Arcos de Valdevez, Ponte Medieval de Vilela
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Arcos de Valdevez, Ponte Medieval de Vilela
· 、 ♡ THE DUTCHESS: 𝒔𝒂𝒙𝒂 𝒘𝒆𝒔𝒆𝒍𝒕𝒐𝒏 ❜
THE HERO'S JOURNEY TASK
Os troncos com espinhos começaram a brotar do chão, e se enrolar em sua perna, como uma víbora, porém, eram os espinhos, e não dentes, que se cravava em sua carne, fazendo-a sangrar a cada passo. O grito que ecoou de sua garganta era horripilante, capaz de eriçar os pelos do braço de quem quer que ouvisse, mas para o azar da duquesa, não tinha ninguém ali que pudesse lhe ajudar. Apesar disso, ela não parou. Deu mais um passo, fazendo com que os troncos se esticassem, e apertassem ainda mais os ossos. a cada passo, seu corpo curava a parte rasgada apenas para no segundo seguinte ser quebrado, amassado e dilacerado novamente. A menina então passou a se arrastar na terra, usando as unhas para se içar e continuar avançando. Em sua face, era impossível identificar o que era lágrima, lama ou sangue.
Mas ela não iria parar.
46 HORAS ANTES
A luz do abajur era fraca, mas o suficiente para que ela conseguisse distinguir as letras em seu livro e, ao mesmo tempo, não incomodasse Angela, sua colega de quarto, que dormia o sono dos justo há menos de dois metros de distância. Era de se esperar que anos de insônia, Saxa já tivesse superado a inveja da facilidade com que a ruiva caia no sono, mas ainda sim, ela vez por outra lançava o olhar em direção a ela, flagrando-a ressonar como um bichinho inocente e então suspirava, frustrada, e voltava para Austen, Brown, o qualquer outro autor que estivesse lendo no momento. Foi nos livros que ela encontrou o refúgio para ocupar as noites em claro --- isso quando ela não estava festejando em algum lugar. --- A loira não era seletiva, lia tudo o que aparecia na sua frente, desde os clássicos, até romances policiais, suspense, terror e até um catálogo bastante extenso sobre pedras preciosas e suas propriedades.
O cabelo estava amarrado de forma bagunçada e ela apoiava o livro nos joelhos, tentando não pensar no que tinha acontecido mais cedo. ogros, o pânico, os amigos feridos... Tudo o que ela queria era dormir e simplesmente escorregar para a escuridão e esquecimento de um sono tranquilo, ou então festejar e beber o suficiente para esquecer do que acontecia ao seu redor, mas como desde o ataque a vigilância nos corredores e nos arredores do castelo tinha ficado ainda mais acirrada, estava claro que a sua única opção de sobreviver ao tédio e as lembranças daquela noite estava no fundo da garrafa de vinho e em um livro qualquer.
Tinha por fim mergulhado na leitura, e ela estava atenta na narração em que Edgar Allan Poe arrancava o olho de seu gato preto com um canivete quando Angela pulou da cama, tropeçando nos lençóis, jogando-se toda atrapalhada em direção a janela, como se buscasse alguma coisa.
--- A voz! --- Murmurou ela, não falando com a loira, aparentemente, mas consigo mesma.
Saxa demorou alguns segundos para ajustar as batidas de seu coração, assustada com a interrupção e até lhe fuzilou com o olhar, antes de voltar o rosto para o livro.
--- Angela, foi um pesadelo, volte pra cama.
A ruiva, por sua vez, pareceu pouco convencida de o que quer tivesse vivido era um sonho, mas depois de algum tempo encarando a janela que dava para a extensa floresta, Angela voltou para a cama. Saxa observou todos os movimentos com os olhos num tom exótico de verde e então dentro de si surgiu uma sensação. De repente, ela precisava estar na floresta, um desejo profundo que quase a fez levantar e mover as pernas em direção as escadas, escapando assim para o terreno próximo do castelo.
