele também queria me beijar. Acontece que não queria alguém me beijando por pena.
_Victor... Não – Eu queria me desculpar, mas não sabia a palavra certa.
_O que nos impede?... – suas mãos subiram até meu rosto, me deixando sem saída. – Somos livres.
Com todos aqueles sentimentos me tomando, fiquei mole e agradecendo por ele estar me segurando, não sentia minhas pernas. Fechei os olhos e pude sentir sua respiração batendo em meu rosto, ele também estava nervoso. Seus lábios encostaram ao meu quando o celular tocou dentro da minha bolsa. Foi um choque para a realidade e o empurrei de leve. Foi um aviso para ficar longe dele. Tirei meu celular da bolsa e fui atender no corredor.
A voz de Fernando só me fez voltar à realidade e me culpar por algo que quase iria acontecer.
_O-oi Nando?
_Onde está? Parece que correu uma maratona.
Puta que pariu! Minha respiração ainda estava ofegante.
_Eu deixei minha bolsa dentro do carro e vim correndo atender. Tudo bem?
_Tudo sim. Estou com saudades.
_Eu também.
_Vamos mata-la hoje? Estou chegando aí em Uberlândia.
_Eu vou te esperar.
Finalizamos a ligação marcando a hora certa. Olhei para a porta daquele quarto. O que estávamos prestes a fazer não era justo, Fernando era meu namorado e eu gostava da sua presença. Voltei ao quarto sem conseguir encarar Victor enquanto falava:
_Victor, não podemos mais.
_Não podemos o que?
Ergui o rosto e o vi ainda na mesma posição. Ali eu tive a conclusão de que nossa amizade não era mais como antes, não havia inocência e a cada vez que nos encontrássemos eu o tentaria atacar, assim como fiz antes de atender aquela ligação.
_Ter essa amizade forte, sabe.
Eu estava sendo sincera, era uma triste realidade, mas continuar ao lado do meu amigo ainda apaixonada, não sairia coisa boa.
_Sei... – Ele respondeu evasivo, parecia estar pensando ou se preparando para as palavras seguintes – Que tal tentarmos algo a mais que uma amizade?
Assustei-me com aquelas palavras. Os olhos de Victor pareciam estar em chamas, ele estava sedento de prazer. Eu nunca fui olhada por ele daquela maneira. Parecia até que estava excitado com a minha presença.
_Não! Olha, eu vou embora.
Peguei minha bolsa que estava em sua cama e saí sem olhar para trás. Eu ouvia sua voz me chamando, mas temia em voltar e fazer algo que não devia. Fernando mais uma vez vinha nos meus pensamentos e continuei a descer aquela escada, Victor vinha atrás de mim e meu coração palpitava mais e mais. Eu precisava fugir dos seus braços, por respeito a nossa amizade de anos. Estava perto da porta quando a mesma se abriu e Leo entrou brincando com Matheus, logo atrás, Tatianna entrava com Antônio em seus braços.
Estava detestando aquela situação. Porra! Eu estava prestes a beijá-la quando o maldito celular tocou.
A minha situação não estava nada bem. Antes mesmo de entrarmos em casa eu senti meu coração acelerar só de vê-la ali, acendeu algo em mim. Talvez um tesão momentâneo que só ficou forte quando ela se aproximou de mim, no quarto. O que sentia por Luciana era algo estranho. Não era amor, amei várias mulheres e nenhuma delas era isso o que sentia.
Minha vida nos últimos quinze dias se resumia a ficar pensando na minha amiga, a mulher que eu tive a bela ideia de dar um chute na sua bunda e agora estava rastejando aos seus pés implorando, nas entrelinhas, por algumas horas de sexo. O que tinha de mais? Só isso e eu a deixaria viver em paz com o idiota do Fernando. Neguei várias mulheres lindas e que antes despertavam tesão em mim. Todas entravam no meu camarim no intuito de ao menos transar comigo, mas já não rolava química da minha parte, juro que tentei de tudo, mas não saía dos beijos e abraços.
É revoltante e estressante pra mim quando me interesso por uma mulher difícil, Luciana era a bola da vez. Eu não podia perdê-la, ela me ajudava sempre e era uma ótima conselheira. E lá estava eu, descendo as escadas, desesperado em poder tocá-la mais uma vez, jogá-la em meus braços e leva-la para a cama e transar, mostrar a ela que comigo ninguém brinca, que se queria sexo, iriamos ter.
Quanto mais gritava e tentava ficar no seu encalço, mais ela descia desesperada. Ah se eu pegasse aquela mulher, antes de tudo iria lhe dar umas palmadas na bunda e tortura-la com uma longa preliminar de deixá-la agarrando os lençóis!
Eu sentia minha calça apertada, tamanha era minha excitação, que logo se aliviou quando Leo e Tatianna entraram acompanhados com os filhos.
Eles estavam no lugar errado, na hora errada e se meu estresse já estava em alta, só piorou. Parei em um dos degraus da escada. Luciana, ainda de costas para mim, abraçou Leo.