Atordoada com a violência que o sentimento lhe abateu, Saxa se levantou, puxando a cortina para que pudesse ver pela janela como a copa das árvores pareciam se mexer, lhe chamando. Ela se focou em um local específico, e pode jurar que viu algo lá embaixo.
Por puro reflexo, a loira se afastou da janela, mas não conseguiu desviar o olhar, que parecia hipnotizado pela vista lá de fora. Saxa então chegou a conclusão que tinha atingido sua cota de vinho e Edgar Allan Poe por uma noite.
41 HORAS ANTES
O refeitório estava um verdadeiro pandemônio na manhã seguinte. Claro, todos queriam saber o que tinha acontecido no dia anterior com seus amigos, então choravam, riam, se abraçavam e caiam na gargalhada. Já Saxa, que estava há incríveis oito horas sem beber desde que decidira não tomar mais vinho na madrugada, encontrava-se num mau humor de dar inveja. Enquanto colocava vodka em seu suco de laranja, ignorava praticamente tudo o que acontecia ao seu redor.
--- Já ‘tá tomando seu medicamento matinal, meine lieb? Começamos cedo hoje. Dormiu mal?
A garota lançou um olhar mal humorado para @sorenotsore que se aproximou, sentando-se a sua frente, sem interromper a preparação de seu drink, adicionando um pedaço de cereja na mistura.
--- O que você quer, Fitzherbert?
--- Podemos começar com um pouco do que você tem aí --- disse, assinalando o copo com um movimento do queixo. --- Pode ser ou acabei de assinar minha sentença de morte? Tenha pena de uma pobre alma, Sax.
Saxa podia imaginar que todo mundo estava precisando mesmo de um drink, então empurrou o copo para frente, colocando-o na frente do príncipe, ficando com a garrafa de vodka para si, dando um gole. --- Vou logo avisando que tem laranja e cereja ai, afinal é café da manhã.
--- Claro, vivo pelas suas adições ao suco de vodka, sempre muito sutis. --- Podia ter levado o comentário como ofensa, se Soren não tivesse tomado um belo gole do drink antes de devolvê-lo. A loira deixou escapar uma risadinha, seu humor visivelmente melhorando proporcionalmente a adição da bebida alcóolica em seu sistema. --- Mas então, você tem visto a Aurae?
--- Achei que ela tinha voltado a Corona. Ela me fez prometer escrever todos dias, mas eu acho que ela vai me perdoar por não ter escrito ontem. Você sabe, ataque de ogros, risco da nossa vida, apenas mais uma segunda feira em Aether.
--- Ela estava lá, sim, mas voltaria ontem. --- Os dedos tamborilantes do rapaz não eram algo comum de se ver, mas Saxa não deu muita atenção ao detalhe. --- Na verdade, e não me orgulho disso, fui dar uma olhada no quarto dela hoje; só por desencargo de consciência, pelo Narrador, não vá contar nada diferente a ela.
A duquesa franziu o cenho, confusa com o que ele estava dizendo, e puxou o drink de volta. Sabia que ele estava forte, mas não tanto. --- Espera, está me dizendo que Rae estava aqui? ontem?
--- As malas dela estavam no quarto, ainda fechadas. --- disse o príncipe após assentir uma única vez.
A loira sentiu o pânico se alastrar por suas veias, como se um grito nascesse do fundo de sua garganta e crescesse até que ela precisasse gritar. Mas Saxa não iria entrar em pânico, não até que fosse extremamente necessário fazê-lo. --- Ela pode ter deixado as malas lá e ter ido a biblioteca, ou falar com alguns professores, ido ajudar na enfermaria, você conhece a Rae, ela é esse tipo de pessoa. --- Levou então o drink até os lábios, sorvendo uma grande quantidade em um só gole, até que ela tinha virado o drink de uma só vez, e sequer tinha feito uma careta. --- Quer saber, eu vou procurá-la. Se não a encontrarmos em vinte quatro horas, aí teremos motivos para nos preocupar. --- Saxa encarou o amigo com os olhos verdes. --- Vinte e quatro horas e nenhum minuto a menos, combinado?
35 HORAS ANTES
A primeira parada tinha sido a biblioteca, é claro, mas havia checado o cartão da amiga e a última movimentação de livros tinha ocorrido antes de sua partida. também procurou pelas amigas da loira, e interrompendo uma realista descrição de como ela tinha sido atacada, as duas alegaram não terem visto Aurae chegar ou partir em qualquer momento de ontem. Em dado momento, a sulista enfiou os dedos entre os fios loiros, sem saber onde mais poderia encontrar a Fitzherbert.
Se ainda fosse outra pessoa, outro Jason Bee da qual ela não tinha qualquer afeição seria mais fácil. mas Rae era como uma irmã, as duas discutiam, pegavam roupas emprestadas, e tinham um carinho que Saxa nunca sentiu pelas irmãs de sangue. A mera idéia de perdê-la a fazia se sentir enjoada.
--- Dia agitado, senhoria Weselton? --- ouviu a voz de @brianlefay lhe arrancar de seus pensamentos e se virou imediatamente, observando a presença alta e morena do feiticeiro se aproximar. Ela mal teve a chance de responder quando viu ele enfiando as mãos no bolso e puxar o vidrinho com a poção. --- Aqui está o que me pediu.
--- Ah, obrigada! --- Saxa respondeu, ainda atordoada, os olhos verdes indo da poção para o rosto do mais velho.
--- Só não esqueça que agora me deve um favor. --- piscou para a loira com um sorriso divertido nos lábios.
--- Porque eu sinto que vou me arrepender disso?
--- Que nada, talvez você até se divirta. --- disse arqueando as sobrancelhas.
--- Maybe we both will. --- ela respondeu, o sorriso ladino saindo fácil, já que flertar era natural para a duquesa.
--- Quem sabe...Quem sabe. --- falou em um tom mais baixo enquanto ia se afastando dando passos para trás, até se virar dando passadas de costas. --- É sempre um prazer te ver, senhoria Weselton. --- disse antes de desaparecer na curva.
--- Igualmente Brian! --- Gritou em resposta, não tendo certeza se ele tinha ouvido e então também se virou caminhando para o lado oposto do corredor. Enfiou as mãos no bolso da saia para tirar dali o transmissor. Os dedos eram ágeis digitaram mais uma mensagem.
“Rae, cadê você?”
27 HORAS ANTES
Ansiedade não chegava nem perto de descrever como a loira se sentia. Quando chegou no quarto, não deveria nem ser nove da noite, um horário estranho para a garota se recolher. O coração estava pesado em preocupação com a amiga, Soren também não havia encontrado nem sinal da gêmea e tudo o que ela mais queria era poder simplesmente relaxar. Desde a maldição, em que todos caíram em um sono profundo, Saxa não dormia tão bem e tão profundamente. Era apenas uma sucessão de pesadelos, um sono inquieto, que a fazia acordar menos de uma hora depois, duas, se ela tivesse sorte.
Com o frasco na mão, Saxa se preparou para dormir muito antes da sua companheira de quarto. tomou um banho demorado, colocou uma camisola branca e de seda que havia ganhado de natal, e então, secando os cabelos com uma toalha, se jogou na cama fofa, a mente dolorida pela privação do sono já acostumada com a sensação de deitar e ficar acordada por horas e horas. Ela ligou o abajur, por puro reflexo, e então apagou, decidida que naquela noite seria diferente. O frasquinho estava em seu criado mudo e então pingou algumas gotas da poção em sua língua. O gosto mentolado e um pouco amargo se dissolvendo em sua língua enquanto puxava o edredom para cima. sentindo o calor lhe convidar para ambiente que deveria ser de refúgio e paz.
Claro, sua mente não queria colaborar. Imagens dançavam em sua mente, ogros, sangue, gritos, um sentimento de perda, de exposição, vergonha, arrependimento, raiva, esforço, e então tudo começou a desaparecer conforme os músculos relaxavam e a respiração se tornava lenta e pesada.