_Cunhadinha.
_E aí Leo, beleza?
Tatianna se aproximou de Luciana, analisando-a como se estivesse notando o clima que acabara de acontecer no meu quarto.
_Lu? Está tudo bem?
_Sim, eu só estou cansada. Saí agora do plantão. – Sorriu fraco.
Luciana como mentirosa era uma ótima médica! Mentiras não colavam com ela. Não mesmo.
_Luciana! – Alterei minha voz para que ela notasse que eu estava ali e nossa conversa estava longe de acabar.
Obvio que Luciana ainda sentia algo por mim. Notei quando ela me olhou na ultima prova de roupa e se aproximou. Sua respiração, excitação, olhar para minha boca. Ela virou e com olhar mostrou que estava assustada com meu tom de voz.
_Lu, fica. – Implorei com um tom ameno na voz.
_Ahh também acho Lu, só porque eu cheguei.
_Não é isso. O Fernando, meu namorado, está chegando de São Paulo e aí vou preparar o jantar, sabe como é.
Então sua fugida dos meus braços era justamente por causa daquele homem? Onde está a Luciana que sempre abdicou dos seus ficantes para dedicar-se a mim? Não era possível que a minha doutora estiva apaixonada por um idiota que lhe deixou para trás no passado.
_Mas o que? Minha cunhada namorando? Vitor, você vai deixar isso acontecer? – Leo colocou as mãos na cintura de um modo bem teatral.
Eles não sabiam o limite da minha paciência naquele momento para vir com piadinhas infames.
_Leo, faz um favor? Cala a boca!
Sim, eu estava estressado, há dias pensando naquela mulher que estava fugindo como uma adolescente em apuros e de quebra, indo ver o seu namorado patético. Tatianna e Leo se entreolharam assustados, até a própria Luciana estava espantada com meu tom de voz.
_Bom, vou nessa. Tchau Vih, depois venho aqui.
Luciana saiu sem olhar para trás, achando que toda a minha revolta era brincadeira e que depois quando voltasse a minha casa, iriamos agir como se nada tivesse acontecido.
_Vitor, o que aconteceu aqui?
A voz de Leo estava séria, ele notara o clima que a minha amiga saiu. Quem olhasse aquela cena, iria jurar que eu estava tentando atacar a minha amiga, o que na verdade era totalmente o oposto.
_Nada. Por quê? – Desci o resto dos degraus para ficar perto deles.
_A Luciana saiu meio esquisita.
Eu adorava Tatianna, tinha ela como uma irmã e gostava muito dos seus conselhos, mas detestava quando ela tentava agir como uma irmã mais velha.
_Pois é, mas não foi nada – Respondi de forma ríspida. Que se dane a paciência que eu tinha que ter. – E aí, o que vocês vieram fazer aqui?
Queria ficar só naquele momento. Precisava pôr meus pensamentos em ordem, ou quem sabe ir atrás de Luciana e mostrá-la tudo o que eu vinha sonhando há dias. Tatianna recuou com um passo para trás, totalmente séria.
_Hei, calma aí. – Leo respondeu – Nós viemos aqui perto para visitarmos uns amigos, aí pensamos em vir te ver. O Antônio e o Matheus também queriam ver você.
Olhei para meus sobrinhos. Eles não tinham culpa daquela cena toda. Olhei para meu irmão e a minha cunhada, ambos também não tinham culpa de Luciana estar me negando. Aquele problema era meu e da minha amiga, somente nós podíamos resolver isso e a sós. Agachei-me para abraçar Antônio e Matheus e aos poucos fui me acalmando.
Fechei a porta do apartamento atrás de mim e um eco se fez presente. O que aconteceu? Victor me deixou totalmente confusa. Ele me desejava, me queria assim como eu o queria, mas porque agora? Então o tempo todo disfarçou desde que soube do meu namoro com Fernando, todo tempo sofreu calado e não quis demonstrar quando foi à clínica. Meu Deus!
Seu olhar não saía do meu pensamento, sua voz ecoava a todo instante...
“O que nos impede?... Somos livres.”
Não, aquilo só podia ter acontecido em sonho. Eu beliscava meu antebraço em uma atitude vã de me acordar. Não era sonho, ele sentia desejo por mim! Lembrei do seu olhar me suplicando para ficar. Victor era um lobo mau, diante do irmão e da cunhada passou a imagem de “bonzinho”, mas seu olhar me mostrava o oposto. Se continuasse ali, eu estaria traindo a mim mesma quando aceitei que Fernando entrasse em minha vida. Fernando! Ele estava para chegar e eu precisava livrar esses pensamentos idiotas!
Infelizmente Victor era o assunto dos meus pensamentos desde quando cheguei da sua casa. Fiquei assim o dia inteiro e me sentindo a pior por negá-lo, ter que lhe dizer “não”. Doeu mais em mim , do que nele.