Primeiro, não havia nada. Era a dormência e o vazio que ela esperava. a escuridão a tinha sugado, devagar e gentilmente, como se a seduzisse, como se lambesse seus braços, nuca e a movesse em um lago negro fazendo-a afundar aos poucos. foi assim, no fundo daquele oceano profundo e sombrio que a voz surgiu. não era assustadora, em contraste do que dizia, o timbre da voz era acalentadora, como se fosse lhe contar uma canção de ninar. Saxa se deixou envolver, se sentia envolta por aquela presença poderosa e então as palavras começaram a fazer sentido a medida que a coisa repetia de novo e de novo.
Venha até mim… — pedia. Venha até mim… Venha até mim… Venha até mim… Venha até mim resgatar seus amigos… Venha até mim ou os que ama serão os próximos…
Apesar de não poder ver nada além daquela escuridão sufocante, ela conseguia sentir o cheiro do pinheiro e da terra molhada, o verde e a sensação de que tinha algo vivo por perto, animais, plantas, olhos em todos os lugares. De repente, a escuridão começou a parecer sufocante, ela precisava sair dali, uma angústia gritante em seu peito, e ela começou a lutar contra a presença que dominava seu corpo. um grito, a voz conhecida da princesa de Corona foi a motivação final, ela chutou com as pernas, com os braços e então levantou de sobressalto.
Estava de volta ao seu quarto, o coração palpitando, como se tivesse corrido uma maratona. De novo, a sensação de que deveria ir para a floresta lhe dominou, e ela sentiu os pés se movendo em direção a janela, vendo o verde musgo da floresta se entrelaçar com a névoa branca da manhã. Lá embaixo, a figura morena de Fitzherbert surgiu como um fantasma, e ela sentiu os pelinhos de seu braço se eriçarem.
Angela também tinha acordado, e pela maneira com que agora lutava contra as cobertas para se debruçar na janela, Saxa soube exatamente o que a ruiva tinha visto enquanto dormia, e não, não tinha sido um sonho.
Rae estava desaparecida, e ela sabia muito bem onde encontrá-la. Desceu as escadas, encontrando Soren na base da escada de pedra que levava as masmorras da IMRE. Ela se jogou nos braços dele, sentindo o coração pesado dele corresponder com o dela. --- A voz- a voz está com a Rae. Ela está na floresta! --- se ouviu soluçar, e era um som estranho porque a Weselton não era do tipo que se entregava às lágrimas com facilidade. --- Precisamos achá-la.
4 HORAS ANTES
Os dois partiram no anoitecer, tempo o suficiente para que pudessem reunir alguns suprimentos como uma lanterna, algumas poções, água, um sinalizador e é claro, vodka. Depois do pânico que o sonho tinha a colocado, Saxa teria chegado a conclusão de que ir para a Floresta Assombrada não era a melhor das ideias, mas o Fitzherbert tinha um plano: Uma criatura mística vagava entre as árvores centenárias do bosque que ladeava o grande castelo. Diziam que tinha uma aparência cadavérica, coberto por um manto negro e com olhos completamente brancos. Uma lenda aos olhos da Weselton, uma salvação para o moreno. O Suriel podia responder qualquer pergunta e dizer somente a verdade para aquele que conseguisse lhe capturar. Era por isso que em uma gaiola, uma galinha roubada da cozinha momentos antes de fugirem, estavam entre os itens necessários para a viagem.
Eles iriam perguntar sobre Rae, e claro, os outros desaparecidos e voltar. Fim da história.
A caminhada começou em silêncio, nada naquele ambiente sombrio e coberto pelo nevoeiro noturno colaborava com que qualquer um dos dois aprendizes se sentisse muito motivados a tagarelar. Soren era poderoso, ainda que nenhum dos dois falassem sobre isso, Saxa sabia que havia um poder destrutivo que habitava dentro do melhor amigo, por isso, ela sabia que se as coisas ficassem feias, poderia contar com ele, isso e o fato de que, teoricamente, ela era um indivíduo bem difícil de matar.
No entanto, nada aconteceu.
A estranha calmaria durou por um par de horas enquanto caminhavam, se dirigindo mata adentro, até que encontraram uma clareira com bétulas finas e altas. Reza a lenda que era o habitat natural dos suriel. As histórias também diziam que ele não era uma única criatura, mas uma espécie antiga, tão antiga quanto o narrador e o caldeirão.
O processo de tirar a galinha da gaiola, foi rápido, ela parecia dócil, mas não houve qualquer apego quando o príncipe quebrou seu pescoço, um estalar de ossos finos, seguido do barulho da lâmina de seu canivete, fazendo com que o sangue vermelho vivo caísse na terra.
O estalar do pescoço do animal foi seguido por um silêncio anormal, mas o cheiro de ferrugem e sal encheu as narinas dos dois nobres, e a medida que o cheiro de sangue se espalhava era possível ouvir a floresta estalando também, como que imitando o som que havia marcado a morte do animal. Estalar de ossos começaram a ecoar, reverberando pelo bosque, como se algo se aproximasse e ficasse cada vez mais perto.
O medo era paralisante. Por um instante, tudo o que a loira conseguia fazer era encarar em volta, os olhos verdes atentos a tudo o que acontecia ao seu redor. buscou a mão do Fitzherbert, entrelaçando os dedos, mas a verdade é que o coração dela batia tão alto em seu peito que ela sentia que iria pular pela garganta a qualquer momento. A respiração era ofegante e a cada segundo parecia que a sensação de terror apenas aumentava.
Saxa sentiu o corpo sendo puxado para baixo, mas era Soren que a prendia contra ao chão, com o indicador preso aos lábios, indicando para não fazer barulho. Era útil que algum dos dois conseguisse pensar em algum plano naquele momento, a loira estava tão apavorada que não conseguia pensar em fugir, se esconder ou qualquer coisa do gênero.
Mas não importava quão quietos eles tivessem que ficar, pois surgiram duas criaturas --- que pareceriam homens, não fosse a pele como escamas de cobras, a ausência de um rosto, as presas no lugar dos dentes e garras onde deviam estar os dedos.
Os naga se aproximaram, flanqueando os dois aprendizes. Ficar abaixado era uma péssima ideia agora, e em um pulo tanto Saxa quanto o príncipe estavam de pé novamente. Aquilo não estava no plano. Saxa apontou sua lanterna em direção a eles, que pareceram não gostar da luz em seus rostos e partiram para cima dos dois.
A criatura então avançou para cima do moreno, talvez por ser o maior entre os dois aprendizes, a garra e os dentes na direção do príncipe, deixando uma Saxa completamente sem reação a poucos metros de distância.
O outro, percebendo que a loira estava sozinha decidiu investir contra a duquesa que não tinha qualquer outra alternativa senão correr. As passadas eram largas, estava desesperada, mas a naga a alcançou em poucos metros, perto da clareira, quando enfiou uma das garras em seu braço, a fazendo gritar de dor. Ele a puxou, os dentes afiados se prendendo na carne de seu pescoço. O grito ecoou por todo o bosque, mas isso não impediu os avanços da criatura na sua intenção de devorá-la.
Prensada contra a árvore, Saxa não tinha muito o que fazer, e apenas tentava empurrar a naga para longe de si, chutando e socando, mas nada parecia detê-la. Como um solavanco seguido por um gemido, a naga se desfaleceu em cima da duquesa, que a empurrou, saindo de baixo dela com nojo, apenas para dar de cara com o príncipe, que tinha dado o golpe fatal no animal.
Ainda sangrando, Saxa encarou o corpo da naga sem vida próximo a seus pés, mas não havia tempo para qualquer coisa, ela pegou sua lanterna no chão, apenas para perceber que algo estava vindo, e se fossem como os nagas que tinham encontrado eles não teriam qualquer chance de sobreviver.