Eu precisava focar naquele relacionamento, Victor não era um homem para se levar a sério e sendo assim, iriamos acabar uma amizade linda de anos.
A campainha tocou e larguei os copos na mesa, sabia bem quem era. Fernando já estava íntimo ao ponto de deixar na portaria a liberação para que ele subisse sem minha autorização. Não pude deixar de ficar boquiaberta quando abri a porta. Deus! Ele era O HOMEM, seu cabelo curto e levemente bagunçado propositalmente, olhos um pouco puxados, um sorriso estonteante dançava em seus lábios. Malhado, nada exagerado, mas era um bom sinal que se preocupava com a saúde. Não pensei duas vezes e envolvi meus braços em seu pescoço, as pernas foram entrelaçadas em seu quadril e se eu lembro bem aquela cena me lembrava um certo alguém... Esquece esse homem complicado, Luciana!
Busquei sua boca para iniciar um beijo desesperador. As mãos de Fernando foram até cada lado da minha bunda, beliscando e ativando um desejo que estava tão contido. Me guiou até a entrada, fechando a porta atrás de si.
_Gosto quando faz isso. – Ele me falou com um sorriso bobo.
_Gosta mesmo? – Saí do seu colo. – Ainda não viu nada.
Jantamos em um clima descontraído e ainda sentados a mesa, eu ouvia atentamente o projeto que ele estava envolvido. Sua vinda da França era justamente por causa disso. Era engraçado como conversávamos sobre aquilo, tínhamos a mesma profissão, por isso o assunto se tornava leve para nós dois. Com Fernando eu me sentia mais aberta para falar sobre medicina, coisa que com Victor sempre foi o oposto. Nem ele entendia sobre minha área tampouco eu entendia sobre a vida de músico.
Limpamos tudo e o aguardei no quarto. Já estava vestida para dormir enquanto que ele estava no banho. Aquele dia foi exaustivo e de muitas revelações. Victor voltou aos meus pensamentos e uma pontinha de tristeza me invadiu. Porque nossa história tinha que ser tão complicada? Tínhamos uma amizade tão linda, coisa rara de se ver nos dias atuais. Aquele olhar me perseguia, me sentia despida cada vez que fechava os olhos e lembrava dele me encarando com desejo.
Fernando deitou-se do meu lado, seu corpo se juntando ao meu. Sua mão era tão sedosa, aqueles dedos apertando levemente minha cintura, como era gostosa a sensação. Desliguei o abajur e senti seu corpo me dominando, seus lábios nos meus, pedindo passagem para um beijo sedento e cheio de paixão. O olhar de Victor me perseguia, ainda estava vivo e ali, em cima de mim, já não era o Fernando, meu namorado, mas sim o meu amigo que naquela manhã me olhou com tara e acendeu em mim um tesão inexplicável. Meu corpo clamava por atenção, o que meu namorado não deixou faltar quando seus dedos tocaram minha intimidade. Gemi fraco, parecia um sonho e eu sentia prazer, mais ainda quando minha calcinha foi lançada para forma do meu corpo e sem perder tempo, Fernando investiu dentro de mim.
Sua voz masculina saindo em gemidos acompanhados com a respiração entrecortada era a minha válvula de escape. Eu queria fugir daquele par de olhos castanhos que estava na minha visão, tentava de todas as maneiras, mas as ondas de prazer que iniciavam o orgasmo me consumiam a cada investida forte e em meus pensamentos o resultado para o meu deleite tinha nome...
Não queria que parasse, a respiração era forte e pesada próximo ao meu ouvido, eu queria mais e mais...
Victor, não pare! Estou quase...
Apertei os olhos e finquei as unhas em suas costas e quando atingi o ponto alto do prazer, minha boca estava prestes a clamar pelo seu nome... mas naquele instante lembrei que ali não era o Victor, era meu namorado que por sinal, naquele exato momento também estava atingindo o ponto alto do ápice!
Fiquei calada buscando a respiração e ouvindo ele se acalmar também. Fernando foi para o lado da cama, me puxando para aninhar-me em seu corpo.
_O que aconteceu hoje com você hein? – Sua mão passeava em minhas costas.
_Nem sei Nando. – Fiz um riso fraco. Eu sabia bem o motivo.
_Acho que estava matando a saudade de todos esses anos sem nos ver.
_Acho que é isso. – Saí dos seus braços e me deitei do lado oposto. – Agora estou cansada. Vou dormir.
_Então vamos dormir abraçadinhos.
Fernando se mexeu na cama e me abraçou por trás. Quanta perfeição, eu recebendo carinho depois de ter transado com um, porém pensando em outro. Aquela história de dormir foi só um pretexto para não continuar conversando com ele, mas não consegui pregar os olhos. Victor mais uma vez invadiu meus pensamentos e isso me deixou confusa. Quais eram suas intenções comigo? Uma transa e depois cada um para seu lado? Meu amigo é um louco e eu estou beirando a sua loucura!