Não precisaram de qualquer incentivo para simplesmente começarem a correr. Os dois em direção ao oeste, tentando refazer o caminho de volta para o castelo, mas então, heras começaram a se formar, tão rápido quanto eles corriam, a mata se tornava espessa e alta o suficiente para que parecesse um labirinto. Uma parede de folhas e galhos. A garota parou de correr, tentando alcançar o amigo.
--- Soren!
Ela tentou, mas não ouvia nada além do eco da sua própria voz. Estava sozinha.
--- Merda. Merda. Merda. --- Praguejou, andando de um lado para o outro, sentindo o sangue seco em sua pele e seus cabelos, o comichão em seu pescoço indicando que já estava se curando.
Foi quando ela ouviu uma voz, algo sussurrado que ela não compreendeu de imediato, mas diferente da voz de seu sonho, essa voz não era doce e nem acalentadora. Era cruel, era fria e causava uma sensação de pânico na loira.
Estava escuro e frio, então ela apontou sua lanterna em volta com as mãos trêmulas, mas nada parecia se distinguir na escuridão. Saxa pegou sua mochila, abrindo-a, como se tivesse algo mágico para tirar dali além de água, poções e vodka.
“Olhe para mim.” Dessa vez, quando a voz falou, a Weselton pôde distinguir facilmente o que dizia. Ela se virou, em direção a voz, que vinha de trás de si, apontando a lanterna para ela, mas nada surgia. Nada além de ramos e galhos da hera que se formou ao seu redor. Sem perceber, as heras começaram a se enroscar em seus pés, subindo lentamente. A garota ao notar, tentou correr, fazendo com que os ramos se partissem, e então passou a correr, ao notar que a floresta não iria desistir de pegá-la.
“Isso mesmo, venha para mim!”
Era possível sentir o prazer e a satisfação de perceber que a loira estava correndo diretamente até ele, sem conseguir ver para onde ia, Saxa tentou mudar de direção, fazendo uma curva, mas ali as árvores eram diferentes, eram grossas, seus cipós atrapalhavam a sua locomoção, até que uma das bulbosas raízes que se levantavam do chão a fez tropeçar, o ar se esvaindo do seu corpo, em um tombo que lhe abriu a pele de seu queixo.
Os troncos com espinhos começaram a brotar do chão, e se enrolar em sua perna, como uma víbora, porém, eram os espinhos, e não dentes, que se cravava em sua carne, fazendo-a sangrar a cada passo. O grito que ecoou de sua garganta era horripilante, capaz de eriçar os pelos do braço de quem quer que ouvisse, mas para o azar da duquesa, não tinha ninguém ali que pudesse lhe ajudar. Apesar disso, ela não parou. Deu mais um passo, fazendo com que os troncos se esticassem, e apertassem ainda mais os ossos. a cada passo, seu corpo curava a parte rasgada apenas para no segundo seguinte ser quebrado, amassado e dilacerado novamente. A menina então passou a se arrastar na terra, usando as unhas para se içar e continuar avançando. Em sua face, era impossível identificar o que era lágrima, lama ou sangue.
Mas ela não iria parar.
Não podia parar.
Foi quando a hera que avançava como uma cobra por sua coluna, alcançou seu pescoço a fazendo encarar a criatura pelo mais breve dos segundos, já que por puro reflexo, Saxa fechou os olhos.
“Olhe para mim!” Agora a voz estava enfurecida, exigindo que ela expusesse as íris esverdeadas para ele, mas isso só fez com que ela pressionasse ainda mais os olhos, mantendo-os fechado.
Sem poder ver, ela apenas tateou dentro de sua mochila o frasco de vodka que escapou de seus dedos, despejando o líquido de odor forte na planta. Sem pensar duas vezes ela apenas lançou a lanterna com força no tronco, fazendo com que a pequena faísca da lâmpada ao se partir em contato com as folhas e troncos flamas surgissem rapidamente. As heras se retraíram, e afrouxaram o aperto da loira a mesma medida que a criatura desapareceu. No entanto, Saxa não conseguiu ir longe, suas pernas estava quebradas, ela sentia a pele queimada arder a qualquer movimento e após se arrastar por alguns metros, ela foi envolvida por ramos grossos que a mantiveram em um abraço apertado em um ângulo estranho que a fez gemer, muito fraca para gritar, antes de perder a consciência.
No fundo da sua mente ela ainda resistia, queria lutar, não queria desistir. Uma sensação de desespero tão grande que a fez perceber:
Ela não queria morrer.
6 HORAS DEPOIS
Quando acordou, o sol estava em seu rosto, e tudo a sua volta parecia claro demais. A enfermeira, um local onde ela só tinha ido para visitar parecia estranho aos olhos da menina que agora estava ali, pela primeira vez, como paciente. Ela piscou algumas vezes, tentando entender como tinha ido parar ali, buscando na memória a última coisa que se lembrava.
Saxa percebeu os fios loiros em um tom mais pastel que o seu dormia, apoiando a cabeça na cama, mas sentado na cadeira. @cruclprince, seu irmão estava ali, lhe segurando a mão. Aquilo lhe tranquilizou porque apesar de não conseguir dormir, a loira tinha muito medo de dormir sozinha.
--- Você acordou! --- A voz da enfermeira era doce e afetada como se falasse com uma criancinha perdida. Saxa deu um meio sorriso, ainda perdida.
--- Soren! Soren está aqui?
--- Foi ele quem lhe trouxe, deve voltar a qualquer minuto. --- Ela lhe garantiu, e de alguma forma estranha, era ela quem estava na enfermaria e não o moreno. Ela definitivamente não tinha imaginado essa possibilidade. --- Você consegue se lembrar de ontem a noite?
Perguntou e Saxa imaginava que ela deveria negar, afinal, tinha desobedecido uma regra da escola, então ela balançou a cabeça veementemente. --- Você chegou aqui com os ossos retorcidos, mas calcificados como se tivesse se machucados há meses. Tivemos que quebrar seus ossos novamente a fim de colocá-los no lugar. Não foi nada bonito. --- Ela pausou, visivelmente incomodada. --- nesta manhã, você já estava completamente curada.
Saxa empalideceu. Ali estava. Seu segredo escancarado para uma completa desconhecida. Não sabia se começava a implorar para que ela lhe jurasse guardar seu segredo ou se negava, deve ter permanecido em silêncio por tempo o suficiente já que a mulher voltou a falar.
--- Você deve ter tomado uma poção de cura muito forte. --- Então a enfermeira, que tinha cabelos loiros cinzentos sorriu e passou a se afastar.
--- Na floresta. --- Saxa começou, se inclinando para que a mulher voltasse. --- Eu ouvi uma voz que me pedia para olhar pra ela, as árvores me prenderam e me fizeram olhar pra criatura mas eu fechei os olhos.
A mulher assentiu, suspirando. --- O bogge, bicho papão... Ele tem vários nomes. Ele se transforma no seu maior medo, é quando se torna real, mas não pode agir até que olhe para ele e lhe revele o que mais teme. Você teve sorte.
Sorte. Não era a primeira vez que dizia isso para ela. Um milagre, sorte. A loira sempre duvidava de que aquilo era verdade, mas então ela se lembrou da última coisa que pensou antes de desmaiar. Ela não queria morrer. Ela lutou muito para sobreviver. Teria sido fácil simplesmente se deixar levar, mas por algum motivo ela continuou. Pela primeira vez em muito tempo, Saxa realmente se sentiu sortuda.
--- Isso estava nas suas roupas quando te trouxeram. Quer dizer algo pra você? --- Ela entregou então um pedaço de pergaminho, e Saxa simplesmente não podia acreditar do que estava vendo.
Sorte. Sorte mesmo.
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salva vida ou mata do coração hahaha
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